"Portugal tem o um papel importante não apenas nas zonas de influência cultural portuguesa, mas em toda a África[...]. Portugal pode ser fator crucial e positivo porque, em muitos países, é visto como uma parte neutra", disse o embaixador Tibor P. Hagy.
O secretário de Estado Adjunto dos EUA para os Assuntos Africanos falava hoje à agência Lusa, em Lisboa, à margem da conferência "Fortalecer a parceria americana e europeia com a África", que proferiu no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa.
Tibor Hagy, que durante a sua deslocação a Lisboa se encontrou também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, adiantou que existe um largo espaço para parcerias entre os dois países em África, tanto na área económica e do comércio como da segurança.
"Vim a Portugal especificamente porque [...] Portugal tem uma História longa, um entendimento e uma relação cultural únicos com partes de África que estão a tornar-se cada vez mais importantes".
Como exemplo, apontou a República Democrática do Congo.
"Portugal tem uma relação especial com Angola, Angola tem um papel muito importante na República Democrática do Congo e talvez Portugal possa, trabalhando com Angola, melhorar a situação lá", disse.
Durante a conferência, Tibor Nagy, que durante a sua carreira de diplomata esteve 32 anos em países africanos, incluindo a Nigéria, Etiópia ou Camarões, tinha elogiado "a coragem e compromisso" dos militares portugueses na República Centro-Africana.
"Os cerca de 190 'capacetes azuis' têm uma missão dura em circunstâncias muito difíceis, debaixo de fogo quase diariamente. A sua devoção à missão é uma contribuição essencial para a paz e segurança em África", sublinhou.
Tibor P. Nagy considerou também Portugal como "um parceiro crucial" no planeamento e execução dos exercícios liderados pelas forças norte-americanas em África com o objetivo de melhorar a segurança marítima no Golfo da Guiné.