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Chanceler alemã disponível para contribuir para paz em Moçambique

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje em Berlim, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que a Alemanha está disponível para apoiar o restabelecimento da paz em Moçambique.

Chanceler alemã disponível para contribuir para paz em Moçambique
Notícias ao Minuto

20:57 - 19/04/16 por Lusa

Mundo Merkel

"Vamos ver que canais podem ser aproveitados para melhorar as possibilidades de diálogo e claro que isso tem de ser levado a cabo pelos representantes do Governo e da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana]", afirmou Merkel, após um encontro com o chefe de Estado moçambicano, que iniciou hoje uma visita oficial de dois dias à Alemanha.

A chanceler alemã considerou ser "muito importante" que o Presidente moçambicano se mostre pronto para o diálogo, assegurando que os governos de Berlim e Maputo vão prosseguir os contactos, envolvendo também a União Europeia.

"Vamos continuar em contacto e intensificá-lo, também ao nível europeu, e ver onde é que a Europa pode dar o seu contributo", declarou Angela Merkel, ao lado de Filipe Nyusi, que tem previstas reuniões em Bruxelas com os titulares das principais instituições europeias na quinta-feira.

Moçambique vive um período de instabilidade política e militar, marcada pela exigência da Renamo em governar nas províncias onde reclama vitória nas últimas eleições, que considerou fraudulentas.

Os últimos meses foram marcados por um agravamento da crise, com registo de confrontos entre Forças de Defesa e Renamo, denúncias mútuas de raptos, assassínios e ações de intimidação, e emboscadas nas principais estradas do centro do país, atribuídas pelas autoridades ao braço armado da oposição.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, encontra-se algures na serra da Gorongosa, um bastião do seu partido, e condiciona a retoma do diálogo à mediação da União Europeia, África do Sul e Igreja Católica.

Após o encontro hoje em Berlim com a chanceler alemã, o Presidente moçambicano reafirmou a sua disponibilidade para o diálogo com a Renamo, estabelecendo uma relação entre o investimento no seu país e a estabilidade.

"Os investidores são exigentes e uma das coisas que exigem em primeiro plano é a paz, a tranquilidade e a segurança para ver se os seus investimentos são sustentáveis e duradouros", declarou Filipe Nyusi, acrescentando, que, "com a paz tudo pode acontecer".

Elencando como setores prioritários a agricultura, turismo, infraestruturas e energia, o chefe de Estado moçambicano afirmou que não pretende "dar o espaço de um centímetro de desordem e insegurança para que os investimentos possam fluir".

Nyusi observou "Moçambique é um pais que tem muito por explorar" e destacou também o potencial das relações com a Alemanha, que "tem muito conhecimento, muita tecnologia e ciência".

O setor agrícola foi destacado igualmente por Angela Merkel como uma área em que a Alemanha pode aumentar a sua cooperação, referindo-se também ao setor privado.

"As empresas alemãs estão interessadas em projetos de longa duração em Moçambique e num aproveitamento dos recursos naturais com base nos bons critérios de exploração dessas matérias", assinalou a chanceler alemã.

Além da crise política e militar, a economia moçambicana está a ser abalada por uma forte desvalorização do metical, subida da inflação e diminuição das exportações, acompanhada pela redução da ajuda externa e do investimento estrangeiro.

Apesar de ser um dos principais parceiros internacionais na cooperação com Moçambique, em 2015, o número de projetos aprovados de investimento alemão em território moçambicano foram pouco expressivos.

No ano passado, a Alemanha saiu do grupo de países doadores do Orçamento do Estado moçambicano, canalizando o seu apoio de forma bilateral para outros setores, num volume estimado em 60 milhões de euros anuais.

Em novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeir, visitou Maputo e lamentou que, apesar de África ser uma prioridade para o seu país, não haja mais ações concretas, prometendo que ia trabalhar para melhorar a imagem do continente e valorizar "uma relação de igual para igual".

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