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"Fiquei dececionado por Costa não eleger ambiente como área prioritária"

Miguel Bastos Araújo, vencedor do prémio Pessoa Pessoa 2018, é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"Fiquei dececionado por Costa não eleger ambiente como área prioritária"

A natureza está-lhe no ADN. Gostava, na infância, de ir para o campo de binóculos em punho para ver pássaros e nem o facto de ser “alvo de chacota” o dissuadia. Falamos do biogeógrafo Miguel Bastos Araújo, vencedor do Prémio Pessoa 2018.

Desde então muita coisa mudou e, na última campanha eleitoral, vários foram os partidos que fizeram refletir a preocupação ambiental nos programas. E esta projeção da consciência ambiental é igualmente visível pelo facto de ter sido a primeira vez, em 32 anos, que o galardão foi atribuído a uma personalidade da área das ciências do ambiente. O Prémio Pessoa, recorde-se, visa distinguir a personalidade portuguesa que tenha sobressaído nas áreas da Ciência, Cultura, Artes ou Literatura.

Miguel Bastos Araújo tem-se dedicado a estudar os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade e, em entrevista ao Notícias ao Minuto, tece algumas críticas ao atual Executivo, que não definiu o ambiente como uma área prioritária.

Já quanto ao cumprimento do acordo de Paris, o biogeógrafo vincou que, mais importante do que estabelecer metas temporais longínquas, é explicitar qual a taxa de execução das medidas definidas pelo Governo. Uma conversa que, de resto, não passou à margem da sugestão sobre a adoção de medidas urgentes de adaptação, nomeadamente, no que diz respeito à capacidade das cidades resistirem a ondas de calor e à necessidade de abastecimento de água para as populações num contexto de seca profunda.

Quem é Miguel Bastos Araújo?

Sou geógrafo de formação, biogeógrafo de especialidade, trabalho na área da biologia espacial, ou seja, procuro entender como se distribuem as espécies e os ecossistemas em relação a uma série de variáveis, nomeadamente climáticas, mas também geológicas.

Esta é uma paixão antiga, desde pequeno que lia os mapas de distribuição das espécies em revistas disponíveis na minha infância. Era sempre uma das partes que me interessava particularmente porque gostava de animais e de perceber a forma como se integravam dentro desses espaços geográficos.

E quanto à sua formação académica? Teve oportunidade de testemunhar diferentes realidades, nomeadamente nacionais e internacionais.

Nasci na Bélgica, onde o meu pai se exilou politicamente, e vivi lá cinco anos. A formação, quando era mais novo, foi feita entre Lisboa e Évora. Estudei na Universidade Nova de Lisboa e no último ano fui para a Universidade de Aberdeen, na Escócia, ao qual se seguiu um mestrado na University College de Londres. Estar na Escócia foi muito importante a vários níveis, desde logo porque a universidade tinha uma biblioteca fantástica com inúmeras referências bibliográficas a que não tínhamos acesso em Portugal porque, na altura, não havia Internet. Passei uma grande parte do ano a ler artigos que aproveitava para enviar para Portugal pelo correio.

No final do mestrado tomei conhecimento de uma linha de investigação que se fazia no Museu de História Natural de Londres e tive muito interesse em segui-la. Entrei em contacto com a instituição e foram colocados alguns entraves, um deles o facto de ter de pagar cerca de 3 mil libras pelo espaço que ia usar. Certo é que não tinha esse valor. E voltei então para Portugal, aproveitando para escrever um projeto sobre o que queria fazer nesse estágio e enviei-o à fundação Calouste Gulbenkian e ao British Council em Lisboa, fora de qualquer concurso.

Essas instituições comunicaram entre si e deram-me, no total, 3 mil libras. Retomei o contacto com o Museu, dei conta de que tinha feito um projeto e tinha conseguido um financiamento. Acredito que se tenham enternecido e disseram-me ‘ok, venha para cá e não terá de pagar porque precisa dessas 3 mil libras para viver em Londres’. E assim foi. Mudei-me para o Norte de Londres e estive três meses a fazer o estágio. No final convidaram-me para fazer o doutoramento.

Como talvez outros portugueses, o meu plano era regressar para Portugal, mas não havia condições. No fundo, deixavam sobre nós o ónus de regressar

E quando regressou a Portugal, sentiu que o país lhe abriu as portas?

Depois do doutoramento, como talvez outros portugueses, o meu plano era regressar para Portugal, mas não havia condições. No fundo, deixavam sobre nós o ónus de regressar. Podíamos regressar e conseguir o encaixe em alguma instituição académica portuguesa ou não. Fui protelando o meu regresso porque depois do doutoramento fiz alguns contactos e não havia nenhuma porta aberta em Portugal. Fui para França, onde estive três anos a fazer um ‘postdoc’ muito interessante na área das alterações climáticas. Estive ainda em Oxford, na Dinamarca e em Espanha.

Quando estava em França, estabeleci contacto com o então presidente do Centro Nacional de Informação Geográfica (CNIG) que estava muito interessado em criar uma área de investigação sobre biodiversidade e comecei a negociar com ele a criação de um departamento de biodiversidade que incluiria três postos de trabalho. Os processos na administração pública são complexos e quando ele me comunicou que tinha conseguido um posto com o meu perfil, o Sócrates, que entretanto já estava no Governo, decidiu fundir vários organismos. A decisão foi fundir o CNIG com o Instituto Geográfico e Cadastral criando assim o Instituto Geográfico Português. Não havia, portanto, possibilidade de criar o dito departamento de biodiversidade e a simples contratação de uma pessoa não dava garantias de viabilidade do projeto.

Neste cenário, optei por não aceitar a oportunidade optando por ir para a Universidade de Oxford onde tinha ganho um contrato por dois anos. Possivelmente muitos portugueses nas minhas condições não tivessem tomado aquela decisão pois trocava estabilidade na carreira de investigação em Portugal por um contrato de apenas dois anos em outro país. Mas fui para Oxford e adorei. Não me arrependo. Estive também em Copenhaga e depois vim para Espanha com um contrato de cinco anos. Dois anos depois estabilizei numa carreira de investigador no Museu de Ciências Naturais, em Madrid.

Mas hoje em dia o tempo é passado entre Madrid e Évora.

Sim, foi criada na Universidade de Évora uma cátedra em biodiversidade [Rui Nabeiro], à qual concorri e ganhei. No fundo tenho estas âncoras de trabalho em Portugal e Espanha e também na Dinamarca, onde mantive uma colaboração com um centro de excelência na área da biodiversidade e do clima.

Há uma consciência da importância das ciências do ambiente para resolver problemas que são eminentemente sociais

É considerado um dos maiores especialistas em alterações climáticas e de biodiversidade e foi galardoado com o Prémio Pessoa 2018. Como recebeu este reconhecimento?

Foi uma grande surpresa, uma grande honra. Obviamente que a nível pessoal qualquer pessoa fica muito contente, mas também houve um gosto particular no facto de esta ter sido a primeira vez que alguém na área das ciências do ambiente foi galardoada com o prémio. Fui o primeiro a ser premiado no âmbito deste prémio e espero não ser o único.

E o facto de esta ter sido a primeira vez que, em 32 anos, alguém desta área foi premiado significa que as ciências do ambiente têm uma maturidade superior à que tinham há uns anos. E por outro lado traduz-se numa certa mediatização do ambiente. A investigação na área do ambiente começa também a ter uma dimensão cultural. Há uma consciência da importância das ciências do ambiente para resolver problemas que são eminentemente sociais.

Não acho que as questões do ambiente devam ser apanágio da Esquerda ou da Direita

A nível mundial, Greta Thunberg tem contribuído para colocar o ambiente na agenda mediática?

Ela conseguiu chegar, de maneira fulminante, a camadas mais jovens que já eram muito mais sensíveis às questões do ambiente, mas que viram na Greta uma figura que representava as preocupações que muitos já tinham certamente. A jovem teve e tem um papel muito importante na catalização da consciência ao nível das camadas mais jovens e eventualmente também das mais velhas, ainda que isto seja um ‘pau de dois bicos’.

Por um lado, ela espalha um alerta que granjeia muita simpatia de algumas pessoas mas, por outro, a excessiva mediatização representa um certo risco de banalização da problemática climática gerando anticorpos por parte de algumas pessoas. Isto preocupa-me pois as questões do ambiente são transversais, dizem respeito a todos e a quase todos os sectores de atividade e não devem servir para dividir a cidadania. Sou da opinião que estes temas devem ser discutidos com seriedade mas que se deve evitar a sua politização excessiva. Dito de uma forma clara, não acho que as questões do ambiente devam ser apanágio da Esquerda ou da Direita.

Notícias ao MinutoMiguel Bastos Araújo© Global Imagens

É um pouco como os direitos humanos. A Carta Universal dos Direitos Humanos é reconhecida por todos e ninguém questiona se é aceitável ou não termos escravos em casa. Há quem os tenha, mas é ilegal. O que está relacionado com o ambiente é tão elementar que não deve ser politizado, não se ganha nada com isso. É verdade que há certos modelos económicos que tendem a gerar disfunções ambientais mas as soluções para os problemas têm de ser discutidas com equilíbrio, moderação e racionalidade. É de evitar a politização fácil destas problemáticas.

Quando era pequeno, gostava de natureza, de ir para o campo com uns binóculos ver aves e era alvo de chacota

A nível interno, durante a campanha pudemos ver que a maioria dos partidos inseriu nos programas a temática do ambiente. Que leitura faz desta realidade?

Vejo isto com uma certa filosofia. Antigamente éramos um país muito pouco sensível ao ambiente. Quando era pequeno, gostava de natureza, de ir para o campo com uns binóculos ver aves e era alvo de chacota. Naquela altura, ou se ia com uma cana de pesca ou com uma espingarda. Mas hoje em dia ninguém se ri de ninguém por isso e esse aspeto reflete uma mudança cultural bastante substancial. E o facto de quase todos os partidos sentirem que é necessário incorporar [na campanha] algum pensamento sobre do ambiente antecede uma maior centralidade que se deve dar ao ambiente na política.

Fiquei um pouco dececionado por ver que, no contexto atual, António Costa elegeu uma série de áreas prioritárias onde não figura de forma clara e inequívoca a área do ambiente. Tem um comité executivo dentro do Conselho de Ministros, mas o ambiente ainda não está abrangido nesse núcleo central. Isso indica que, apesar de haver uma maior consciência que está certamente incorporada nas preocupações do Governo, esta problemática ainda não possui a centralidade que deveria ter. E é grave pois temos pouco tempo para tomar decisões corajosas em alguns domínios centrais da governação.

Temos de ter consciência que a humanidade passou de ter um impacto meramente local e regional nos ecossistemas para ter um impacto global e isso implica uma responsabilidade acrescida na gestão sustentável dos recursos. Implica, por exemplo, que a política de ambiente seja transversal a todas as atividades económicas e que tudo o que façamos tenha de passar com um ‘selo’ de ambientalmente aceitável. Tem de haver uma análise sobre a sustentabilidade de tais medidas, mas a sustentabilidade não é uma política meramente setorial que deva inscrever-se num ministério temático. A única maneira de assegurar essa transversalidade é fazer subir a pasta de quem cuida das questões do ambiente ao nível da coordenação interministerial. Não foi desta vez, mas tenho esperança que venha a acontecer. Não há outro caminho.

E a única maneira de assegurar essa transversalidade é fazer subir a pasta de quem cuida das questões do ambiente ao nível da coordenação interministerial. Não foi ainda desta vez, mas tenho esperança que possa acontecer. Não há outro caminho

Aliás, recentemente a ONU confirmou o pior cenário possível no que diz respeito às alterações climáticas, onde Portugal está incluído.

Há uma evolução de pensamento do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), o órgão intergovernamental das alterações climáticas, que até há uns tempos trabalhava com modelos que assumiam mudanças climáticas graduais. E o que se tem vindo a verificar é que a realidade ultrapassa os modelos, que são conservadores face ao que se está a passar. Além do mais foram levantadas uma série de questões sobre a pertinência dos modelos que caracterizavam as alterações climáticas de forma gradual. O clima, tanto no passado como no presente, não muda de uma maneira gradual: tem alterações abruptas. Está relacionado com a teoria dos sistemas complexos, que têm bastante resiliência, podem sofrer bastante variabilidade interna mas quando os fatores de controle se alteram demasiado, acabam por gerar-se uma mudanças de estado. É muito difícil de modelar este tipo de transições abruptas.

Há uma série de questões arquitetónicas e de ordenamento de espaço que têm de ser repensadas e integradas não só nos planos diretores municipais, mas também em investigação e formação. Os novos arquitetos têm de ter essas noções mais espaços verdes, com mais densidade de arvoredo e árvores mais altas

De acordo com o estudo Cidades em Risco’ da organização não governamental Carbon Disclosure Project (CDP), centenas de cidades do mundo já estão a sentir os efeitos das alterações climáticas, entre as quais algumas portuguesas, mas só metade está a tomar medidas. Como interpreta estes resultados?

Não me surpreende porque as cidades não estão desconectadas do resto do território. Se focalizarmos no contexto português, os desafios são dois. O primeiro está relacionado com a capacidade que as cidades têm de resistir a ondas de calor e o outro com a capacidade de abastecimento de água para as populações do futuro, num contexto de seca profunda.

Em relação às ondas de calor há duas estratégias a adotar. A primeira, do lado da arquitetura. A segunda, do urbanismo. Tanto os novos edifícios que estão a ser construídos como os que já existem têm de sofrer adaptações para se tornarem mais resistentes aos efeitos de ondas de calor. Está em causa a introdução de novos materiais de construção, que melhorem o comportamento térmico dos edifícios, mas também de conceção por forma a torná-los mais habitáveis num contexto de ondas de calor prolongadas. Ora este tipo de reflexões não estão ainda a ser incorporadas nos planos diretores municipais, tanto quanto sei.

Na vertente do urbanismo, importa repensar o entrosamento entre áreas de construção e espaços verdes. Um artigo divulgado há pouco tempo demonstrou que com coberturas de copa arbórea acima dos 40% se conseguem reduções substanciais na temperatura diurna. O estudo demonstrou igualmente que os pavimentos impermeáveis acumulam calor libertando-o durante a noite. É, por isso, fundamental, considerar novos materiais que garantam a respiração do solo. Isto é extremamente importante pois o não arrefecimento noturno durante um período de onda de calor tem efeitos muito negativos na saúde pública ao não permitir a descida de temperaturas e o descanso das pessoas. Há uma série de questões arquitetónicas e de ordenamento de espaço que têm de ser repensadas e integradas não só nos planos diretores municipais, mas também em investigação e formação. Os novos arquitetos têm de ter essas noções.

O Partido Socialista teve no seu programa a expansão das áreas de regadio no Alentejo central com base na água do Alqueva. Mas isso pressupõe cenários desconectados da realidade, ou pelo menos daquilo que é projetado pelos modelos

E quanto à água?

Alguma água que cai nas cidades pode ser guardada em cisternas, como aliás se fazia antigamente. Há margem de manobra para as cidades terem uma política de retenção de água local, nomeadamente para regar os jardins. Depois temos de ter uma gestão mais profissional dos nossos recursos hídricos. Continuamos a expandir as áreas de regadio, nomeadamente no Alentejo, sem consideração para as disponibilidades hídricas futuras.

Por exemplo, o Partido Socialista teve no seu programa a expansão das áreas de regadio no Alentejo central com base na água do Alqueva. Mas isso pressupõe cenários desconectados da realidade, ou pelo menos daquilo que é projetado pelos modelos. Quando falo em profissionalismo na gestão da água, falo de haver equipas que integrem as tendências climáticas atuais e futuras no planeamento de novos empreendimentos agrícolas. O que vejo é que essa articulação não está a ser feita.

No que ao acordo de Paris diz respeito, Portugal está no bom caminho para o cumprir?

Não me interessa ter uma meta para 2050 sem saber como ela será implementada e calendarizada. Certamente é importante sabermos qual o caminho que estamos a seguir e onde queremos chegar, mas uma meta que não tenha uma calendarização mais fina é desresponsabilizante. Em 2050, por exemplo, eu vou ter 80 anos e a maior parte dos nossos governantes terá 90/100 anos. Temos de ter metas para um, dois anos.

António Costa pode prometer que em 2050 vamos cumprir um determinado acordo, mas depois pode mudar o Governo e alteramos por completo essa medida e lá se vai a meta. O importante é saber o que ele vai fazer neste mandato e qual é a contribuição que se espera que faça para esse objetivo de 2050. Pode ser que as grandes melhorias se façam agora ou se empurrem para 2045. É importante saber qual a meta mas também qual a sua taxa de execução.

O conhecimento que temos atualmente sugere estarmos perto de chegar ao ponto de não retorno

Tem-se falado no ponto de não retorno. Vamos a tempo de evitar a crise climática?

O conhecimento que temos atualmente sugere estarmos perto de chegar ao ponto de não retorno. Não sei se será daqui a dois anos ou mais, no fundo acho que ninguém sabe.

Qual o caminho perante as mudanças climáticas, minimizar efeitos ou mudar os modelos produtivos para uma economia baseada no uso de combustíveis fósseis?

Num estudo que realizámos aplicado à implementação de políticas de conservação da biodiversidade, num contexto de mudança climática, chegámos à conclusão que seria mais caro esperar pelos impactes e agir de forma reativa do que anteciparmo-nos aos impactes e reagir preventivamente. Penso que isso é verdade em quase todos os casos. Obviamente há aqui uma questão que diz respeito à gestão do risco e da incerteza que não é trivial.

Não vem nenhum mal ao mundo se houver uma moderação desse consumo [de carne de vaca]

Recentemente, a Universidade de Coimbra retirou a carne de vaca das cantinas. Esta foi uma medida que fez ‘correr muita tinta’. Deve ser replicada em nome das alterações climáticas?

O primeiro comentário que se me ocorreu quando surgiu esta polémica foi que fazemos uma ‘tempestade num copo de água’ e que o reitor da Universidade de Coimbra tem todo o direito de influenciar a ementa das cantinas.

Há quem fale no direito de comer carne de vaca, mas quando vou a uma cantina não penso no direito a comer o que quer que seja. Há um menu e são essas as opções. Se estiver preocupar com o direito a escolher um menu, fico em casa. De certa maneira, não se percebeu muito bem o porquê de tanta celeuma porque é uma decisão doméstica da Universidade de Coimbra e o reitor tem toda a legitimidade para a tomar.

Acresce que, hoje em dia, há um excesso do consumo de carne de vaca e esta é, regra geral, uma das carnes que tem maior impacto a nível ambiente. Não vem nenhum mal ao mundo se houver uma moderação desse consumo e que essa moderação seja iniciada em cantinas universitárias e organismo públicos parece normal.

Alguns dos críticos questionavam se não teria sido mais útil, em vez de se proibir carne de vaca, optar por carne produzida em regime extensivo que, em certos casos, tem um impacto positivo nos ecossistemas. É verdade que há certos tipos de agropecuária extensiva que, mais do que causarem um problema para o ambiente, ajudam a regular os ciclos biogeoquímicos e não há dúvida que os herbívoros são essenciais para a gestão da biomassa. Mas a produção de carne de vaca em regime extensivo é reduzida face à que é produzida globalmente e a verdade é que, salvo exceções, o consumidor não tem forma de destrinçar no supermercado o que é uma carne sustentável de uma carne que coloca problemas de sustentabilidade. Portanto, perante a ausência de informação sistematizada, não parece desfasado que o reitor tenha tomado essa decisão.

Trump e Bolsonaro são figuras preocupantes na cena internacional na luta contra as alterações climáticas?

São figuras que vão em contraciclo com aquilo que é preciso fazer, isso é evidente. Nem Bolsonaro nem Trump vão acabar bem, não lhes vaticino um futuro glorioso porque estão a adotar algumas medidas que fazem roçar os limites do que é legal. O extremismo do Trump e do Bolsonaro poderão dar origem ao extremismo no sentido oposto quando saírem. Eu defendia um certo consenso ao nível de políticas, mas com inteligência e moderação. Nem Bolsonaro nem Trump o permitem, mas é bom que quem venha depois tenha essa preocupação e refreie os ânimos.

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