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Ministro sabia do encobrimento ao roubo de Tancos, garante major

Garantia foi dada ao juiz do Tribunal de Instrução pelo ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar, o major Vasco Brazão, que foi interrogado na última terça-feira. O ministro da Defesa já negou "categoricamente" ter conhecimento da alegada encenação, assegurando ser "totalmente falso" que sabia de um "qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos".

Ministro sabia do encobrimento ao roubo de Tancos, garante major
Notícias ao Minuto

11:34 - 04/10/18 por Patrícia Martins Carvalho 

País PJ Militar

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, terá tido conhecimento de que a devolução das armas roubadas em Tancos não foi mais do que uma encenação, avança o Expresso.

Quem o garante é o major Vasco Brazão, ex-porta-voz da Polícia Judiciária (PJ) Militar, que no seu depoimento perante o juiz de instrução criminal, na última terça-feira, disse em tribunal que o ministro Azeredo Lopes foi informado da operação no final do ano passado.

Segundo a mesma fonte, o major Vasco Brazão e o coronel Luís Vieira, então diretor da PJ Militar, informaram o gabinete do ministro do sucedido, entregando uma pasta com toda a informação ao chefe do gabinete.

O major terá dito ainda em tribunal, de acordo com o semanário, que o chefe do gabinete telefonou a Azeredo Lopes, à frente dos dois militares, dando conhecimento do caso, não havendo qualquer reação à informação.

Contactado pelo Expresso, o ministro negou a veracidade do depoimento de Vasco Brazão, que se encontra em prisão domiciliária sem vigilância, não tecendo mais nenhum comentário. O governante, responsável pela pasta da Defesa, acabaria porém por quebrar o silêncio e, a partir de Bruxelas, declarar ser "totalmente falso" o facto de que sabia da "encenação" que envolveu a recuperação do material de guerra roubado.

"Queria dizer categoricamente que é totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo. Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos", garantiu aos jornalistas em Bruxelas, à margem da reunião dos ministros da defesa da NATO. 

Confrontado com estas alegações, Ricardo Sá Fernandes, advogado do major Vasco Brazão, recusou comentar, frisando, em declarações aos jornalistas, que não iria divulgar o que o seu cliente disse em sede de interrogatório judicial na última terça-feira (dia 2). “Não me cabe afirmar nem desmentir essas afirmações”, disse o causídico, lembrando que tem “limitações em fazer declarações públicas sobre os processos”.

No entanto, Sá Fernandes reiterou que a “pré-disposição” de Vasco Brazão para “falar a verdade de forma genuína” poderá ter pesado na decisão do juiz ao decretar-lhe a medida de coação de prisão domiciliária. O advogado do ex-porta-voz da PJ Militar sublinhou, aliás, que o importante é que a “verdade venha à tona” até porque se trata de uma “matéria de importância para o Estado português e para a Justiça em Portugal”.

“O que espero é que se venha a apurar quem o fez e em que circunstâncias”, rematou Sá Fernandes, em declarações no Campus de Justiça, em Lisboa.

Saliente-se que, momentos antes de o semanário Expresso avançar com esta informação, o ministro Azeredo Lopes garantiu que não se demitiria na sequência da aprovação pelo Parlamento de uma comissão de inquérito para apurar responsabilidades políticas sobre o caso.

A "verdade" levou o major Vasco Brazão para casa

O militar português, que se encontrava na República Centro-Africana em serviço com o contingente português da força das Nações Unidas e que regressou esta semana a Portugal, era alvo de um pedido de detenção feito pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal ao Estado-Maior General das Forças Armadas, e foi imediatamente detido assim que pisou território nacional.

A detenção ocorreu no âmbito da operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos e que envolve o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Ao major Vasco Brazão acabou por ser aplicada a segunda medida de coação mais gravosa, depois de na passada sexta-feira (dia 28), o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa ter decretado a prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.

Os restantes seis arguidos ficaram em liberdade, embora sujeitos a termo de identidade e residência, suspensão do exercício de funções, proibição de contacto com os coarguidos e com quaisquer militares das Forças Armadas, da GNR e elementos da PJM.

O TIC esclareceu que aplicou estas medidas ao diretor da PJM, aos restantes três elementos daquela polícia e aos três GNR pelo "perigo de continuação da atividade criminosa e perigo de perturbação do decurso do inquérito, aquisição e conservação da prova".

Para o único arguido civil, João Paulino, que responde pelos crimes de tráfico de armas e tráfico de droga, o juiz de instrução criminal João Bártolo considerou que há "perigo de continuação da atividade criminosa e de fuga".

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