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Alegado 'jihadista' em silêncio perante acusações de crimes de guerra

O maliano Al Hassan Ag Abdoul recusou-se hoje a responder se se declara culpado ou inocente perante as acusações de que cometeu crimes de guerra e contra a humanidade no Mali, em 2012 e 2013.

Alegado 'jihadista' em silêncio perante acusações de crimes de guerra
Notícias ao Minuto

16:39 - 14/07/20 por Lusa

Mundo Tribunal Penal Internacional

Na abertura do julgamento no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, Países Baixos, Al Hassan disse que "não podia responder" quando lhe foi perguntado se se declarava inocente perante as acusações destes crimes que terão acontecido durante o período em que desempenhou funções de chefe da polícia islâmica em Tombuctu, no Mali, refere a agência noticiosa Efe.

Minutos antes desta questão, o juiz responsável pela audição, Antoine Kesia-Mbe Mindua, rejeitou um pedido da defesa para a interrupção do processo oral até que houvesse uma avaliação feita ao acusado.

Segundo a advogada de Al Hassan, Nicoletta Montefusco, o seu cliente tem sintomas de perturbação de 'stress' pós-traumático e distúrbios dissociativos e delirantes.

As acusações estão limitadas ao período entre abril de 2012 e janeiro de 2013, quando os grupos 'jihadistas' Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMN) e Ansar Dine tomaram o poder em Tombuctu, no norte do Mali.

De acordo com a acusação, os membros destes grupos "lideraram um ataque generalizado e sistemático contra a população civil de Tombuctu" e Al Hassan assumia então a liderança da polícia islâmica, que patrulhava as ruas para fazer cumprir as regras impostas pelos grupos rebeldes na região.

De acordo com a Procuradoria do TPI, Al Hassan "desempenhou um papel de liderança na comissão de crimes e na perseguição religiosa e baseada no género por esses grupos armados contra a população civil de Tombuctu".

A acusação refere que Al Hassan terá cometido, entre outros, crimes de tortura, tratamento cruel e imposição de casamentos forçados, "convertendo mulheres e meninas de Tombuctu em escravas sexuais", disse a Efe.

Al Hassan é também acusado de participar na destruição de mausoléus antigos, que aos olhos do AQMN e do Ansar Dine constituíam um pecado porque abrigavam os túmulos de santos locais.

Os 'jihadistas', que atearam fogo a dezenas de milhares de manuscritos históricos nos meses em que controlaram a cidade, foram expulsos pelas forças francesas em janeiro de 2013.

O julgamento de Al Hassan é o segundo caso no TPI ligado à ocupação de Tombuctu pelo Ansar Dine, depois de, em 2016, Ahmad Al Faqi Al Mahdi, um membro do grupo, ter sido condenado a nove anos de prisão.

Al Mahdi, acusado de atacar nove mausoléus e uma mesquita em 2012, declarou-se culpado e expressou remorsos pela participação na destruição na região maliana.

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