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Etiópia: Governo rejeita avisos da ONU sobre perigo de fome em Tigray

A Etiópia rejeitou hoje os avisos sobre o perigo de fome na região norte de Tigray, onde o Governo federal mantém uma ofensiva armada desde o início de novembro, mas admitiu a existência de "pouco mais de mil casos de violência sexual".

Etiópia: Governo rejeita avisos da ONU sobre perigo de fome em Tigray
Notícias ao Minuto

00:10 - 10/06/21 por Lusa

Mundo Tigray

"O número agregado de casos de violência sexual relatados em centros médicos na região entre os últimos seis e sete meses atingiu pouco mais de mil", afirmou a ministra da Saúde etíope, Lyia Tadese, numa conferência de imprensa hoje realizada, citada pela agência noticiosa Efe.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, admitiu, no final de março, que "atrocidades e atos de violência sexual" tinham sido cometidas no conflito em Tigray, dizendo então que o seu Governo iria levar os perpetradores à justiça.

Até ao momento, três soldados do Exército etíope foram condenados por violação e um pelo assassinato de um civil na região norte, enquanto outros 28 aguardam julgamento por serem "suspeitos de matar civis em situações em que não havia necessidade militar" e outros 25 por "atos de violência sexual e violação".

Por outro lado, o comissário Nacional para Desastres no país, Mitiku Kassa, negou, na mesma conferência de imprensa, a existência de um risco de fome na região, como advertiram as Nações Unidas na semana passada.

Segundo o secretário-geral adjunto das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência, Mark Lowcock, milhares de pessoas estão "em condições de fome" devido à violência e à destruição das infraestruturas económicas e agrícolas em toda a região.

No entanto, o comissário etíope afirmou hoje que "nenhum dos critérios necessários para declarar a fome" foi cumprido em Tigray.

Em 01 de junho, o Programa Alimentar Mundial da ONU advertiu que um total de 5,2 milhões de pessoas, mais de 90% da população de Tigray, necessita de assistência alimentar de forma urgente devido ao conflito.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz em 2019, lançou uma intervenção militar em 04 de novembro para derrubar a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), o partido eleito e no poder no estado, e declarou a vitória em 28 de novembro, ainda que os combates continuem.

O Exército federal etíope foi apoiado por forças da Eritreia. Depois de vários dias, Abiy Ahmed declarou vitória em 28 de novembro, com a captura da capital regional, Mekele, frente à TPLF que, até à chegada de Abiy Ahmed, controlou a Etiópia durante quase 30 anos.

No entanto os combates continuaram e as forças eritreias são acusadas de conduzirem vários massacres e crimes sexuais.

O conflito obrigou cerca de 60.000 pessoas a fugir para o Sudão, um país que está em crise económica e em transição política desde a queda do autocrata Omar al-Bashir, há cerca de dois anos.

Leia Também: ONU alerta para fome iminente no Tigray e norte da Etiópia

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