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"Aceitei a doença e começaram a acontecer coisas boas"

Não ouviu o corpo e, como qualquer pessoa, fazia “muita futurologia” e queixava-se por tudo e por nada. Mas em junho de 2009, tudo mudou. Levou tempo a aceitar e a conhecer a doença, mas cinco anos passados, confessa-se “mais feliz” e “menos egoísta”. Tornou-se um exemplo, incluindo para Cristiano Ronaldo, pela coragem e força com que enfrenta uma doença que teima em debilitá-lo. Falamos de Bernardo Pinto Coelho, o homem que está empenhado em derrotá-la, a ELA, à Esclerose Lateral Amiotrófica.

Notícias ao Minuto

08:05 - 10/01/15 por Ana Lemos 

País Bernardo Pinto Coelho

Vulgarmente conhecida por ELA, a Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença degenerativa que, com o tempo, reduz as ‘vítimas’ à imobilidade física, atrofiando os músculos. Bernardo fala dela como “a pior” esclerose, “a que evolui mais rápido”. Levou três anos e meio a aceitar que tivesse invadido a sua vida sem pedir licença. Demorou, mas agora, cinco anos depois, está com mais força do que nunca para derrotá-la e ajudar outros a fazê-lo.

“O segredo”, diz ao Notícias ao Minuto, “está na mente” e no amor próprio, “foi isso que me salvou”. Salvou, sim, porque Bernardo Pinto Coelho acredita que com os seus 42 anos vai levar a melhor neste duelo. “Quero ficar curado, não vou desistir, vou continuar a lutar. E agora tenho uma responsabilidade acrescida porque estou a ajudar muita gente”, revela, explicando que com a mensagem que decidiu passar a todo o mundo pretende que “as pessoas mudem de estratégia” e aprendam que podem lutar contra ELA. Como? Através de “três elementos-chave: alimentação, exercício e mente”.

“Há nove meses que não evoluo nada”, conta com satisfação ao Notícias ao Minuto, depois de mais uma consulta de rotina com o doutor Mamede Carvalho, quem, após um “batalhão de exames, entre os quais uma punção lombar”, descobriu a doença. “Foi a partir do momento em que mudei a alimentação que a minha evolução praticamente estagnou. É como ter um Ferrari e encher o depósito com água, quando ele precisa de gasolina. Mas tive de cortar com três coisas difíceis, porque estão em tudo à nossa volta e sabem bem: açucares, lactícinios e cereais”.

Bernardo desafiou até “alguns amigos” a alimentarem-se como ele. A consequência? “Ficamos mais giros, mais novos, com melhor pele e melhor energia”, diz. Sem paciência para ter pena de si próprio, Bernardo confessa que também tem os seus momentos de tristeza e revolta mas procura logo “estratégias” que o animem: “Ponho uma música alegre, saio de casa, peço a alguém para vir ter comigo. Posso alimentar-me bem, fazer exercício, tomar os suplementos certos mas se me deixar ir abaixo, não vai dar certo”.

“O meu ‘milagre’ deve-se ao facto de ter um pai médico que investiga a ELA até à exaustão. E, tudo o que tiver de fazer para melhorar, faço”, ao mesmo tempo que ajuda outras pessoas. Algo que quer continuar a fazer. Por isso, “lá para finais de fevereiro” deve sair para as bancas o seu livro, onde de ‘despe’ para contar a todos a sua história de força e coragem.

Acredita que ficará curado e quer transmitir essa mensagem “a pessoas com a mesma doença” e até àquelas “sem doença nenhuma”, mas que tal como Bernardo são muitos “exigentes” consigo próprias e não “ouvem” o seu corpo.

A ELA, a doença que faz o corpo perder força

É o próprio Bernardo quem revela que “neste momento, há 700 casos em Portugal” de Esclerose Lateral Amiotrófica e que há “dois tipos: a genética, que abrange 15% dos casos, e a mitrocondrial, responsável pelos restantes 85%”. Bernardo padece desta última que, explica, “somos nós que a criamos devido a stress, ansiedade, frustações”.

No seu caso, revela ao Notícias ao Minuto, começou por perder força na mão direita. Gradualmente “as mensagens foram chegando de forma mais fraca”. E o stress em nada ajudou. Quando a doença lhe doi diagnosticada, Bernardo era dono de um restaurante e, por causa da crise, vendia seguros de vida ao mesmo tempo. Aguentou “um mês e meio”. Depois começaram as tonturas, “dez por dia” que o faziam quase desmaiar.

“Ser positivo, gostar de rir, arranjar estratégias para não ter autopiedade” são os seus segredos, repete sem se cansar, explicando que faz uma alimentação paleolitica que “todos deviamos seguir”. Come carne, peixe, legumes, vegetais, fruta e ovos, e corta com os açucares, lactícinios e cereais. Mas, admite, uma vez por semana faz “asneiras com prazer” porque “ninguém pode ser radical”.

[O Notícias ao Minuto agradece ao Bernardo Pinto Coelho a disponibilidade para esta entrevista e a importante mensagem que deixou a todos os elementos da equipa]

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