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Pelo menos um morto em protestos contra massacres de civis na RDCongo

Pelo menos uma pessoa morreu hoje numa das três cidades no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) que foram palco de protestos contra os repetidos massacres de civis e que paralisaram as atividades no país, segundo fontes locais.

Pelo menos um morto em protestos contra massacres de civis na RDCongo
Notícias ao Minuto

20:02 - 19/03/21 por Lusa

Mundo Congo

A organização local "Veranda Mutchanga" apelou para uma paralisação nas cidades de Beni, Butembo e Oicha, na província oriental de Kivu do Norte, em protesto contra os massacres causados pelos grupos armados ativos na área, segundo testemunhos recolhidos pela agência France-Presse.

Em Beni, as lojas estavam fechadas, as escolas não abriram, as ruas estavam desertas e a polícia desmantelou barricadas colocadas na via pública por jovens enfurecidos, segundo relatou um correspondente da agência noticiosa.

De acordo com o presidente da câmara de Oicha, Nicolas Kikuku, um manifestante, atingido por uma bala, "sucumbiu aos ferimentos" na cidade.

Segundo testemunhas, o incidente ocorreu quando a polícia tentava desobstruir uma barricada.

Já em Butembo, várias testemunhas afirmaram que a situação está "num impasse".

Nestas três cidades, a polícia foi destacada para as estradas principais e alguns bairros considerados problemáticos.

O apelo para a realização das manifestações surgiu após o massacre de pelo menos 15 pessoas em 15 de março, em Bulongo, território de Beni, por alegados membros das Forças Democráticas Aliadas (ADF, em inglês).

As ADF são originalmente rebeldes muçulmanos ugandeses que estão no leste da RDCongo desde 1995 e que se opõem ao regime de Yoweri Museveni.

As Nações Unidas denunciaram hoje que cerca de 200 pessoas foram mortas este ano e 40.000 ficaram deslocadas dentro do território de Beni.

"Em menos de três meses, o grupo armado das ADF terá efetuado ataques a 25 aldeias, queimado dezenas de casas e raptado mais de 70 pessoas. Estes números somam-se aos 465 congoleses massacrados em ataques atribuídos ao grupo armado FDA em 2020", disse hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Em 11 de março, os Estados Unidos colocaram este grupo armado entre os "grupos terroristas" filiados ao grupo Estado Islâmico.

São acusados de serem responsáveis pela morte de mais de mil civis desde outubro de 2014 na região de Beni (no Kivu Norte) e arredores.

O ACNUR alertou para este "aumento alarmante do número de ataques levados a cabo" pelas FDA no nordeste da RDCongo.

De acordo com aquela agência da ONU, em março os deslocados encontraram abrigo nas cidades de Oicha, Beni e Butembo.

A maioria dos deslocados é composta por mulheres e crianças. Os homens ficam para trás para proteger os seus bens, expondo-se aos riscos de novos ataques.

Os deslocados vivem, segundo o ACNUR, "em condições terríveis", sem abrigo, comida, água ou cuidados de saúde. As famílias também carecem de artigos domésticos básicos, como cobertores, tapetes de dormir e utensílios de cozinha.

Antes desta última deslocação em massa, cerca de 100.000 pessoas deslocadas internamente na RDCongo já necessitavam de proteção e assistência em Beni, mas a falta de financiamento reduziu a capacidade do ACNUR para fornecer assistência humanitária, incluindo abrigo.

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