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Epidemia silenciosa. Quando é que uma dor nas costas é alarmante?

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, o diretor do serviço de ortopedia do  Centro Hospitalar do Médio Ave admite que as dores das costas afetam uma grande percentagem da população nacional. O responsável chama a atenção para a adoção de hábitos saudáveis e ajuda a desmistificar algumas ideias erradas.

Epidemia silenciosa. Quando é que uma dor nas costas é alarmante?
Notícias ao Minuto

10:00 - 14/11/23 por Ana Rita Rebelo

Lifestyle Entrevista

"A dor lombar é a principal causa de anos vividos com incapacidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento", afirma Rui Duarte, diretor do serviço de ortopedia do  Centro Hospitalar do Médio Ave, em entrevista ao Lifestyle ao Minuto. Os dados apurados pela equipa de coordenação da campanha 'Olhe Pelas Suas Costas', revelam o pior: mais de 95% dos inquiridos dizem ter sentido dores nas costas em algum momento das suas vidas e 62% sofrem de dores nas costas persistentes, com episódios de dor, pelo menos, uma vez por mês.

Segundo as informações recolhidas, 75% dos entrevistados confirmaram já ter recorrido à medicina tradicional, 15% procuraram ajuda de fisioterapia e 10% optaram pela osteopatia. "Hábitos de vida pouco saudáveis como o sedentarismo e a obesidade contribuem de forma significativa para o aparecimento de sintomas em doentes previamente saudáveis e contribuem para o agravamento dos sintomas em doentes com patologia musculoesquelética de base", explica Rui Duarte.

O especialista recomenda "caminhar, andar de bicicleta, fazer alongamentos, natação e pilates". "São exemplos de exercícios benéficos para a saúde da coluna vertebral", concretiza. 

É essencial investir em programas de educação pública sobre saúde da coluna, para que se tomem medidas preventivas desde a idade jovem

Em que medida é que as dores nas costas impactam a nossa qualidade de vida?

A dor lombar é a principal causa de anos vividos com incapacidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Atendendo aos dados do nosso estudo, as dores nas costas não afetam apenas o bem-estar físico, mas também têm implicações económicas e sociais significativas, com aproximadamente 24% dos inquiridos a afirmarem já ter faltado ao trabalho devido a esta condição. Quando uma parte significativa da população lida com dor nas costas de forma persistente, isso tem sérias consequências para a qualidade de vida, produtividade no trabalho e sistema de saúde como um todo.

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O que justifica os números apresentados pela equipa de coordenação da campanha 'Olhe Pelas Suas Costas'?

Os dados epidemiológicos publicados sobre o impacto da dor lombar na população portuguesa vão ao encontro dos dados obtidos no nosso estudo. Na verdade, o impacto na qualidade de vida dos portugueses é muito significativo. As causas para estes números são seguramente multifatoriais. Sabemos no entanto que hábitos de vida pouco saudáveis como o sedentarismo e a obesidade contribuem de forma significativa para o aparecimento de sintomas em doentes previamente saudáveis e contribuem para o agravamento dos sintomas em doentes com patologia musculoesquelética de base. É essencial investir em programas de educação pública sobre saúde da coluna, para que se tomem medidas preventivas desde a idade jovem. Estimular a prática de exercício é muito importante para prevenir a obesidade, fortalecer a estrutura músculo-esquelética, incentivar a adoção de uma boa postura e, com isto, fomentar um estilo de vida mais ativo e saudável.

Que erros prejudicam a coluna?

As causas para a dor e para a patologia da coluna são multifatoriais. No entanto, talvez a associação do sedentarismo com alguns erros posturais contribua para uma boa parte dos problemas. Em profissões em que se permanece sentado por longos períodos, a tendência natural para a maioria das pessoas é curvar-se ou reclinar-se na cadeira, e essa postura mantida no tempo, acaba por provocar alterações nos músculos, discos e ligamentos da coluna.

Que hábitos podemos adotar no dia a dia para reverter estes números?

A coluna vertebral é uma estrutura central do nosso sistema musculoesquelético. É essencial investir em programas de educação pública sobre saúde da coluna, para que se tomem medidas preventivas desde a idade jovem. Estimular a prática de exercício é muito importante para prevenir a obesidade, fortalecer a estrutura músculo-esquelética, incentivar a adoção de uma boa postura e, com isto, fomentar um estilo de vida mais ativo e saudável.

O repouso pode ser benéfico para as dores na coluna, mas deve ser limitado aos primeiros dias. Demasiado tempo na cama pode, inclusive, atrasar a recuperação

E como tratar? De um modo geral, o que se deve fazer quando temos dores nas costas?

A dor lombar aguda é muitas vezes intensa e preocupante, levando os doentes a recorrer ao serviço de urgência como primeira abordagem para a sua dor. No entanto, estes episódios são habitualmente benignos e resolvem-se naturalmente ou através de alguma medicação. Se a dor for aguda, localizada na região lombar sem irradiação e relacionada com algum esforço físico, a minha recomendação são medidas conservadoras no domicílio com analgesia e diminuição dos esforços físicos. 

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Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o repouso deve ser limitado?

O repouso pode ser benéfico para as dores na coluna, mas deve ser limitado aos primeiros dias. Demasiado tempo na cama pode, inclusive, atrasar a recuperação. É recomendável repousar na cama se a dor lombar for muito intensa. Na maioria dos casos será suficiente apenas reduzir a atividade e esforços.

Quando devemos consultar um médico?

A intensidade da dor não significa que estamos perante doença grave. No entanto, se a dor for persistente e durar algumas semanas ou estiver associada a algum sintoma neurológico com irradiação para a perna ou o braço com formigueiros e perda de força, é importante a procura de ajuda médica especializada. 

Que mitos importam desmistificar sobre dores nas costas?

O facto de lidarmos com estruturas neurológicas muito sensíveis e também devido a provavelmente alguns erros de comunicação no passado, existe ainda a perceção por parte de alguns doentes de que existe um risco elevado de perderem a capacidade de andar depois de uma cirurgia de coluna. Na verdade, este é um dos maiores mitos neste tipo de cirurgias. Nos dias que correm, em nenhuma cirurgia de coluna que siga os protocolos de segurança e técnicas corretas, é previsível ou aceitável a perda irreversível da mobilidade. Existem com certeza alguns riscos associados à cirurgia de coluna como complicações devido a variações anatómicas que não podemos prever e podem levar a situações como algum défice de força ou sensibilidade no pós-operatório. Mas mesmo estas alterações parciais são extremamente raras.

Outro dos mitos que importa desmistificar está relacionado com a prática de exercício. Muitas pessoas têm medo de realizar exercício físico quando têm dores nas costas. No entanto, o exercício físico regular, desde que seja iniciado de forma gradual e correta, ajuda a manter o corpo saudável e fortalece os músculos, reduzindo a dor e o desconforto. Caminhar, andar de bicicleta, fazer alongamentos, natação e pilates são exemplos de exercícios benéficos para a saúde da coluna vertebral.

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