"A Organização de Cooperação Islâmica anuncia o regresso da Síria, na sequência da decisão dos ministros dos Negócios Estrangeiros de retomar a sua adesão à organização", declarou a OCI na sua conta oficial X, no início de uma reunião extraordinária a nível de ministros dos Negócios Estrangeiros realizada na cidade saudita de Jeddah.
Por seu lado, o ministro interino dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al Shaibani, congratulou-se com a decisão no seu discurso, que surge depois de as novas autoridades de Damasco terem participado na primeira reunião extraordinária da Liga Árabe, a 04 de março, na Nova Capital Administrativa do Egito.
As novas autoridades sírias, que depuseram Al-Assad a 08 de dezembro, têm-se concentrado desde então em trazer a Síria de volta à cena internacional, da qual foi afastada durante os últimos 13 anos de governo do líder deposto, agora exilado em Moscovo.
As organizações árabes e islâmicas, bem como os seus países, repudiaram o regime de Assad pela sua violenta repressão dos protestos antigovernamentais que, em 2011, desencadearam a guerra na Síria, bem como pelo papel do país como produtor de drogas e rota de fornecimento de armas.
O Presidente interino da Síria, Ahmed al-Charaa, considerou prioritário o regresso do país árabe às instituições internacionais e o levantamento das sanções que lhe foram impostas, a fim de permitir uma rápida recuperação económica e facilitar a reconstrução da nação devastada pela guerra.
Os países membros da OCI reuniram-se hoje na Arábia Saudita para discutir o plano árabe para a reconstrução de Gaza, adotado em resposta à proposta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controlo do território palestiniano.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 57 países reuniram-se na sede da organização, em Jeddah, para apoiar o plano, que foi aprovado pelos líderes árabes numa cimeira no Cairo, na terça-feira.
Elaborado pelo Egito, o plano prevê a reconstrução da Faixa de Gaza, destruída por 15 meses de guerra entre Israel e o Hamas, sem deslocar os seus 2,4 milhões de habitantes, ao contrário do que sugeriu Trump.
Na abertura dos debates, o secretário-geral da OCI, Hissein Brahim Taha, afirmou o seu apoio ao plano de reconstrução da Faixa de Gaza, adotado pela cimeira árabe, ao mesmo tempo que "reafirmou o direito do povo palestiniano a permanecer na sua terra", segundo um comunicado oficial.
Trump tinha provocado um protesto internacional ao propor a transferência dos palestinianos de Gaza para o Egito e a Jordânia, para transformar o território na "Riviera do Médio Oriente".
O plano alternativo adotado pelos líderes árabes afasta efetivamente o Hamas e prevê o regresso da Autoridade Palestiniana, expulsa do território em 2007 pelo movimento islamita palestiniano.
Mas foi rejeitado por Israel e criticado pelos Estados Unidos, que disseram na quinta-feira que era um "primeiro passo", mas que não "correspondia às expectativas (de Trump)".
O chefe da diplomacia egípcia, Badr Abdelatty, disse na terça-feira que o seu país iria tentar que o seu plano fosse adotado pela OIC, para que "se torne um plano árabe e islâmico".
"O Egito precisa de um amplo apoio", disse Rabha Seif Allam, do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos do al-Ahram, no Cairo, com o objetivo de construir uma 'ampla coligação que rejeite a deslocação dos palestinianos de Gaza'.
Os países árabes concordaram em criar um fundo para financiar a reconstrução de Gaza e apelaram a uma contribuição internacional para acelerar o processo.
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