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Ministro da Defesa assegura que "não faz sentido nenhum" demitir-se

O ministro da Defesa considerou hoje que o pedido de demissão do CDS "não faz sentido nenhum", e constituiu "uma espécie de 'bullying' político", mas disse encarar "com normalidade" a constituição de uma comissão de inquérito sobre Tancos.

Ministro da Defesa assegura que "não faz sentido nenhum" demitir-se
Notícias ao Minuto

09:37 - 04/10/18 por Lusa

Política Tancos

"Neste caso, já tenho um bocadinho a pele dura, porque o CDS pede a minha demissão desde 03 de julho de 2017. Ao fim de um ano, três meses e dois dias, já criei alguma resistência. Sem querer fazer ironia, acho que não faz sentido nenhum. Se tivesse sentido, obviamente já teria apresentado a minha demissão, não tenho apego a cargos que não me leve a ter a lucidez de analisar o que faço", sustentou.

Azeredo Lopes pronunciava-se, à margem da reunião dos ministros da Defesa da NATO em Bruxelas, sobre a proposta de comissão parlamentar de inquérito ao furto de armas em Tancos para apurar responsabilidades políticas do Governo, quem falhou e por que falharam as medidas de segurança, com os centristas a defenderem também a demissão do ministro.

"Que fique muito claro: aquilo que o CDS pede, pede legitimamente. É um partido político, está a fazer oposição, considera que eu devo demitir-me, por isso encaro isso sem quaisquer 'hard feelings' [sem ressentimento], sem críticas pessoais, embora às vezes até pareça uma espécie de 'bullying' político", observou, acrescentando encarar "com toda a normalidade" a constituição de uma comissão de inquérito.

"Já nem sei contar as vezes em que estive no parlamento, e estive sempre as vezes que foram necessárias, para responder às questões, às críticas", lembrou, ironizando que a oposição lhe imputa uma "lista quase telefónica" de responsabilidades.

Azeredo Lopes insistiu ainda que o parlamento existe, entre outras dimensões, para escrutinar, e escusou-se a revelar se retirará ilações políticas da comissão de inquérito: "Sobre as conclusões da comissão parlamentar de inquérito não me vou pronunciar, tanto quanto sei nem foi ainda aprovada e já estamos a discutir o fim do jogo?".

No entanto, estimou que seria "muito estranho" que a comissão considerasse que é o responsável político, uma vez que o próprio assumiu essa responsabilidade em 01 de julho.

"É fácil perceber que, neste caso, o Governo agiu bem porque foi posto perante um facto que é grave. Foi feito depois um trabalho muito aprofundado, [...] que pode demonstrar o tempo infinito em que a situação de fragilidade dos paióis já se mantinha, e depois foi tomado um conjunto de medidas muito profundas e exigentes para restabelecer, perante os cidadãos, as condições de segurança de todo o material de guerra", apontou.

O responsável pela tutela da Defesa admitiu ainda que pode "garantir, tanto quanto é possível garantir" que um caso como o do furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada -- não voltará a acontecer.

"Se colocar todos os sistemas antirroubo em sua casa, de certeza que não pode garantir que não há um roubo em sua casa. Mas pode, com certeza garantir, que fez todos os esforços para que uma situação destas não se torna a repetir", sustentou.

O ministro da Defesa falou ainda com os jornalistas sobre a expressão que utilizou há mais de um ano.

A expressão "no limite, pode não ter havido furto nenhum", foi "um desastre" em termos políticos, esclarecendo, contudo, que quis dizer o contrário do que lhe foi atribuído.

Questionado sobre se em algum momento pensou que o furto do material militar em Tancos não tivesse efetivamente acontecido, Azeredo Lopes respondeu: "suponho que esteja a falar sobre aquela expressão que vai marcar-me até ao fim dos meus dias".

O ministro da Defesa referia-se a uma expressão proferida em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, divulgada em 10 de setembro de 2017, que foi amplamente noticiada.

"No limite, pode não ter havido furto nenhum. [...] Por absurdo podemos admitir que o material já não existisse e que tivesse sido anunciado... e isso não pode acontecer", disse então.

"A frase continua. O meu apelo na altura era justamente: espero que a investigação criminal avance o mais depressa possível, para que, no limite e por absurdo, não se alegue que não houve um furto", esclareceu.

Azeredo Lopes recordou que, na altura, pouco se sabia sobre o caso Tancos, e que o peso no espaço público do conjunto de teorias que diziam que não tinha havido furto, mesmo entre as forças militares, era grande.

"Já percebi que, em termos políticos, é um desastre, que não se pode fazer uma frase complexa, com duas negativas. Já recebi a lição comunicacional, e não torna a acontecer. O que eu disse foi exatamente o contrário do que me foi atribuído", defendeu.

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