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Detido português por ter 79 tartarugas de espécie protegida em cativeiro

Um cidadão português está detido no norte de Moçambique após terem sido encontradas, em cativeiro, na sua casa, 79 tartarugas de uma espécie protegida internacionalmente, disse hoje à Lusa fonte da polícia moçambicana.

Detido português por ter 79 tartarugas de espécie protegida em cativeiro

A apreensão das tartarugas, da espécie AstrochelysRadiata (tartaruga radiante), oriunda do Madagáscar, ocorreu na sexta-feira, após uma denúncia da Administração Nacional de Áreas de Conservação de Moçambique, disse Enina Tsinine, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), na província de Nampula.

O suspeito está detido na 1.ª esquadra da cidade de Nampula, capital provincial.

O homem, residente em Moçambique, mantinha as tartarugas num espaço no seu quintal, na Ilha de Moçambique, província de Nampula, na zona norte.

Segundo o Sernic, sem que tenha revelado a proveniência, o homem terá dito que mantém as tartarugas na sua casa há 20 anos e que não as comprou, nem vende, apenas as cria.

"Ainda não temos dados concretos sobre como adquiria as tartarugas", mas há uma suspeita, avançou a porta-voz, visto que o português tem uma licença para a prática de pesca no país.

"Temos informações de que ele tem licença para prática da pesca e tem muitas embarcações. Talvez a sua atividade o tenha ajudado na compra ou captura [das tartarugas]", disse Enina Tsinine.

A AstrochelysRadiata, uma tartaruga terrestre (cágado), é uma espécie protegida, considerada em perigo de extinção pela União Internacional Para a Conservação da Fauna (IUCN) e que é parte do Apêndice I da Convenção Internacional para o Comércio de Espécies em perigo de Extinção da Fauna e Flora (CITES, na sigla em inglês), do qual Moçambique é membro.

De acordo com Carlos Lopes, diretor de Proteção e Fiscalização da ANAC, contactado pela Lusa, a maioria das tartarugas apreendidas são adultas - esta espécie pode viver até aos 35 anos -, e estão no contrabando internacional há algum tempo, sendo Moçambique um país de trânsito para o mercado asiático.

Citando estudos, Carlos Lopes avançou que a Astrochelys Radiante "pode custar, no mercado ilícito, até cinco mil dólares [quatro mil euros]" cada, referindo que esta é a segunda apreensão do género que ocorre no país.

"O primeiro caso ocorreu na cidade de Maputo e foram apreendidas 26 tartarugas desta espécie. Esta é a segunda e a maior apreensão", destacou.

Segundo a ANAC, as autoridades do Madagáscar já foram contactadas para posterior repatriamento das tartarugas.

Moçambique é um país assolado pela delapidação de recursos faunísticos e florestais e várias espécies estão em risco de extinção devido à ação decaçadores furtivos.

Leia Também: Moçambique. Amnistia relata que confinamento agravou violência de género

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