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"Em Portugal desumaniza-se o sofrimento. O que interessa é a intriga"

Ricardo Baptista Leite esteve à conversa com Ana Rita Cavaco e Nuno Freitas no ‘Pandemónio Talks’.

"Em Portugal desumaniza-se o sofrimento. O que interessa é a intriga"

O deputado social-democrata Ricardo Baptista Leite, também médico voluntário no Hospital de Cascais, admitiu, na noite desta segunda-feira, que “não foi fácil” ignorar as críticas recebidas após ter publicado um vídeo nas redes sociais, em meados de janeiro, onde explicava que os profissionais de saúde já estavam a escolher quem era ou não ventilado. Contudo, o mais difícil para o parlamentar foi verificar que mais do que a vida das pessoas, o que interessou foi a “intriga política”.

“Eu disse coisas graves, como por exemplo, que os médicos tinha de escolher quem era ventilado e quem não era. No fundo, escolher a ordem de prioridades com que conseguíamos ir atendendo os doentes. E ninguém pegou nisso, ninguém se quer comentou. Estamos num país onde se desumaniza de tal forma o sofrimento humano em que tudo isso é irrelevante. O que interessa é a intriga política. É evidente que isso não foi fácil de ignorar, mas já tenho experiência de vida e somo a isso as mensagens que recebi das pessoas que estavam a viver esse momento e que perceberam que era preciso uma voz”, explicou durante uma conversa com a bastonária dos enfermeiros e o médico Nuno Freitas, criador das ‘Pandemónio Talks’.

Durante a mesma intervenção, o deputado do PSD salientou também que “o mês de janeiro foi uma coisa como nenhum de nós alguma vez viveu e espero que nunca venha a viver no contexto do Serviço Nacional de Saúde”.

“O momento mais grave, em abril, foi cinco vezes menos grave do que aquilo que se viveu no contexto de urgência em janeiro, com basicamente as mesmas equipas, as mesmas condições e, infelizmente, sem grandes opções terapêuticas. Estamos a lutar contra um inimigo para o qual não temos resposta”, relembrou Baptista Leite.

Já Ana Rita Cavaco sublinhou que há muitos enfermeiros a trabalhar “80 horas por dia” que têm “muitas angústias, muitas dúvidas, muitos medos”, algo que a revolta.

“Essa fragilidade mói-me por dentro e revolta-me, sobretudo, porque eu acho que muitos daqueles que deviam cuidar de nós, que têm cargos públicos, mais obrigações que os outros, que devem ser os últimos a abandonar o barco... e nós não temos tido esse exemplo dos nossos governantes, dos nossos autarcas. Sobretudo agora, na questão da vacinação”, atirou.

Apesar disso, a bastonária dos enfermeiros defendeu que “finalmente temos uma pessoa que nos dá um bocadinho de esperança na Task Force, porque é um militar e os militares têm outra forma de ver as coisas”. “Servem o país, servem os portugueses. Não servem partidos e isso é bom”, frisou.

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