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Golfinhos e gaivotas encontrados mortos no Sado

Ambientalistas relacionam mortalidade dos animais com as dragagens no Sado para aumentar o porto de Setúbal e exigem um esclarecimento público.

A denúncia foi feita pela SOS Sado e pela SOS Animal. Nos últimos dias do ano, foram encontrados vários animais mortos no Sado, entre os quais golfinhos e gaivotas. Segundo os ambientalistas, num curto espaço de tempo, foram cinco os golfinhos encontrados mortos no Estuário do Sado. 

"No seguimento das preocupações manifestadas pela SOS Animal sobre as consequências devastadoras das dragagens do Sado no ecossistema local, tomámos conhecimento, através do nosso parceiro SOS Sado, de quatro golfinhos arrojados, mortos, entre Comporta - Carvalhal, sendo que três deles foram encontrados juntos. Hoje [dia 13] foi encontrado um quinto golfinho, morto, nas águas de Setúbal", lê-se na publicação feita nas redes sociais. 

Acrescenta ainda a SOS Animal que foram encontradas "gaivotas moribundas ou já mortas, na costa de Tróia". 

"Através de relatos de embarcações e de imagens, apurámos que se encontram, em número bastante superior, mais gaivotas nas mesmas condições, na Restinga, nos bancos de areia, perto do local onde tem sido feita a deposição dos dragados", denunciam os ambientalistas, apelando aos grupos parlamentares que solicitassem esclarecimentos junto das entidades competentes e autarquias e recomendando o esclarecimento público destas questões de "interesse nacional". "Não só para confirmar as consequências nefastas das dragagens do Sado no ecossistema, mas também nos seus habitantes e na saúde pública", pode ainda ler-se.

Na mesma linha, a SOS Sado emitiu esta terça-feira um comunicado exigindo igualmente às autoridades competentes "todos os esclarecimentos acerca dos contornos destas mortes", assim como  "a garantia de que as mesmas não indiciam qualquer perigo para a saúde pública". 

"A população tem o direito de ser esclarecida quanto ao que se passa no seu habitat, tendo em conta uma preocupante cadência de aparecimento sem vida daqueles que também nele habitam e que não têm voz para se defender, devendo ser esta uma causa que nos preocupa a todas e todos", frisa a SOS Sado, apelando também à realização de autópsias a estes animais para determinar as causas da morte. 

"Quanto às coincidências temporais destas ocorrências com o projecto de alargamento do Porto de Setúbal", notam ainda os ambientalistas, "caberá às equipas de monitorização deste projecto o seu cabal esclarecimento". 

Esta quarta-feira, o Bloco de Esquerda voltou a questionar o ministro do Ambiente sobre as dragagens no Sado, nomeadamente porque continuam apesar de a Assembleia da República ter aprovado uma resolução para a sua suspensão.

"Porque continuam as dragagens apesar das consequências devastadoras para a saúde pública, para a economia local, para as atividades turisticas e sociais, para o ecossistema da reserva do Sado quando até já morreram nos últimos dias cinco golfinhos e várias gaivotas?", perguntou a Sandra Cunha. 

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) esclareceu, também esta quarta-feira,  os animais encontrados mortos não são golfinhos roazes, pelo que não pertencem à comunidade do Estuário do Sado.

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