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EUA anunciam sanções à "polícia de moralidade" iraniana

O Governo dos Estados Unidos anunciou hoje sanções económicas dirigidas à "polícia de moralidade" iraniana e a diversos responsáveis da segurança por "violência contra os manifestantes" em protestos pela morte de uma jovem detida.

EUA anunciam sanções à "polícia de moralidade" iraniana
Notícias ao Minuto

17:08 - 22/09/22 por Lusa

Mundo Irão

"Estas sanções são dirigidas "à polícia de moralidade do Irão e a altos responsáveis por esta opressão", e "demonstram o claro compromisso da administração Biden-Harris na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres, no Irão e no mundo", declarou em comunicado Janet Yellen, secretária do Tesouro (Finanças) norte-americana.

Ainda em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, considerou que o Governo de Teerão "deve por termo à sua perseguição sistemática de mulheres e permitir os protestos pacíficos".

A jovem Mahsa Amini, de 22 anos, foi detida na terça-feira passada pela designada "Polícia de moralidade" de Teerão, onde se encontrava de visita, por alegadamente trazer o véu de forma incorreta e transferida para uma esquadra com o objetivo de assistir a "uma hora de reeducação".

Morreu três dias mais tarde num hospital onde chegou em coma após sofrer um ataque cardíaco, que as autoridades atribuíram a problemas de saúde, versão rejeitada pela família.

Desde então multiplicaram-se os protestos em pelo menos 20 cidades, com a morte de pelo menos 17 pessoas, segundo anunciou hoje a televisão estatal iraniana.

"Foram mortas 17 pessoas, entre elas manifestantes e polícias, nos incidentes dos últimos dias", afirmou a televisão IRBI, ao referir tratar-se de uma contagem e que não constituem dados oficiais.

A Iran Human Rights (IHR), uma organização não governamental (ONG) sediada em Oslo referiu-se a um balanço mais elevado, ao referir-se a pelo menos 31 civis mortos no Irão desde o início das manifestações.

"O povo iraniano desceu às ruas para se bater pelos direitos fundamentais e a sua dignidade humana (...) e o Governo respondeu a estas manifestações pacíficas com balas", denunciou em comunicado o diretor da ONG, Mahmood Amiry Moghaddam, ao emitir um balanço após seis dias de protestos.

Em paralelo, a poderosa Guarda Revolucionária do Irão definiu ainda hoje como "sedição" os protestos por Masha Amini e pediu ao poder judicial que proceda ao julgamento "de quem dissemina rumores e mentiras" nas redes sociais e nas ruas.

O corpo militar referia-se aos recentes atos de "sedição" que foram "organizados pelo inimigo", num duro comunicado onde também envia condolências à família da falecida.

"Pedimos ao judiciário que identifique os que disseminam rumores e mentiras nas redes sociais e nas ruas e atue decididamente contra eles", acrescentou esta divisão de elite das Forças armadas iranianas.

Na noite de quarta-feira o Governo iraniano bloqueou a internet quase totalmente e condicionou as aplicações WhatsApp e Instagram, numa aparente tentativa de controlar os protestos.

Leia Também: Guarda Revolucionária iraniana qualifica protestos como "sedição"

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