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"Democracia deve ser recriada todos os dias, reiventada"

O bispo emérito das Forças Armadas e de Segurança, Januário Torgal Ferreira, alerta para a necessidade de Abril, 50 anos depois da revolução que derrubou o regime do Estado Novo, ser "construído todos os dias".

"Democracia deve ser recriada todos os dias, reiventada"
Notícias ao Minuto

10:41 - 13/04/24 por Lusa

País 25 Abril

O prelado, em declarações à agência Lusa, a propósito do 35.º aniversário da morte do bispo do Porto António Ferreira Gomes, que esteve exilado entre 1959 e 1969, defende que "a democracia deve ser recriada todos os dias, reinventada".

"Eu vejo, com uma grande alegria, que a democracia deu passos espantosos. Nós evoluímos espantosamente, mas, ao mesmo tempo, temos dificuldades", diz Januário Torgal Ferreira, de 86 anos, tido sempre como uma voz inconformada perante os problemas sociais.

Reconhecendo que a sua sensibilidade social foi "bebida" no contacto com o bispo António Ferreira Gomes, de quem foi chefe de gabinete entre 1969 e 1971, Torgal Ferreira deixa o aviso aos políticos: "é necessário ter uma capacidade crítica, quer no poder, quer na oposição".

E face a problemas concretos como os vividos em áreas como a Saúde, a Educação ou nas forças de segurança, é claro: "gostava de ver políticos inquietos, quer de um lado, quer do outro".

"Agora, só são inquietos no período eleitoral?", questiona.

No entanto, continua a "crer na democracia como arte crítica da defesa das liberdades, arte sinfónica de tomar parte em comum e discutir em comum todos os problemas".

"Tenho de confessar, na minha modéstia, que fui um dos que sentiu, e sinto todos os anos, o 25 de Abril como data pessoal" e frisa ser "inegável que houve gente a preparar o 25 de Abril a partir do setor católico".

Reconhece a importância do Concílio Vaticano II como fundamental, principalmente o "testamento de João XXIII", segundo o qual, "a temática primacial da Igreja deve ser a defesa da pessoa humana".

"Talvez [haja] alguns setores muito adormecidos quanto a essa luta social. Quanto a outros, é inegável que há frescura, há primavera, há compromisso, há gente com imensa força e com imensa esperança", afirma Januário Torgal Ferreira, admitindo que, nalguns momentos, estas questões "parece que não fazem vibrar as pessoas".

Mas, para o bispo emérito, "quem estiver convicto, não pode perder a coragem", confessando sonhar que "Portugal vá para melhor".

"Eu gostava que fôssemos para melhor. Que houvesse mais humanidade em Portugal, que houvesse mais cultura política e cultura geral em Portugal. Que houvesse um estudo sério sobre os direitos humanos. Que os grandes problemas da liberdade nos tocassem", expressa.

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