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Ana Julia culpa Gabriel por golpe fatal para evitar pena máxima

Ana Julia Quezada esteve uma hora e meia a falar com os inspetores da Guardia Civil quando confessou a autoria do homicídio de Gabriel Cruz, menino espanhol de oito anos. Autoridades não acreditam na totalidade da descrição, teme-se uma tentativa de atenuação de pena.

Ana Julia culpa Gabriel por golpe fatal para evitar pena máxima
Notícias ao Minuto

10:00 - 14/03/18 por Anabela de Sousa Dantas

Mundo Espanha

Ana Julia Quezada, de 43 anos,  confessou esta terça-feira a autoria da morte de Gabriel Cruz, depois de quase três dias de silêncio após a detenção, no último domingo, quando foi intercetada pela Guardia Civil com o cadáver do menino de oito anos na bagageira do carro que conduzia. A confissão, escreve o La Vanguardia, levou uma hora e meia, tendo coincidido com a emotiva despedida de Gabriel Cruz, que foi a enterrar esta terça-feira.

Na segunda-feira, Ana Julia ainda “gesticulava com frieza e com um silêncio inquebrável”, conforme indica o La Vanguardia, durante a reconstituição do crime na propriedade de Rodalquilar e no apartamento de La Puebla de Vícar, onde morava com o pai do Gabriel.

Porém, foi ao sair deste mesmo apartamento, quando confrontada com uma multidão enfurecida que a tentou agredir, que Ana Julia se desmoronou. Na terça-feira de manhã, após uma longa conversa com a advogada, tomou a decisão de colaborar com a investigação.

Segundo o mesmo diário espanhol, a mulher de nacionalidade dominicana explicou aos investigadores que naquela tarde de 27 de fevereiro saiu de casa da avó Puri Carmen, em Las Hortichuelas, pouco depois de Gabriel e que o menino quis ir com ela à casa de Rodalquilar, propriedade da família de Ángel, pai da criança, e para onde planeavam mudar-se no futuro.

Gabriel ter-se-á chateado quando lá chegaram, de carro, e começaram a discutir. De acordo com as declarações de Ana Julia, Gabriel pegou num machado e tentou agredi-la, tendo ela tentado a sua defesa.

Descreveu, depois, como lhe tirou o machado das mãos e lhe deu um golpe na cabeça com a “parte romba”. Diz que foi um golpe forte mas sem intenção. Porém, Gabriel ficou gravemente ferido. Nesta altura, Ana Julia tapou-lhe a boca e o nariz com as mãos até deixar de respirar.

O menino de oito anos, conforme já foi corroborado pelos médicos legistas, morreu por asfixia. Apresentava ainda sinais de ter sido agarrado pelos pulsos mas nenhum sinal de defesa.

A mulher reitera que a morte não foi planeada e que decidiu no local como se desfazer do corpo, tendo cavado um buraco junto a uma cisterna da casa. Tirou-lhe a roupa e enterrou-o. A roupa colocou-a, depois, num contentor do lixo a cerca de 30 quilómetros dali.

Toda esta investigação está a ser levada a cabo pela unidade operacional (Unidad Central Operativa, UCO) da Guardia Civil, que também foi responsável pelo caso de Diana Quer e a consequente confissão do seu homicida. Estes não acreditam na totalidade da confissão de Ana Julia, conforme escreve o El País.

De acordo com o mesmo diário espanhol, este testemunho pode transformar um suposto caso de homicídio num caso de agressão que resulta em homicídio, o que poderá evitar a prisão perpétua sujeita a revisão, figura penal criada em 2015 e que é neste momento a pena máxima do Código Penal espanhol.O homicídio de uma vítima menor de 16 anos é um dos pressupostos para impor esta pena.

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