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Eminem ordena que candidato republicano deixe de cantar 'Lose Yourself'

Vivek Ramaswamy é o oposto político de, praticamente, tudo o que o famoso 'rapper' defende, mas isso não impediu o multimilionário de tentar atuar o tema em comícios.

Notícias ao Minuto

13:19 - 29/08/23 por Notícias ao Minuto

Mundo Eleições EUA

O candidato republicano Vivek Ramaswamy foi formalmente avisado pelo 'rapper' Eminem para parar de interpretar o seu tema 'Lose Yourself', de 2002, em comícios, depois do empresário ter sido filmado a interpretar efusivamente a música na sua campanha eleitoral, nos Estados Unidos.

Os vídeos começaram a surgir a meio de agosto, quando Ramaswamy estava a fazer campanha numa feira popular no estado do Iowa, um dos principais estados no início da campanha eleitoral nas primárias do Partido Republicano.

Num comunicado emitido na segunda-feira, avançado pelo site Variety, a produtora discográfica BMI afirmou que enviou uma notificação à equipa legal de Vivek Ramaswamy, ordenando contra o uso do tema e de qualquer outra composição criada por Eminem.

"A BMI irá considerar qualquer interpretação dos trabalhos de Eminem pela campanha Vivek 2024, a partir desta data, como uma quebra do acordo no qual a BMI garante todos os direitos e garantias dos materiais", explicou a empresa.

A campanha já reagiu, lamentando que "para desgosto do povo americano, [o candidato] deixará o rap para o verdadeiro 'slim shady'", numa referência a outro popular tema de Eminem, do ano 2000.

Numa entrevista ao New York Times, em agosto deste ano, Vivek Ramaswamy admitiu ser um grande fã do 'rapper' norte-americano, contando que revê-se nas palavras e letras de Eminem, apesar de "não crescer nas mesmas circunstâncias". "A ideia de um 'underdog' [uma palavra em inglês que descreve alguém que luta contra circunstâncias menos favoráveis], das pessoas terem baixas expetativas sobre ti, essa parte apela-me", disse o empresário.

A verdade é que Eminem e Vivek Ramaswamy têm muito pouco em comum, tanto nas suas origens como a nível político. O artista sempre se mostrou pelos mais desfavorecidos, lutando por causas progressistas, pela igualdade, contra o conservadorismo radical que prima no Partido Republicano, e abordando o seu crescimento e educação num ambiente difícil e pobre - que é, aliás, o assunto que fala no tema 'Lose Yourself'.

Já Ramaswamy é considerado um representante simbólico da elite norte-americano, como um multimilionário, que já fundou e liderou vários fundos de investimento. Sem surpresas (no que diz respeito a republicanos com uma grande conta bancária), o candidato identifica-se com uma ideologia fortemente neoliberal, corporativista, e diz-se contra aquilo que considera ser "ideologias" promovidas pelos Estados Unidos, atacando as respostas à Covid-19, a defesa de identidades de género ou a luta pelas alterações climáticas, e prometendo acabar com vários ramos do governo e iniciativas que protejam o ambiente e que combatam desigualdades sociais.

Vivek Ramaswamy tem crescido muito graças à sua presença nas redes sociais, especialmente no Twitter (agora X). O empresário elogia muito a liderança de Elon Musk, sendo mesmo um fã da gestão algo caótica e individualista do também bilionário e apontando que irá governar os Estados Unidos como Musk lidera o Twitter. Os elogios já lhe valeram o reconhecimento de Musk, que o considerou "muito promissor".

Nas últimas sondagens, Ramaswamy tem-se afirmado como a terceira opção para uma grande fatia dos eleitores republicanos, atrás de Donald Trump e DeSantis que, para já, segura o segundo lugar. Vivek Ramaswamy esteve no primeiro debate entre candidatos republicanos, onde foi um alvo da maioria dos restantes candidatos, nomeadamente da antiga embaixadora Nikki Haley ou do antigo governador da Nova Jérsia, Chris Christie (que o acusou de ser "um gajo que soa como o ChatGPT").

Esta não é a primeira vez que um artista se insurge contra o uso de temas seus por candidatos republicanos. Aliás, os comícios de Donald Trump são constantemente alvos de avisos legais da parte de cantores e bandas, nomeadamente de Adele, Neil Young, Phil Collins, os Rolling Stones e muitos outros, que se opõem às políticas nacionalistas do antigo presidente e que recusam que os seus temas passem nos eventos.

Leia Também: Candidato republicano duvida da "verdade sobre o 11 de Setembro"

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