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Trabalhadores criticam "subconcessão apressada" em ano de eleições

Sindicatos e representantes dos trabalhadores da rodoviária Carris criticaram hoje, em Lisboa, a "subconcessão apressada" da empresa em ano de eleições, salientando que as condições do caderno de encargos beneficiam a empresa concessionária e prejudicam o Estado.

Trabalhadores criticam "subconcessão apressada" em ano de eleições
Notícias ao Minuto

15:31 - 22/06/15 por Lusa

País Carris

"O concessionário não vai ter risco nenhum de prejuízo, tem lucro assegurado, tem uma renda fixa, pode ainda adequar a rede às necessidades e, quando se está falar de adequar a rede, leia-se, estamos a falar de redução de oferta", disse Sérgio Monte, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), afeto à UGT, destacando que "nos últimos cinco anos a oferta da Carris e do Metropolitano de Lisboa já baixou 30%".

Em conferência de imprensa, os representantes dos trabalhadores da Carris anunciaram uma greve para 15 de julho, por ser a data apontada como referência para a assinatura dos contratos das subconcessões da Carris e do Metropolitano entre o Governo e a empresa espanhola Avanza, que vai gerir as duas transportadoras nos próximos oito anos.

O SITRA vai também avançar com um pré-aviso de greve para o Metropolitano e exortou trabalhadores de outras empresas do setor para se juntarem à luta contra as subconcessões determinadas pelo Governo.

Sérgio Monte destacou que "o concessionário vai ter prerrogativas que a gestão pública nunca teve", como, por exemplo, o facto de "poder adequar a oferta em 25%" e comprar material circulante em segunda mão.

Por seu lado, Manuel Oliveira, do Sindicato Nacional dos Motoristas (independente), salientou que as dívidas do setor dos transportes públicos não foram criadas pelos trabalhadores, mas por "opções políticas".

Com as subconcessões, "estas dívidas ficam no Estado e os tais contribuintes irão ser chamados novamente a pagar as dívidas e isto está-se a tornar um hábito. Com estas condições qualquer um pode ser administrador", disse Manuel Oliveira.

Paulo Gonçalves, da Comissão de Trabalhadores da Carris, admitiu que o caderno de encargos estabelece uma série de regras, nomeadamente em relação aos tarifários.

"Mas quem é que vai controlar a execução do caderno de encargos? É que a Carris - e pela mesma razão também o Metro - vai ficar praticamente sem funcionários. Ou vão com a subconcessão ou então estão a rescindir. E depois, quem é que pode acreditar no Governo quando diz que não vai haver aumento de tarifários? É óbvio que vai", disse.

Os sindicalistas contestaram, ainda, a falta de participação dos trabalhadores no processo de subconcessão e de reestruturação da empresa.

"O atual Conselho de Administração e este Governo gostam muito de falar de rescisões amigáveis. Algumas delas sem dúvidas que são amigáveis, mas a esmagadora maioria delas não são nada amigáveis. As pessoas veem-se encostadas à parede", afirmou Paulo Gonçalves.

Sérgio Monte destacou que "o Governo não cuidou de garantir com o concessionário o cumprimento de um acordo de empresa que está em vigor".

"Nem sabemos o que é que se vai passar, porque o outorgante com os sindicatos aqui presentes é a Companhia de Carris de Ferro de Lisboa. Não é a Avanza ou outro qualquer. Queremos saber como é que isso fica", notou.

Os dirigentes realçaram ainda que o processo de subconcessões foi conduzido à pressa e de uma forma pouco transparente por um Governo em final de mandato.

"Faz hoje oito dias, às 11:00 foram abertas as propostas. Na sexta-feira, ao fim de quatro dias, está-se a saber quem é o vencedor. Isto não é normal. Não estamos aqui a falar de um processo qualquer, não estamos a falar de vender uma mercearia. Estamos a falar de duas empresas que são absolutamente fundamentais para a Área Metropolitana de Lisboa", disse Paulo Gonçalves.

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