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"Desperdiçamos cerca de um terço dos alimentos que adquirimos. É muito"

A alimentação e tudo o que lhe está associado pode ser uma das principais chaves para cuidarmos melhor dos recursos naturais que o nosso planeta oferece. Mas o impacto da alimentação sustentável também se pode fazer sentir em termos económicos.

"Desperdiçamos cerca de um terço dos alimentos que adquirimos. É muito"

As preocupações com o ambiente e com a preservação dos recursos naturais que temos ao nosso dispor são um tema cada vez mais prioritário. Apesar de ser uma questão que continua a estar envolvida numa perspetiva de futuro, devem ser desenvolvidos esforços cada vez maiores para proteger o meio ambiente e gerir melhor os recursos naturais. Algo que não estamos a conseguir fazer da forma desejada.

Os recursos naturais disponíveis no planeta esgotam-se cada vez mais cedo. No ano passado, isso aconteceu no dia 8 de agosto. Este ano foi no dia 2 de agosto. Para se ter uma ideia de como esta situação tem vindo a piorar nas últimas décadas, basta referir que 1970 foi o último ano no qual o orçamento anual de recursos naturais foi respeitado.

Se nos debruçarmos no caso específico de Portugal, não estamos a contribuir da melhor forma para uma melhor gestão dos recursos naturais. O consumo de alimentos é um bom exemplo disso mesmo, já que tem um contributo significativo para a pegada ecológica do país: 32%.

É neste sentido que a iniciativa da Associação Portuguesa de Nutrição no âmbito do Programa de Sustentabilidade Alimentar ganha particular importância. Uma iniciativa que conta com o apoio institucional do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral de Saúde.

De forma a chamar a atenção dos cidadãos para a importância da sustentabilidade alimentar, a Associação Portuguesa de Nutrição lançou no passado dia 9 de agosto o e-book 'Alimentar o futuro: uma reflexão sobre sustentabilidade alimentar'. Helena Real, secretária-geral desta associação, descreve ao Notícias Ao Minuto esta iniciativa.

"Este ebook surge num âmbito alargado de promoção, sensibilização e sobretudo de consciencialização sobre a sustentabilidade alimentar que a Associação Portuguesa de Nutrição tem desenvolvido ao longo deste ano e que se vai estender até ao próximo ano", começa por dizer Helena Real.

"É um conceito que visa várias valências. Queremos tentar ter uma alimentação que promova um maior respeito e cuidado com o ambiente, para tentarmos privilegiar um ambiente que seja mais profícuo para as gerações futuras", frisa a responsável, acrescentando que "a alimentação sustentável é também uma alimentação saudável, é uma alimentação mais justa em termos económicos. É culturalmente aceite, é acessível à população".

A responsável da APN afirma que o e-book também pretende alertar e dar recomendações para uma melhor gestão de recursos naturais. "Temos de ter noção de que qualquer escolha que fazemos em termos alimentares poderá ter um impacto em termos ambientais. Quando falamos em gasto de recursos naturais, estamos a falar de água, por exemplo, que acaba por ser um bem essencial e para haver produção de alimentos precisamos de gastar água. Há alimentos que gastam ou necessitam de menos água do que outros".

Temos de ter noção de que qualquer escolha que fazemos em termos alimentares poderá ter um impacto em termos ambientaisHelena Real destaca a produção de carne que representa "um gasto maior de água do que se produzirmos produtos de origem vegetal". Este é um exemplo relevante no caso de Portugal, onde cerca de 34% da população consome mais de 100 gramas de carne por dia, de acordo com um inquérito realizado pela Universidade do Porto.

O combustível é outro exemplo no gasto de recursos, como a secretária-geral da APN explica. "Quando estamos a falar do número de quilómetros que um alimento faz até chegar ao nosso prato, isto dá que pensar" em termos ambientais. A solução passa por uma maior aposta em produtos nacionais, até porque em Portugal temos uma "produção alimentar muito interessante, temos acesso a quase todos os produtos", refere Helena Real.

O e-book da APN sugere também que os portugueses comprem apenas os alimentos que vão consumir, evitando comprar produtos não são indispensáveis e que posteriormente possam ser desperdiçados, algo que acontece frequentemente. "Desperdiçamos cerca de um terço dos alimentos que adquirimos. É uma percentagem muito elevada", afirma a responsável da APN.

O mesmo pode ser aplicado à fase da confeção. "Por vezes cozinhamos uma quantidade de alimentos que nem acabamos por consumir", o que gera desperdício e "que se traduz em lixo e que tem impacto em termos ambientais".

Uma alimentação sustentável, tal como Helena Real refere, tem impacto a nível económico. Há formas de poupar até na altura de se cozinhar. "A confeção de certas refeições levam a um maior gasto de energia do que outras", destaca a responsável.

"Temos assistido a uma rápida degradação do planeta. Muitas vezes as pessoas têm tendência a pensar nos problemas do imediato, naquilo que está a acontecer agora e não pensam no futuro das gerações seguintes".

O e-book disponibilizado pela APN deixa ainda sugestões para a construção de uma refeição sustentável. Pedimos a Helena Real para nos indicar cinco passos de como o fazer. Como primeiro passo a responsável apontou a aquisição de alimentos, "de preferência com produtos mais de origem vegetal do que de origem animal. Procurar comprar alimentos frescos, locais e sazonais".

O acondicionamento dos alimentos é o segundo passo. "Para garantir que com este bom acondicionamento também não haja uma deterioração dos alimentos ou uma passagem do prazo de validade, para que não se gere mais desperdício". O terceiro passo é a confeção. "Pensarmos em confecionar apenas as quantidades de que necessitamos e guardarmos o que sobrar para uma refeição futura. Olharmos para os alimentos como um todo e tentarmos utilizar todas as partes possíveis do alimento".

Seguir a dieta mediterrânica é o quarto passo sugerido por Helena Real, que indica como quinto passo a promoção da alimentação sustentável. "As pessoas devem saber que as suas escolhas têm um impacto naquilo que são as políticas associadas a esta área e todas as suas escolhas vão ter influência nas ofertas alimentares ao seu dispor".

Sensibilizar a população portuguesa é assim uma das prioridades da Associação Portuguesa de Nutrição e já estão a decorrer e a ser preparadas mais iniciativas para lá da divulgação deste e-book. "Ao longo deste ano e no próximo ano temos outras atividades na calha, que já estamos a preparar e a sinalizar e que em breve contamos publicar no nosso site, com atividades distintas para diferentes faixas etárias", frisa Helena Real.

Como forma de promoção, a APN realizou em junho, em Lisboa, a primeira conferência inserida num ciclo de conferências sobre a sustentabilidade alimentar. Estão agendadas mais quatro, que vão ter lugar em vários locais do país.

Pode ficar a conhecer melhor as várias recomendações e os alertas deixados no ebook aqui.

E não se esqueça que a alimentação pode ser uma das principais ferramentas na luta para protegermos e preservarmos o ambiente.

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