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Academias Gulbenkian com impacto nas competências de crianças e jovens

Projetos inovadores de mais de metade das 100 Academias Gulbenkian do Conhecimento tiveram impactos positivos no desenvolvimento de competências como a criatividade, resiliência e resolução de problemas de crianças e jovens, apontam resultados finais hoje divulgados.

Academias Gulbenkian com impacto nas competências de crianças e jovens
Notícias ao Minuto

00:05 - 07/12/22 por Lusa

País Crianças e Jovens

Adaptabilidade, autorregulação, pensamento criativo, resolução de problemas, pensamento crítico, resiliência e comunicação. São sete competências que em 2018 a Fundação Calouste Gulbenkian elegeu como essenciais para o futuro, mas pouco desenvolvidas na escola.

Nessa altura, foi lançado o desafio para que associações, organizações e escolas desenvolvessem projetos para promover o desenvolvimento de algumas dessas competências, através de atividades artísticas, científicas, comunitárias, culturais e desportivas.

Foi assim que, ao longo de três edições (2018, 2019 e 2020), nasceram 100 Academias Gulbenkian do Conhecimento.

Os resultados finais do projeto serão apresentados hoje numa sessão na Fundação Calouste Gulbenkian e, em declarações à agência Lusa, o responsável adiantou que as expectativas foram largamente superadas.

"Mais de metade das academias, que chegaram a mais de 54 mil crianças de todos os distritos e regiões autónomas do país, conseguiram observar diferenças significativas nestas sete competências", disse Pedro Cunha.

Foi ao nível da autorregulação, comunicação e criatividade, que as crianças e jovens mais evoluíram, mostrando maiores dificuldades em desenvolver a adaptabilidade e a capacidade de resolução de problemas.

Por detrás das 100 academias estiveram escolas, instituições de ensino superior, associações juvenis, culturais e desportivas e outras organizações sem fins lucrativos que ao longo de pelo menos um ano (o período do financiamento atribuído) trabalharam com crianças e jovens até aos 25 anos.

O objetivo, explicou Pedro Cunha, foi "aproveitar esses contextos para, de uma forma sistemática e intencional, baseada em evidência (prova) científica, desenvolver essas competências, validando 100 respostas diferentes para a mesma pergunta: Como podemos ajudar as crianças e os jovens a lidar com a incerteza, a complexidade, a diversidade e a mudança rápida?".

O impacto das Academias, avaliado externamente por centros de investigação, não se extinguiu nas sete competências definidas pela Fundação Gulbenkian e, segundo o responsável, muitas identificaram resultados noutras áreas, como a literacia, motivação para estudar, autoconfiança, ou saúde mental.

As próprias Academias foram além do projeto e quando o período de financiamento chegou ao fim, cerca de um terço continuaram o seu trabalho.

É o caso da 'Skills4Genius', um projeto que começou em 2013, ainda durante o doutoramento de Sara Santos, que viu nas Academias do Conhecimento uma possibilidade para saltar do contexto académico para a comunidade.

Com base no trabalho de Sara Santos, a 'Skills4Genius' entrou em cerca de uma dezena de escolas do 1.º ciclo em Vila Real e São João da Madeira, em 2018, colocando os alunos no centro do processo de ensino-aprendizagem com o objetivo de desenvolver o pensamento e o desempenho criativos através da prática desportiva e da resolução criativa de problemas.

Os resultados, contou a investigadora, comprovaram o impacto de atividades motoras em termos cognitivos, mas também melhorias ao nível da aptidão física e, entretanto, a mesma metodologia foi replicada noutras escolas, chegando a cerca de três mil crianças.

Atualmente, mais de 40% das escolas já têm pelo menos uma Academia do Conhecimento no contexto das suas atividades e vários municípios incorporaram algumas das metodologias validadas.

Esse é outro dos pontos positivos que Pedro Cunha destaca ao final de quase cinco anos das Academias do Conhecimento. Se em 2018 foram identificadas apenas seis metodologias cientificamente validadas para promover as sete competências escolhidas, existem hoje mais de 37 métodos.

O próximo passo é disseminá-los e, para isso, a Fundação Gulbenkian vai promover a formação de docentes, que deverá arrancar em janeiro, sendo que cada professor tem de fazer-se acompanhar pelo diretor e pelo psicologo da escola.

"Ou seja, de cada escola tem sempre de vir uma equipa de, pelo menos, três pessoas, para garantir que quando o professor regressar não vai estar sozinho a lutar no terreno", acrescenta.

Será também disponibilizado o instrumento de avaliação de competências para todas as escolas do país, através da Plataforma Escolas 360, do Ministério da Educação.  

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