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  • 30 JANEIRO 2023
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Maria do Rosário mantém há 20 anos a coerência da 'voz' do Metro do Porto

Maria do Rosário Domingos, a voz "limpa" das composições da Metro do Porto há 20 anos, disse à Lusa que o seu trabalho é "auxiliar" e não protagonista, exigindo cuidados técnicos redobrados para manter a "coerência no registo".

Maria do Rosário mantém há 20 anos a coerência da 'voz' do Metro do Porto

"A minha voz não é protagonista das composições do metro do Porto. A minha voz é auxiliar", disse Maria do Rosário Domingos à Lusa, a propósito dos 20 anos de operação comercial da Metro do Porto, que se assinalam na quarta-feira.

De acordo com esta profissional da voz, que trabalha com a Metro desde o arranque do projeto, após ter vencido um 'casting', um dos "desafios técnicos" do seu trabalho de 20 anos é a manutenção da "coerência no registo" entre os vários áudios gravados ao longo do tempo.

Para Maria do Rosário Domingos, "se um utente do metro faz um percurso em que ouve sempre as estações, não importa se foram gravadas no primeiro ano do projeto ou 10 anos depois".

Esta antiga locutora da Rádio Renascença contou também que quando fica muito tempo sem ir para estúdio gravar algo relacionado com a Metro, volta a "ouvir o máximo de material possível" em arquivo, "para ficar com o ambiente na cabeça".

"A voz é suposta ir para as máquinas para ser transmitida o mais 'flat' [lisa] e o mais direta possível, para que não tenha distorções, não seja maquilhada, porque não é isso que se pretende", refere.

O objetivo é que vá "claríssima e sem grandes trabalhos de pós-produção", segundo Maria do Rosário Domingos.

A voz "vai como é suposto ir, vai limpa".

"Nós, neste projeto, usamos apenas dois estúdios para gravar. A manutenção dos mesmos técnicos, dos mesmos estúdios, é importante, é uma questão técnica relevante", acrescentou.

Lisboeta do Chiado, Maria do Rosário reconhece que, devido aos diferentes sotaques, "há um Portugal que fala várias línguas", o que a obrigou a ter cuidados adicionais sobre a forma como diz as palavras, de forma a ser percetível.

"Em Lisboa nós dizemos 'mnistro', 'pchina' e 'Flipa', e no Porto diz-se 'Filipa', 'ministro'... portanto, na forma de dizer as palavras, eu tenho esse cuidado. Não é uma adaptação, é a forma correta de as dizer", disse à Lusa.

A locutora, que já foi 'manager' do músico Pedro Abrunhosa e atualmente trabalha numa empresa de eventos corporativos, sublinhou que a principal preocupação dos profissionais da voz é serem "bem entendidos", com registo "neutro", mas sem perder identidade.

"O desafio é falarmos sem abrir mão daquilo que somos e vivenciamos, mas o importante é termos a consciência disso", apontou.

Ao contrário do que acontece, por exemplo, em locuções de publicidade, no metro "não existe interpretação emocional" da mensagem, mas sim apenas "uma transmissão".

Para o seu trabalho contribui também a "qualidade sonora das composições do metro do Porto, que é notável", refere.

"Nunca como antes eu senti que esta foi uma preocupação. E é uma realidade. Ouve-se não só com qualidade, mas sem ser um megafone. É algo natural, faz parte, é como se estivesse algo aplicado, é como se fosse uma comunicação escrita, quase", considerou.

Maria do Rosário pensa "nas pessoas cegas, nas pessoas que têm mais idade e que gostam, precisam e se sentem mais confortáveis a ter o 'memo' de onde estão, para as ajudar para onde vão", bem como naqueles "que não usam o metro todos os dias".

"Estamos lá para auxiliar quem precisa", resume.

Leia Também: Implementação do Metro do Porto foi "processo de catequização"

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