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“Britânicos não querem muita coisa, mas não se percebe o que querem"

Paulo Portas analisa o impasse dos britânicos relativamente ao Brexit, depois de mais de uma semana de votações no parlamento britânico.

“Britânicos não querem muita coisa, mas não se percebe o que querem"
Notícias ao Minuto

22:55 - 14/03/19 por Melissa Lopes 

Mundo Paulo Portas

Numa altura em que faltam duas semanas para o dia 29 de março, a data da saída do Reino Unido da União Europeia, Paulo Portas considera que “vai haver jogo até ao fim” e “não daria por liquidados os esforços” de Theresa May de conseguir viabilizar o seu acordo. 

Na opinião de Paulo Portas, a primeira-ministra britânica, “não sendo uma grande figura política", tem dado provas de que "é muito resiliente”. “Como costumo dizer, está colada à cadeira com UHU”, comentou o centrista no seu habitual espaço de comentário na TVI.

Paulo Portas considera que a primeira-ministra britânica está a usar uma manobra do ponto de vista tático “muito inteligente”, que passa por dizer, à medida que se vai aproximando do relógio o dia 29 de março, que foi a única que conseguiu um acordo e que não há nenhum acordo diferente do seu.

E, perante esta encruzilhada, os britânicos têm duas alternativas. “Ou aceitam o acordo de May e há uma saída controlada da UE, ou então, têm o risco de um Brexit completamente desordenado ou o risco de um prolongamento que pode matar a ideia do Brexit, se for um prolongamento demasiado longo”, apontou.

Para Portas, “estes argumentos têm alguma eficácia junto dos defensores do Brexit mais duro que, entre não terem nada e terem o acordo, tendencialmente poderão optar pelo último, embora não gostem”. O mesmo se passará com os trabalhistas que, percebendo que não vai haver um segundo referendo (uma hipótese massivamente rejeitada hoje), preferirão o acordo de Theresa May com a UE.

Por essas razões, o político defende que May tem “uma arma taticamente em mãos”, sendo o único acordo que existe para o Brexit o da primeira-ministra que voltará a tentar aprová-lo pela terceira vez na próxima semana.

E das votações que decorreram esta semana, o que é que se pode concluir? Que o “Parlamento inglês não quer uma saída sem acordo, não quer neste momento o acordo da senhora May e não quer um segundo referendo”, sintetiza Portas, frisando que os britânicos “não querem muita coisa, mas não se percebe o que é que querem”.

Seja como for, “o que está na lei é que na existência de um acordo, caduca a relação do Reino Unido com a UE a 29 de março”, lembra Portas, alertando, por fim, para a questão da Irlanda, "um problema geograficamente irresolúvel e que não é apenas um problema do Reino Unido".

"Pode transformar-se numa questão da Europa" caso exista a tentação de reunificação com a Irlanda de Norte, que está dividida a meio entre protestantes, anglicanos, e católicos que querem uma reunificação com a Irlanda.

"E é bom não esquecer que houve guerras civis, e que houve terrorismo e que há uma inclinação para a violência. E portanto, convém que ambas as partes contribuam para procurar encontrar uma solução para um problema que é muito difícil", analisa, resumindo: "Não gostaria de ter outra Catalunha na Europa".

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