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Acordo de Paris: Válido na ambição, falhou na implementação

O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável entende que o Acordo de Paris é válido enquanto ambição, mas falhou até agora na implementação de metas concretas, com o secretário-geral da organização a afirmar-se "muito pessimista".

Acordo de Paris: Válido na ambição, falhou na implementação

Cinco anos passados sobre a assinatura por praticamente todos os países do mundo do acordo para limitar a emissão de gases com efeito de estufa, João Wengorovius Meneses, secretário-geral do Conselho (BCSD, na sigla original em inglês), nota que foram cinco anos a bater recordes de emissões de gases com efeito de estufa.

Em entrevista à Agência Lusa a propósito dos cinco anos do Acordo de Paris sobre o clima João Wengorovius Meneses valida o passo dado há cinco anos pela comunidade internacional em termos de ambição, mas lamenta "a dificuldade em sair da ambição" através de metas concretas e mecanismos de verificação dessas metas e de as tornar possíveis.

E lamenta também a falta de mecanismos de monitorização, de fiscalização ou de penalização dos estados que não cumprem, considerando que "é preciso agir na área da reflorestação, nas mudanças de comportamentos, em mudanças na indústria, na ligação entre a biodiversidade e as alterações climáticas, na criação de uma taxa global do carbono". "Não havendo estes mecanismos estamos muito perto de falhar o Acordo de Paris", diz.

João Wengorovius Meneses lamenta ainda que outros acordos tenham falhado, lembra que nenhuma das metas de Aichi se atingiu (acordo de 2010 no Japão que envolveu o mundo inteiro e que estabeleceu metas sobre biodiversidade para 2020) e avisa que os objetivos de desenvolvimento sustentável também parecem ser "só boas intenções", porque o mundo está mais apostado no armamento do que nesta agenda.

E na mesma linha, o Acordo de Paris. Não se reduziram as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, ao contrário continuam a "bater-se recordes", e também não se reduziram as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera.

É certo que, nota, este ano houve uma redução de emissões, mas ela deveu-se à pandemia de covid-19. O responsável, antigo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, diz a propósito que "só se confinam emissões de gases com efeito de estufa sem confinar também a economia com uma grande revolução, uma mudança disruptiva e rápida". "Vejo difícil isso acontecer", diz.

A verdade é que, considera, a humanidade "acordou muito tarde" para o problema do aquecimento global, das alterações climáticas e da perda de biodiversidade. Devia ter "acordado" nos anos 1970.

"Entrámos nesta vertigem nos anos 1970, com desequilíbrios trágicos para o planeta nos últimos 50 anos. Temos agido como ´serial killer´ para o planeta".

Hoje, admite, há mudanças, dos consumidores aos investidores, e há uma melhoria óbvia. Mas é tudo pouco e lento para se conseguirem os objetivos traçados para 2030 e depois para 2050 sem haver uma mudança política de fundo.

João Wengorovius Meneses repete o lamento deixado antes. "O drama é que não há tempo. Devíamos ter acordado na década de 1970".

O BCSD Portugal é uma associação que junta mais de 100 empresas que se comprometem ativamente com a transição para a sustentabilidade. Faz parte da associação mundial (WBCSD), a maior organização internacional a trabalhar na área do desenvolvimento sustentável.

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