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EUA não doam vacinas à Venezuela. "São uns miseráveis, odeiam-nos"

O Presidente da Venezuela condenou a decisão dos Estados Unidos de excluir o país da listagem de países da região para os quais Washington vai doar vacinas contra a Covid-19.

EUA não doam vacinas à Venezuela. "São uns miseráveis, odeiam-nos"
Notícias ao Minuto

07:47 - 04/06/21 por Lusa

Mundo Covid-19

"São uns miseráveis, odeiam-nos, mas a Venezuela vai ter as suas vacinas", disse Nicolás Maduro, na quinta-feira.

Maduro afirmou que os EUA mantêm "uma perseguição horrível e miserável" contra a Venezuela, "para que as vacinas não cheguem" ao país.

"O Governo de [Presidente norte-americano] Joe Biden vai doar vacinas aos povos do mundo, mas não à Venezuela (...) têm sentimentos baixos e miseráveis contra o país, porque somos rebeldes e somos bolivarianos e assim continuaremos", disse.

Na quinta-feira, Biden anunciou que os EUA vão doar 80 milhões de vacinas, dois terços das quais para serem distribuídas a países da América Latina e das Caraíbas, através do Fundo de Acesso Global para Vacinas Covid-19 (Covax).

"Partilhamos essas doses, não para obter favores ou concessões. Partilhamos essas vacinas para salvar vidas", de acordo com um comunicado divulgado pela Casa Branca.

No mesmo dia, o embaixador dos EUA na Venezuela, James Story, anunciou que Caracas ia ser excluída da listagem de países que receberam as vacinas doadas, devido "à falta de transparência" do Governo de Maduro sobre a vacinação local.

"Isso não quer dizer que jamais ou nunca teremos vacinas para a Venezuela. Apenas que nesta primeira ronda a Venezuela não entra nesta lista porque falta transparência na entrega das vacinas para as pessoas que necessitam", afirmou, num vídeo divulgado 'online'.

O representante diplomático sublinhou que "é preciso ter um sistema transparente de aplicação da vacina", que "não deve depender do Cartão da Pátria [associado ao Partido Socialista Unido da Venezuela, no poder], nem de ser amigo de um 'conectado' ou que trabalhe com o regime".

"Não devia depender de uma posição política, mas sim da necessidade que cada pessoa tem", afirmou.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em quarentena preventiva e atualmente segue um sistema de sete dias de flexibilização seguidos de sete dias de confinamento rigoroso.

À imprensa local, a Venezuela deu conta da chegada, até agora, de pelo menos dois milhões de vacinas da chinesa Sinopharm e da russa Sputnik V.

De acordo com a Federação Médica Venezuelana, são necessárias 40 milhões de doses de vacinas.

Entretanto, Caracas anunciou ter adquirido mais de 11 milhões de vacinas contra a Covid-19, através da plataforma Covax.

O país contabilizou 2.689 mortes e 238.013 casos da doença, desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

A organização não-governamental Médicos Unidos da Venezuela indicou que já morreram 602 profissionais da saúde no país.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 3.693.717 mortos no mundo, resultantes de mais de 171,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.029 pessoas dos 851.031 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Leia Também: Covid-19: EUA doam 80 milhões de doses de vacinas, 75% para a Covax

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