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Extinction Rebellion usa desobediência civil contra alterações climáticas

Após dez dias de protestos contínuos em Londres contra as alterações climáticas que resultaram em mais de mil pessoas detidas, o grupo Extinction Rebellion já reivindicou esta como a maior ação de desobediência civil na história britânica recente.

Extinction Rebellion usa desobediência civil contra alterações climáticas

Ao longo de quase uma semana, centenas de simpatizantes ocuparam vários pontos centrais na capital britânica, incluindo Oxford Circus, a ponte de Waterloo e a praça de Westminster, interrompendo o trânsito e perturbando o quotidiano de pessoas e negócios locais.

Apesar da forte presença policial, o ambiente dos agrupamentos foi sempre pacífico e festivo, com intervenções artísticas, palestras sobre o ambiente e atuações musicais, atraindo famílias com crianças em período de férias escolares.

Em estradas onde habitualmente passam milhares de veículos foram instaladas faixas e cartazes, bandeiras, tendas, palcos, vasos com árvores, um barco de pesca e até uma rede de dormir segura entre dois postes de eletricidade.

A polícia adiantou que pelo menos 55 percursos de autocarro tiveram de ser encerrados e mais de meio de milhão de pessoas foram afetadas, e a associação empresarial West End Company estimou prejuízos de pelo menos 12 milhões de libras (14 milhões de euros) nos primeiros três dias.

O desrespeito às ordens para desocupar a via pública resultou em pelo menos 1.065 detenções, das quais 71 com idades entre os 19 e 77 anos acusados de obstrução ou perturbação da ordem pública ou outras ofensas.

Este número já é superior ao que registaram outros protestos registados no Reino Unido, pelo que o cofundador Roger Hallam disse que a intervenção do Extinction Rebellion "é facilmente o maior evento de desobediência civil na história britânica moderna".

Embora atualmente esteja limitado a um local, Marble Arch, o grupo considerou que o balanço é positivo, tendo em conta um crescente apoio público que contribuiu para a adesão de 30.000 novos membros e a recolha de quase 300 mil libras (345 mil euros) em donativos.

Apresentado formalmente a 31 de outubro de 2018 em Londres, Extinction Rebellion foi formado como um movimento que defende atos de desobediência civil de molde a sensibilizar para as alterações ambientais e forçar o governo a agir.

As três principais reivindicações são que o governo britânico declare uma emergência climática e ecológica, introduza políticas para reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa para zero até 2025 e crie uma assembleia de cidadãos para tomar decisões sobre as mudanças climáticas.

Um apelo de apoio foi publicado no jornal The Guardian e subscrito por cerca de uma centena de personalidades, na maioria académicos, mas também o antigo Arcebispo da Canturária Rowan Williams e a eurodeputada Molly Cato, do partido Verde.

Na origem do grupo estão ativistas como Roger Hallam, Gail Bradbrook ou Simon Bramwell, membros do grupo Rising Up!, que defende reformas radicais no sistema económico e político e responsável por outras intervenções, por exemplo, contra a construção de uma terceira pista no aeroporto de Heathrow.

Os primeiros protestos registaram-se em novembro do ano passado em Londres, quando membros interromperam temporariamente o trânsito em algumas vias da capital britânica.

Ganhou destaque em abril, quando uma dezena de ativistas se despiu na galeria pública durante um debate sobre o 'Brexit', que levou à intervenção da polícia mas que não chegou para interromper as intervenções dos deputados.

Durante o fim de semana passado, recebeu a visita da jovem ativista sueca Greta Thunberg, e prometeu continuar a protestar nos próximos dias na capital britânica com mais ações.

O movimento tem alcance internacional, com mais de 330 grupos em 49 países, a maioria dos quais no Reino Unido, mas também nos EUA, Alemanha, França e até Gana, que nas últimas semanas promoveram protestos em pelo menos 80 cidades de 33 países.

Na terça-feira, a secretária de Estado para a Energia britânica, Claire Perry, saudou, numa intervenção no parlamento britânico, a "paixão e fervor dos manifestantes", mas também defendeu que o devem continuar a fazer sem perturbar o dia a dia das pessoas.

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