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Identificadas sepulturas medievais junto a 'villa' romana em Felgueiras

Uma investigação arqueológica realizada na envolvente à 'villa' romana de Sendim, em Felgueiras, identificou 10 sepulturas medievais e uma calçada de acesso a uma antiga igreja, disse hoje à Lusa um técnico municipal.

Identificadas sepulturas medievais junto a 'villa' romana em Felgueiras

Segundo a autarquia do distrito do Porto, as sepulturas são do tipo fossa e devem remontar aos séculos XII e XIII.

Os vestígios arqueológicos que deram origem à investigação, concluída em julho, foram encontrados quando a câmara local procedia à requalificação de um arruamento.

O achado surpreendeu os técnicos que desconheciam a sua existência naquele ponto.

Os trabalhos foram executados pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara de Felgueiras, em articulação com a Direção-Geral da Cultura do Norte, e neles foram introduzidas medidas de minimização de impactos negativos sobre os achados arqueológicos.

Os achados encontram-se nas imediações da 'villa' romana de Sendim, descoberta em 1992, que terá sido construída em meados do século I e habitada até ao século VI.

Foi classificada em 1997 como Imóvel de Interesse Público e ali existe um centro interpretativo, com peças que remontam ao período romano.

Segundo José Ribeiro, técnico do Gabinete de Arqueologia da autarquia, os achados arqueológicos identificados agora no arruamento próximo comprovam a ocupação humana contínua desde o período de ocupação romana até a época contemporânea",

A descoberta "trouxe dados muito importantes", acrescentou.

No caso concreto do arruamento, foram cerca de 200 metros quadrados de escavação "que responderam a algumas questões levantadas nos mais de 20 anos de investigação deste importante sítio arqueológico", como indicou.

Além de uma antiga calçada medieval, foi sinalizado um conjunto de estruturas pétreas que revelam que no século XVI a antiga igreja de Sendim era circundada por campos e anexos agrícolas.

A construção de uma nova igreja, ocorrida entre os séculos XVI e XVII, terá reconfigurado a zona, com a delimitação do adro e abertura de acessos, explicou.

Numa visita ao arruamento onde agora foram encontrados os vestígios, José Ribeiro explicou que algumas sepulturas acabaram por ser afetadas por remodelações no período moderno, apontando, como exemplo, para um cano de cimento visível num dos achados.

Os técnicos identificaram, catalogaram e guardaram os achados para memória futura, uma vez que, em breve, o arruamento será coberto com o material arqueológico, "devidamente preservados", segundo o técnico.

"Não podemos cortar de vez esta via e manter os achados a descoberto, dado tratar-se de uma via estruturante para a circulação no interior de Sendim", concluiu.

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