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Lisboa. Dois meses após morte em creche, pais de Clara esperam respostas

Clara morreu no final de janeiro, em Alvalade, num incidente na creche que frequentava.

Lisboa. Dois meses após morte em creche, pais de Clara esperam respostas
Notícias ao Minuto

11:06 - 17/04/24 por Notícias ao Minuto

País Alvalade

No final de janeiro deste ano, a creche 'A Tartaruga e a Lebre', em Alvalade, Lisboa, viveu um dos seus dias mais tristes, quando uma criança de 18 meses morreu asfixiada nas instalações do centro educativo.

Clara terá ficado presa num gradeamento de madeira, existente na creche, e sofreu uma paragem cardiorrespiratória. A menina foi sujeita manobras de reanimação e transportada para o Hospital de Santa Maria, onde viria a morrer.

Cerca de dois meses após o incidente, os pais de Clara dizem que ainda há muitas questões por responder e lamentam ter recebido apenas um email da Instituição Particular de Solidariedade Social.

André Reis e Joana recordaram, nesta terça-feira, em entrevista a Manuel Luís Goucha, na TVI, o dia em que receberam uma chamada da creche a dizer que a filha estava "inanimada".

"Estava ela no chão, a equipa médica toda à volta dela", afirmam, ao lembrar o momento em que chegaram à creche, referindo que quando questionaram o que se passara, as auxiliares mostraram-se "nervosas", sem saber explicar ao certo o que tinha acontecido.

Segundo Joana, quando chegaram ao hospital, o marido questionou os médicos sobre quanto tempo tinha demorado entre o momento em que esta tinha ficado inconsciente e o momento em que foi reanimada. "Meia hora", foi a resposta que fez com que André levasse a concluir, imediatamente, que já não "havia nada a fazer". "Isto é morte cerebral", terá dito.

Depois disso, relatam, seguiram-se horas de dor, em que foram vendo o coração da pequena Clara a bater cada vez mais devagar até que se desligaram as máquinas de suporte de vida.

"Ela está viva de outra forma", diz André, na entrevista ao programa da tarde da TVI, tendo Joana, por sua vez, afirmado que a filha mais velha é quem, dois meses após o incidente, que tem mantido a felicidade da família.

Recebemos apenas "um email"

E após dois meses, há ainda muitas questões que ficam por esclarecer. Joana salienta que tinha "total confiança na creche", que adorava a educadora e que as filhas "eram felizes" n''A Tartaruga e a Lebre'.

"Infelizmente aconteceu este incidente mas não tenho nada a apontar à escola antes [disto]", afirmou, referindo que o que uma educadora lhe disse foi que "quando tirou [a Clara] da cerca, não a viu em sofrimento" e foi só quando a pegou ao colo que percebeu "que estava sem resposta".

Os pais sabem ainda que estavam seis profissionais no recreio a tomar conta das crianças, ficando a dúvida do porquê de não terem visto nada ou se este número de auxiliares seria suficiente para o número de crianças que brincava no local.

A autópsia inicial indica que a menina morreu por asfixia, mas a família espera pelos resultados de uma segunda autópsia mais pormenorizada. 

Questionado sobre que perguntas ainda estão no ar e que esclarecimentos obtiveram por parte da creche, André afirma que apenas "receberem um email". "Mandaram-nos email a desejar condolências e a dizer que se precisássemos de alguma coisa... mas foi só um email", lamenta.

Creche diz que abriu inquérito interno

Entretanto, a creche fez saber que após o incidente esteve no hospital e disponibilizou-se para pagar os custos dos funerais e despesas de qualquer ajuda psicológica que os pais pudessem precisar. Informaram ainda que foi aberto um inquérito para apurar responsabilidades do sucedido, estando este suspenso à espera do resultado desta segunda autópsia.

Entretanto, André e Joana referem que estão a dar a cara pelo sucedido para que o seu exemplo possa servir para que as instituições comecem a tomar medidas para que incidentes como estes não voltem a acontecer - e alertam ainda os pais para que estejam mais atentos quando escolhem as creches onde querem deixar os filhos.

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