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Chile nega ter condenado Igreja a indemnizar vítimas de padre pedófilo

A justiça chilena negou hoje que tenha sido deliberada qualquer condenação contra o Arcebispado de Santiago no caso de abusos cometidos por Fernando Karadima, entretanto expulso do sacerdócio pelo papa.

Chile nega ter condenado Igreja a indemnizar vítimas de padre pedófilo
Notícias ao Minuto

18:45 - 23/10/18 por Lusa

Mundo Justiça

A presidente do Tribunal de Recurso de Santiago, Dobra Lusic, confirmou esta informação, afastando noticias avançadas durante o fim de semana de que teria revertido uma decisão de primeira instância condenando a Igreja chilena a pagar uma indemnização a três vítimas do padre Fernando Karadima, acusado de, durante décadas, abusar sexualmente de menores.

Segundo as vítimas, citadas no domingo pela agência EFE, a Igreja deverá pagar 450 milhões de pesos (580 mil euros) a James Hamilton, Juan Carlos Cruz e José Andrés Murillo, após uma decisão unânime do tribunal.

A notícia, segundo a EFE, terá sido avançada pelo diario "La Tercera".

Dora Lusic disse aos jornalistas que o presidente do nono juízo, Miguel Vásquez, lhe informou que não houve qualquer deliberação e que não existe sequer um projeto nesse sentido.

Os três denunciantes, que há alguns meses foram recebidos pelo papa Francisco no Vaticano, processaram o arcebispado e acusaram os cardeais Francisco Javier Errázuriz e Ricardo Ezzati, o arcebispo emérito de Santiago e o atual titular da arquidiocese, respetivamente, de encobrir os abusos de Karadima,

Karadima, a quem os tribunais chilenos consideraram culpado, mas sem o condenar por prescrição dos crimes, foi um influente pároco num bairro abastado de Santiago e formador de cinquenta sacerdotes, dos quais cinco se tornaram bispos.

Segundo dados da Procuradoria Nacional do Chile, atualmente existem 119 investigações em andamento contra 167 pessoas relacionadas à Igreja acusadas de supostos abusos sexuais e 178 vítimas, das quais 79 eram menores à data dos factos.

O papa aceitou a renúncia de sete bispos chilenos, depois de em maio os 34 bispos do país terem apresentaram a sua renúncia ao pontífice, reconhecendo que cometeram "erros e omissões graves".

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