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AI denuncia que Huthis querem submeter modelo a "teste de virgindade"

Entisar al-Hammadi, uma modelo iemenita detida por colocar em causa as "normas sociais", corre o risco de ser submetida a um "teste de virgindade", denunciou hoje a Amnistia Internacional (AI), apelando à sua libertação imediata.

AI denuncia que Huthis querem submeter modelo a "teste de virgindade"
Notícias ao Minuto

19:17 - 07/05/21 por Lusa

Mundo Iémen

A jovem de 19 anos foi detida no dia 20 de fevereiro na capital Sanaã, controlada pelos ultraconservadores rebeldes Huthis.

De acordo com a AI, Entisar al-Hammadi, filha de mãe etíope e de um pai iemenita, foi "interrogada com os olhos vendados, abusada física e verbalmente e sofreu insultos racistas".

Além disso, foi também "forçada a admitir vários crimes", incluindo "posse de droga" e "prostituição", segundo aquela organização não-governamental (ONG).

Ainda de acordo com a Amnistia, o seu advogado foi informado na terça-feira por um membro da procuradoria do projeto dos Huthis que ela seria "submetida a um teste de virgindade nos próximos idas".

"Ela está a ser punida por desafiar as normais sociais da sociedade iemenita profundamente patriarcal que reforçam a discriminação contra as mulheres", disse Lynn Maalouf, vice-diretora da AI para o Médio Oriente e Norte de África.

A ONG sublinhou que os "testes de virgindade forçados são uma forma de violência sexual e são equiparados a tortura, de acordo com o Direito Internacional".

Entisar al-Hammadi tem milhares de seguidores nas redes sociais Facebook e Instagram, onde publicou fotografias posando para designers locais, às vezes sem véu, algo que é reprovado pelos Huthis, que não reagiram publicamente a este caso.

Apoiado pelo Irão, o movimento islâmico conquistou a maior parte do norte do Iémen numa guerra devastadora travada desde 2014 contra o governo reconhecido pela comunidade internacional.

"Em 21 de abril, [Hammadi] foi apresentada ao Ministério Público para um interrogatório na presença do seu advogado por acusações como 'uso de droga' e 'prostituição', algo que negam veementemente", segundo a AI.

O advogado disse que viu Hammadi ser esbofeteada pelo responsável da prisão, de acordo com a ONG.

A procuradoria impediu também que o advogado acedesse ao dossiê, tendo sido ainda ameaçado por um homem armado, segundo a AI.

Os Huthis, segundo a ONG, "têm um histórico deplorável de detenções arbitrárias sob acusações infundadas" e querem "silenciar e punir opositores, jornalistas e membros de minorias religiosas".

A guerra no Iémen começou em meados de 2014 depois dos rebeldes xiitas Huthis, apoiados pelo Irão, terem pegado em armas contra o governo reconhecido internacionalmente do Presidente Abd Rabbo Mansur Hadi e tomado a capital, Sanaa.

O conflito agravou-se em 2015 quando se iniciou a intervenção militar da coligação árabe, liderada pela Arábia Saudita, em apoio de Hadi.

Os seis anos de guerra causaram cerca de 130.000 mortos, segundo a organização Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Casos, e milhares de deslocados, além da maior crise humanitária do mundo, de acordo com a ONU.

Leia Também: Mina terrestre mata três crianças em cidade portuária no Iémen

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