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Republicanos defendem Trump e acusam FBI de parcialidade política

Conservadores saíram em defesa do antigo presidente, envolvido em múltiplos escândalos e suspeitas de fraude eleitoral e, também, de envolvimento no ataque ao Capitólio.

Republicanos defendem Trump e acusam FBI de parcialidade política

A liderança do Partido Republicano uniu-se na segunda-feira para defender o antigo presidente norte-americano Donald Trump, cuja casa na Flórida foi alvo de buscas por parte do FBI por causa de documentos secretos que Trump terá alegadamente levado consigo.

Pouco depois das notícias sobre as buscas, na segunda-feira à noite, o líder da minoria republicana na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, teceu duras críticas ao Departamento de Justiça norte-americano, acusando-o de estar "num estado intolerável de politização armada".

"Procurador-geral Garland, guarde os seus documentos e desocupe a agenda", avisou num comunicado citado pela NBC, antecipando que os republicanos poderão pedir a presença de Merrick Garland para dar explicações no Congresso.

A maioria da liderança conservadora acusou, tanto o ramo judicial como a judiciária FBI, por considerar que a investigação ao antigo presidente é motivada por intenções políticas. A verdade é que Trump está no centro de vários escândalos e investigações, especialmente pelo seu papel nas eleições de 2020 e no ataque ao Capitólio.

Ron DeSantis, governador da Flórida e um dos nomes apontados para suceder a Trump como candidato presidencial pelos republicanos, disse no Twitter que as buscas eram "outra escalada" por parte da administração de Joe Biden contra os seus adversários políticos.

O senador Lindsey Graham, um dos maiores aliados do antigo líder conservador, fez questão de mencionar as eleições intercalares (ou 'Midterms'), referindo que as buscas surgem a poucos meses das mesmas.

"Estamos a 100 meses das eleições. O presidente Trump vai provavelmente candidatar-se em 2024. Ninguém está a acima da lei. A lei está acima da política. No entanto, lançar uma investigação como esta a um antigo presidente, a pouco tempo das eleições, é para além de problemático", escreveu no Twitter o senador da Carolina do Sul.

A investigação da comissão de inquérito da Câmara das Representantes tem relevado detalhes sombrios sobre a influência do antigo presidente nas eleições presidenciais de novembro de 2020, que terá tentado até ao último momento reverter o resultado do sufrágio, propondo até a criação de votos alternativos. Quanto ao ataque ao edifício do Capitólio, em janeiro de 2021, Trump incentivou a multidão de apoiantes a marchar contra o Congresso e a impedir a certificação das eleições, e vários dos seus conselheiros mais próximos acusaram-no de nada dizer durante horas para acalmar a situação.

Segundo vários órgãos de comunicação social norte-americanos, como a NBC, a CNN e o Washington Post, a investigação do FBI deve-se, contudo, ao presidente norte-americano ter alegadamente levado consigo documentos altamente secretos consigo, quando saiu da Casa Branca a 20 de janeiro de 2021 (antes da tomada de posse de Joe Biden).

A Casa Branca garante que não teve conhecimento das buscas até ler sobre as mesmas nas notícias, e remeteu mais informações para o Departamento de Justiça, que é uma entidade independente da administração. Do presidente Joe Biden, ainda não há resposta.

Já o próprio Trump confirmou a existência das buscas. Num comunicado na sua rede social, Truth Social, Donald Trump disse que a sua casa e resort de férias de Mar-a-Lago estava "sob cerco, ocupada por um grande grupo de agentes do FBI".

Vários outros republicanos queixaram-se da investigação, mas o comentário de uma congressista em particular foi tratada com ironia pelas redes sociais. Marjorie Taylor Greene, uma das maiores aliadas ideológicas do antigo presidente - conhecida por ser uma fervorosa apoiante de várias teorias da conspiração e por defender que Trump venceu as eleições - escreveu no Twitter que as autoridades deviam retirar fundos ao FBI.

"Desinvistam no FBI!", disse, pegando na popular frase 'Defund The Police', um slogan usado por democratas e progressistas para apontar para o excessivo financiamento na política norte-americana, a um nível quase militar, em vez de o dinheiro ser encaminhado para outras áreas de apoio à justiça e ao policiamento. Utilizadores no Twitter apontaram para a ironia da expressão de Taylor Greene, visto a congressista opor-se àqueles que pedem desinvestimento na polícia e ela própria pedir uma maior presença armada nas ruas.

Em outra nota curiosa, as buscas à casa de Donald Trump surgiram à volta do aniversário da demissão de Richard Nixon, que se demitiu a 9 de agosto de 1974, quando a investigação ao escândalo do Watergate estava prestes a resultar na abertura de um processo de exoneração ao então presidente dos Estados Unidos.

Leia Também: FBI está a fazer buscas na propriedade de Donald Trump em Mar-a-Largo

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