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A dois meses do Brexit, May terá de voltar a Bruxelas. Mas será ouvida?

Faltam dois meses para o Brexit. Será 'hard Brexit'? Eis a questão (a que ninguém ainda consegue responder).

A dois meses do Brexit, May terá de voltar a Bruxelas. Mas será ouvida?

A última terça-feira foi novamente dia de votações sobre o Brexit, no parlamento britânico. 

Houve várias propostas a votos mas só duas em particular passaram.

Os deputados acordaram que não querem uma extensão do prazo para o Brexit. Mas também votaram para pôr de parte a possibilidade de uma saída sem acordo da União Europeia (UE), assumindo a disponibilidade para encontrar "disposições alternativas" ao já famoso 'backstop' irlandês.

As Irlandas, recorde-se, são a única fronteira direta por terra entre a UE e o Reino Unido.

O que quer dizer que esta votação foi quase uma 'declaração de intenções', acabando por não ser propriamente vinculativa. Ou, como escreve a BBC, o que os deputados britânicos votaram, é mais fácil de dizer do que fazer.

E agora?

Theresa May recebeu assim novo 'mandato' parlamentar para regressar a Bruxelas para renegociar o mecanismo de salvaguarda, o tal 'backstop'. Com isto, acreditam os deputados britânicos, já seria possível aceitar o acordo de saída, o mesmo que há poucas semanas rejeitaram de forma categórica.

O problema, nestas questões, é que em cada negociação há dois lados. Se nada mudar, daqui a exatamente dois meses o Brexit será efetivo, dê lá por onde der. Mas entre avanços e recuos, a verdade é que o lado europeu parece pouco disponível para facilitar a vida ao executivo de May.

Quando o acordo foi rejeitado, há cerca de duas semanas, vários líderes europeus reagiram de forma pronta, lembrando a importância de um acordo na hora de o Reino Unido abandonar a união comunitária. 

Desta vez, a reação foi diferente, uma que quase faz lembrar a polémica composição '4'33', de John Cage: um silêncio orquestrado.

A única reação surgiu logo minutos depois de os deputados britânicos acordarem que não querem Brexit sem acordo. Surgiu num comunicado que nem sequer era do próprio Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, mas do porta-voz do seu gabinete: o acordo que os 27 países da UE tinham acordado em novembro passado com o Reino Unido "é e continua a ser a melhor forma de assegurar uma saída ordenada do Reino Unido da União Europeia". De resto, acrescentava, "não é renegociável".

May e Bruxelas, novo round

Depois de 17 meses de negociações, a UE e o Reino Unido chegaram a um acordo sobre a saída. Foi o tal de novembro do ano passado. É a esse acordo que a Europa se agarra, com 'cara' de quem não quer de todo largar o que conseguiu, a dois meses do prazo do Brexit.

May voltará a Bruxelas sabendo que não será fácil renegociar - como a própria já ontem admitia perante os deputados. O que quer dizer que, na prática, a votação de ontem dos deputados britânicos pode ter sido inútil: afinal de contas, a possibilidade de um Brexit sem acordo continua de pé.

Entretanto, a libra lá vai enfrentando as dúvidas dos mercados como pode. Enquanto vários países europeus, Portugal incluído, já anunciaram planos de contingência para o que aí vier, caso o Brexit seja mesmo sem acordo.

Faltam exatamente dois meses para o Brexit. Faltam exatamente dois meses para algo que não se sabe (exatamente) como será.

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