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Meio século de primeiros-ministros britânicos indigitados sem eleições

Os militantes do Partido Conservador do Reino Unido vão decidir entre Liz Truss ou Rishi Sunak quem será o próximo líder dos 'tories' e do Governo após a demissão de Boris Johnson, sem recurso a eleições legislativas. 

Meio século de primeiros-ministros britânicos indigitados sem eleições

O vencedor da eleição interna para a liderança dos 'tories' (conservadores) será conhecido na segunda-feira e indigitado automaticamente chefe de Governo pela rainha Isabel II, porque os conservadores tem a maioria no parlamento britânico.

A situação está dentro das regras e foi usada tanto pelos conservadores como pelos trabalhistas britânicos (atualmente na oposição), como mostram os precedentes dos últimos 50 anos.

Harold Wilson (1974-1976)

Em fevereiro de 1974, o líder do Partido Trabalhista, Harold Wilson, tornou-se primeiro-ministro pela segunda vez, sucedendo a Edward Heath, mas com um governo minoritário. Umas eleições antecipadas em outubro obtiveram uma maioria de três assentos apenas. Demitiu-se inesperadamente dois anos mais tarde.

James Callaghan (1976-1979) 

Após ter sido escolhido como líder do Partido Trabalhista, o então ministro dos Negócios Estrangeiros James Callaghan entrou em funções em abril de 1976. Criticado por tentar minimizar o descontentamento social e as dificuldades económicas dos anos 1970, foi derrotado pelos conservadores nas eleições legislativas de 1979.

Margaret Thatcher (1979-1990) 

Margaret Thatcher tornou-se um ídolo dos conservadores por ter dominado os sindicatos para implementar políticas liberais, vencido a Guerra das Malvinas em 1982 e triunfado em três eleições legislativas.

A personalidade intransigente valeu-lhe o apelido de "Dama de Ferro". Mas a oposição pública a um novo imposto e diferenças ideológicas no Governo e no partido sobre a Europa derrubaram a primeira mulher a liderar um governo britânico. Demitiu-se em 1990.

John Major (1990-1997)

O ministro das Finanças de Thatcher substituiu-a e obteve inesperadamente um quarto triunfo sucessivo para os 'tories' dois anos mais tarde. Mas o mandato de John Major foi ensombrado por uma série de escândalos, dúvidas sobre a gestão da economia e uma oposição crescente a uma maior integração europeia.

Tony Blair (1997-2007) 

Tony Blair aproveitou o declínio da popularidade dos conservadores para conseguir uma vitória esmagadora nas legislativas de 1997. É considerado como o primeiro-ministro trabalhista mais bem-sucedido, tendo ganho mais duas vezes as eleições, em 2001 e 2005, e afirmou-se na cena internacional. Mas a inicial onda de otimismo foi manchada pela guerra no Iraque. Demitiu-se a meio do terceiro mandato.

Gordon Brown (2007-2010) 

O ministro das Finanças de Tony Blair, Gordon Brown, ganhou o apoio quase unânime dos membros do partido e tornou-se primeiro-ministro. Mas a crise financeira de 2008 e o estilo desajeitado encurtaram o tempo no poder, perdendo as eleições de 2010.

David Cameron (2010-2016) 

David Cameron liderou inicialmente um Governo de coligação com o pequeno partido Liberal Democrata após as eleições de 2010, até ganhar uma maioria absoluta com o partido Conservador em 2015. Tentou calar os eurocéticos com um referendo e fez campanha para permanecer na União Europeia (UE). Mas a aposta falhou e ele demitiu-se após a vitória do 'Brexit' (como ficou conhecido o processo da saída do Reino Unido da UE) em 2016.

Theresa May (2016-2019) 

A então ministra do Interior Theresa May foi rapidamente nomeada, mas as divisões ferozes em torno do 'Brexit' deixaram-na vulnerável. Perdeu a maioria absoluta nas eleições em 2017 e foi forçada a demitir-se dois anos mais tarde após várias tentativas falhadas para fazer aprovar um acordo sobre a saída do Reino Unido da UE.

Boris Johnson (2019-2022) 

Boris Johnson, protagonista da campanha pelo 'Brexit', substituiu Theresa May e reforçou a legitimidade com uma vitória esmagadora nas eleições legislativas de dezembro de 2019.

Conseguiu implementar o 'Brexit', mas o mandato foi marcado por uma série de escândalos que acabaram por levar à demissão de vários ministros. Finalmente demitiu-se em julho de 2022. 

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