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Contingência? Centro de apoio a sem-abrigo pede revisão de critérios

O Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) do Porto apelou, esta quinta-feira, à alteração do plano de contingência municipal, por considerar "redutor" o critério da temperatura mínima de 3 graus Celsius que determina a sua ativação.

Contingência? Centro de apoio a sem-abrigo pede revisão de critérios
Notícias ao Minuto

18:00 - 26/01/23 por Lusa

País Porto

"Efetivamente, 4ºC, 5ºC ou 6ºC graus [Celsius] é muito frio para quem está na rua", afirmou Natália Coutinho, uma das coordenadoras do CASA Porto, associação que, desde 2008, intervém junto da população sem-abrigo da cidade.

Com as temperaturas mínimas a registarem valores baixos, a coordenadora da associação - que entrega cerca de 160 refeições por dia - diz entender que "ativar o plano de contingência não é assim tão simples" e requer uma "estrutura" para a qual é preciso "haver algum critério", mas apela a que seja revisto o critério da temperatura mínima que determina a ativação do plano.

Segundo a Câmara do Porto, o plano de contingência para apoiar pessoas em situação de sem-abrigo "só é ativado com temperaturas mínimas abaixo dos 3ºC, durante três dias consecutivos".

Para a coordenadora, deveria ser possível ativar o plano de contingência a partir dos 6ºC, por exemplo.

"Porque 6ºC é muito frio para quem está completamente desabrigado. Era importante que esse critério pudesse vir a ser melhorado porque o critério dos 3ºC é demasiado redutor", referiu.

E acrescentou: "muitos [sem-abrigo] perguntam-nos se podemos levá-los para algum local mais protegido".

À Lusa, Natália Coutinho afirmou que, independentemente de a Proteção Civil vir a ativar o plano de contingência, o CASA Porto e outras associações da cidade articularam-se para "fazer face às necessidades" de quem vive na rua.

Natália Coutinho destacou que a associação "tem feito um esforço enorme" para munir as pessoas em situação de sem-abrigo de cobertores, cachecóis, casacos, luvas e meias, bem como de bebidas quentes, como chás e cafés.

"Na terça-feira à noite entregámos o último cobertor que tínhamos. Daí o pedido extremo para nos ajudarem porque não conseguimos fazer face às necessidades das pessoas", afirmou a coordenadora, notando que as roupas quentes e os cobertores podem ser entregues no antigo Hospital Joaquim Urbano ou diretamente em contacto com a delegação do CASA Porto.

A Câmara do Porto anunciou na quarta-feira que as equipas de rua iriam ser reforçadas, a partir das 21:00, para apoiar as pessoas em situação de sem-abrigo devido ao frio.

Segundo a autarquia, o "contingente especial" é constituído por dois elementos da Proteção Civil Municipal, dois elementos do Regimento dos Sapadores Bombeiros, dois técnicos do Departamento Municipal de Coesão Social e dois Técnicos das Equipas de Rua.

"Pese embora ainda não estejam reunidos os critérios estabelecidos pelo Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo do NPISA Porto -- Vaga de Frio 2023, que só é ativado com temperaturas mínimas abaixo dos 3ºC, durante três dias consecutivos", a Câmara Municipal do Porto decidiu avançar com "um reforço das equipas de rua, que diariamente acompanham as pessoas em situação de sem-abrigo".

A autarquia refere ainda que os três restaurantes solidários da rede municipal -- Centro de Acolhimento Temporário Joaquim Urbano, Baixa (Travessa de Passos Manuel) e Batalha -- se mantêm em funcionamento, assegurando mais de 550 refeições diárias, com o apoio dos voluntários da Associação CASA.

Todos os distritos do continente vão estar sob aviso amarelo devido à persistência de valores baixos da temperatura mínima até às 06:00 de domingo, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O aviso amarelo, o terceiro menos grave, é emitido pelo IPMA sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Leia Também: Faro disponibiliza espaço para sem-abrigo durante vaga de frio

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