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António Guterres diz que "mentira da supremacia racial" está viva

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, assinalou hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura ao relembrar figuras da resistência negra e afirmou que a "mentira cruel da supremacia racial" permanece viva.

António Guterres diz que "mentira da supremacia racial" está viva

Em comunicado, Guterres relembrou que por detrás de histórias de sofrimento e dor incontáveis, e de histórias de famílias e comunidades despedaçadas, há também histórias inspiradoras de coragem contra a crueldade dos opressores, tendo destacado figuras como Zumbi dos Palmares no Brasil, ou a rainha Ana Nzinga do Reino de Ndgongo, na atual Angola.

"Precisamos de contar essas histórias de resistência justa, de Zumbi dos Palmares no Brasil, à rainha Babá dos Quilombolas na Jamaica, à rainha Ana Nzinga do Reino de Ndgongo, na atual Angola, ou Toussaint Louverture de Saint-Domingue no atual Haiti", disse o secretário-geral da ONU.

Em causa está o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos, que se assinalou no passado dia 25, e que Guterres aproveitou para abordar o racismo na atualidade.

"Para racionalizar a desumanidade do comércio de escravos, os africanos eram retratados como menos do que humanos. Tropas racistas circularam amplamente, legitimados pela pseudociência e consagrados na lei. Mais de 200 anos desde o fim do comércio transatlântico de escravos, a mentira cruel da supremacia racial permanece viva hoje", avaliou o secretário-geral.

De acordo com Guterres, o racismo encontrou uma nova amplificação nas "câmaras de eco 'online' de ódio".

"O comércio transatlântico de escravos marcou uma rutura brutal na história africana e tem frustrado o desenvolvimento do continente por séculos. (...) Devemos reverter as consequências de gerações de exploração, exclusão e discriminação, incluindo as suas óbvias dimensões sociais e económicas através de marcos de justiça reparador", avaliou.

"Reconhecer erros do passado, derrubar estátuas de traficantes de escravos e buscar perdão não pode desfazer os crimes. No entanto, às vezes, eles podem ajudar a libertar o presente -- e o futuro -- das algemas do passado", acrescentou o secretário-geral da ONU, citado no comunicado.

António Guterres aproveitou ainda para reforçar que fora do continente africano, pessoas de ascendência africana estão entre as últimas a beneficiar de cuidados de saúde, educação, justiça e qualquer outra oportunidade.

"A diáspora africana enriqueceu sociedades ao redor do mundo. E ainda assim, ainda enfrenta marginalização, exclusão e viés inconsciente, a sua vida ainda obscurecida pela sombra persistente da escravidão", frisou o português, apelando à união contra o racismo.

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