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Médicos indonésios alertam que número real de vítimas é muito superior

O sindicato dos médicos da Indonésia disse hoje que as vítimas da pandemia da covid-19 no país são muito superiores às estatísticas oficiais e o número está a crescer, considerando que a estratégia do Governo está "a falhar".

Médicos indonésios alertam que número real de vítimas é muito superior

A Indonésia, que tem 260 milhões de habitantes, o quarto país mais populoso do mundo, não detetou os primeiros casos de infeção até ao início de março mas, hoje, o número de infetados já ultrapassavam os mil, apesar de os testes continuem raros.

"A estratégia do Governo falhou e parece descartar a possibilidade de optar por confinamento da população", lamentou o porta-voz da associação de médicos indonésios, Halik Malik.

"O nosso sistema de saúde não é tão sólido como o de outros países", alertou.

Jacarta confirmou 87 mortes atribuídas à pandemia covid-19, uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo, o que pode ser explicado pelo baixo número de testes realizados sobretudo a pessoas gravemente doentes.

Segundo um estudo da Escola de Higiene e Doenças Tropicais de Londres, os casos de infeção na Indonésia parecem estar muito subestimados.

As autoridades de Saúde da Indonésia estimam que 700.000 pessoas podem ter sido infetadas desde o início da epidemia.

O número de testes realizados até agora tem sido muito limitado em comparação com outros países.

As autoridades disseram ter testado 2.300 pessoas antes de deixar de publicar números nacionais.

Apesar das críticas, o Governo não quis impor um confinamento estrito no país, nem na capital, uma megalópole onde vivem 30 milhões de pessoas e que concentra a grande maioria dos casos.

A embaixada canadiana na Indonésia alertou que "a situação da covid-19 na Indonésia é muito séria e está a deteriorar-se rapidamente", apelando aos seus nacionais para que deixem o país.

"O sistema de saúde na Indonésia ficará em breve sobrecarregado. O número final de mortes será muito alto", referiu a embaixada numa mensagem enviada esta semana aos seus cidadãos.

O arquipélago da Indonésia tem menos de quatro médicos por cada 10.000 pessoas, de acordo com dados de 2017 da Organização Mundial da Saúde.

A vizinha Malásia tem 15 e a Austrália 35 para cada 10.000 habitantes.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram médicos a protestar contra a falta de equipamentos de proteção e de ventiladores e a ameaçar entrar em greve.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou cerca de 540 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 25 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 112.200 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 292 mil infetados e quase 16 mil mortos, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 8.165 mortos em 80.539 casos registados até quinta-feira.

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