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ICNF rejeita ligação entre dragagens e morte de golfinhos no Sado

Esclarecimento surge depois de associações ambientalistas terem denunciado a morte de cinco golfinhos no Sado.

ICNF rejeita ligação entre dragagens e morte de golfinhos no Sado

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) emitiu um comunicado esta quinta-feira afastando a possibilidade de a morte dos golfinhos encontrados no rio Sado estar relacionada com as dragagens

"O ICNF tem registo da ocorrência de quatro golfinhos arrojados na zona entre o Carvalhal e a Comporta, na última semana de dezembro de 2019 e, mais recentemente, de um cetáceo encontrado a boiar, a cerca de 2,5 milhas náuticas ao largo da Comporta (13 de janeiro)", começa por  referir o instituto, realçando que "em todos os casos a espécie arrojada é o golfinho comum"

E avança que a causa da morte destes animais "poderá ter sido natural" ou "pode ter resultado de captura acidental em artes de pesca, fenómeno comum ao longo de toda a costa portuguesa". 

O processo de dragagem atualmente em curso no estuário do Sado, menciona o ICNF "é desenvolvido por uma draga que, pelas suas características, causa o afastamento dos golfinhos", sendo, por isso,  "tecnicamente improvável que estes animais sejam aspirados pela sucção da draga"

Para este organismo atribuir a morte dos golfinhos aos dragados que são depositados fora do estuário e, em especial, a substâncias contidas nos sedimentos dragados "também não é uma hipótese a considerar", tendo em conta que "uma possível contaminação dos cetáceos por estas substâncias seria um processo que demoraria várias gerações a produzir efeito"

E a existirem, sublinha, "esses efeitos manifestar-se-iam, por exemplo, na diminuição da taxa de sucesso reprodutor ou do sistema imunitário dos animais e nunca em mortalidades instantâneas e simultâneas". 

Prosseguindo no esclarecimento, o ICNF refere ainda que as análises realizadas aos sedimentos a dragar mostram que pertencem à classe 1, ou seja, material limpo não contaminado. 

Sublinha ainda o instituto que o arrojamento de mamíferos marinhos na costa portuguesa "é um acontecimento comum" que ocorre durante todo o ano e ao longo de toda a orla costeira e "tem diversas origens", designadamente a morte natural dos animais à captura acidental em artes de pesca, ou devido a fenómenos meteorológicos extremos que arrastam para a praia animais já mortos. 

De acordo com os dados do ICNF, nos últimos anos, entre 2015 e 2019,  a média anual de arrojamentos de cetáceos na costa continental portuguesa ronda os 277 animais, "havendo alguma flutuação anual, fruto não só das variações da densidade e distribuição das várias espécies, como também dos índices de mortalidade registados em cada ano para as diferentes espécies". 

Esta quinta-feira, aliás, "arrojou na praia de Troia-Galé uma baleia anã em elevado estado de decomposição, com cerca de quatro metros". E, " à semelhança do sucedido com os golfinhos, a causa de morte não está relacionada com a atuação da draga", reforça o ICNF

Concluindo o esclarecimento, este organismo de defesa do ambiente refere que a DIA (Declaração de Impacte Ambiental) do projeto no porto de Setúbal "determina, por imposição do ICNF, a realização de monitorizações semanais, por técnicos com experiência no estudo de cetáceos, de acompanhamento da atividade dos golfinhos roazes do Sado, bem como da sua resposta comportamental relativamente às dragagens". "Estes trabalhos tiveram início em dezembro, não tendo sido até agora registada qualquer alteração, mantendo-se estável a situação de referência", faz saber. 

Este esclarecimento surge depois de a SOS Sado e a SOS Animal terem denunciado a morte de cinco golfinhos e gaivotas no estuário do Sado, sugerindo estarmos perante as consequências das dragagens no rio. 

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