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Cancro da cabeça e pescoço. Sobreviventes podem deixar de falar ou comer

A taxa de cura é elevada. No entanto, o tratamento pode trazer efeitos devastadores para a vida dos doentes.

Cancro da cabeça e pescoço. Sobreviventes podem deixar de falar ou comer

Já imaginou como seria se deixasse de conseguir falar, engolir ou mastigar? Esta é a realidade de muitos doentes que sobrevivem ao cancro da cabeça e pescoço, o sétimo tipo de tumor mais frequente a nível mundial. No nosso país, surgem cerca de três mil novos casos por ano, sendo que 60% são diagnosticados em fase avançada.

"As sequelas dependem da abordagem terapêutica, da localização do tumor e do estadio ao diagnóstico", refere Duarte Machado, assistente hospitalar de oncologia médica no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada e oncologista no Hospital Internacional dos Açores, em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, a propósito do Dia Mundial do Cancro da Cabeça e Pescoço, que se assinala esta quarta-feira, 27 de julho.

Contudo, têm surgido novos tratamentos, como é o caso da imunoterapia, que tornam possível melhorar a qualidade de vida destes doentes. "O uso de imunoterapia no carcinoma de cabeça e pescoço metastático tem mostrado avanços promissores não só na qualidade de vida, bem como no aumento da sobrevida global destes doentes", explica o especialista.

Notícias ao Minuto Duarte Machado© DR

O que é exatamente o cancro da cabeça e pescoço? Que tumores é que esta terminologia engloba?

O cancro da cabeça e pescoço corresponde a qualquer tipo de cancro com origem nas células escamosas que revestem as superfícies da mucosa do interior da cabeça e pescoço, como a cavidade oral, faringe, laringe e glândulas salivares.

Quais os mais frequentes?

De acordo com os dados do GLOBOCAN 2020, os tumores da cavidade oral são os mais prevalentes, com uma incidência de 1.103 novos casos no ano de 2020 em Portugal, o que corresponde a 43% de todos os casos de tumores da cabeça e pescoço. 

Leia Também: "O cancro do pulmão diagnosticado em fases precoces pode ser curável"

Qual a sua incidência? 

Os cancros de cabeça e pescoço não são os cancros mais comuns da população em geral. Se somarmos todos, atingimos uma incidência de 2.542 novos casos no ano de 2020, em Portugal, o que os coloca em 8.º lugar entre os cancros mais frequentes.

A principal prevenção deste tipo de tumores passa por evitar os principais fatores de risco, especialmente o consumo de tabaco e álcool

E quais os grupos mais atingidos?

Os doentes mais sujeitos a este tipo de cancro são aqueles que têm maior exposição aos fatores de risco associados ao surgimento deste tipo de doença, como os consumidores de álcool e tabaco (responsável por cerca de 75% dos casos). Outros fatores de risco identificados são o vírus do papiloma humano, especialmente o HPV 16, que se encontra em muito crescimento, como resultado da modificação de práticas sexuais que permitem a sua transmissão, como o sexo oral, o vírus de Epstein-Barr (associado ao carcinoma da nasofaringe), o consumo elevado de alimentos processados ou salgados e a má higiene oral.

Quais os principais sintomas a ter em conta?

Os sintomas de cancro da cabeça e pescoço podem incluir um 'alto' ou uma ferida que não cura, dor de garganta que não desaparece, dificuldade em engolir, rouquidão ou alteração da voz persistente. Estes sintomas também podem ser causados por outras doenças, de menor gravidade. Perante qualquer destes sintomas, principalmente se persistir por mais de três semanas, é importante consultar um médico.

Existe algum tipo de prevenção?

A principal prevenção deste tipo de tumores passa por evitar os principais fatores de risco, especialmente o consumo de tabaco e álcool, bem como a manutenção de uma boa higiene oral. Acredita-se que, assim, a prevalência venha a reduzir significativamente.

O uso de imunoterapia no carcinoma de cabeça e pescoço metastático tem mostrado avanços promissores não só na qualidade de vida, bem como no aumento da sobrevida global destes doentes

Quanto ao tratamento, quais as opções?

O tratamento ou as combinações de tratamentos a realizar dependem do estado da doença, da sua localização e do seu estado geral de saúde. As opções de tratamento incluem a cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou a combinação destas. Para as pessoas com doença metastática, atualmente dispõe-se de tratamentos inovadores como a imunoterapia.

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Alguns efeitos secundários dos vários tratamentos podem perdurar durante meses e algumas capacidades podem não ser recuperadas na totalidade

Qual a taxa de cura neste tipo de cancro?

O sucesso dos tratamentos depende de vários fatores, sendo o estado em que a doença é detetada um dos critérios mais importantes. Os doentes podem ser classificados em três grandes grupos: 1) doença localizada ou precoce – situação de melhor prognóstico, atingindo taxas de sobrevivência aos cinco anos de 77 a 91%; 2) doença localmente avançada – prognóstico intermédio, cuja terapêutica pode ter um intuito curativo ou não, atingindo taxas de sobrevivência aos cinco anos de 25 a 61%; e 3) doença metastática (quando o tumor atinge outro órgão que não a cabeça/pescoço) – cujo objetivo do tratamento é prolongar a vida com a melhor qualidade possível, atingindo taxas de sobrevivência aos cinco anos inferiores a 4%. 

Podem deixar sequelas?

Sim. E as sequelas dependem da abordagem terapêutica, da localização do tumor e do estadio ao diagnóstico. Rouquidão permanente, perda de olfato, paladar, dificuldade na deglutição são alguns exemplos mais comuns. Alguns efeitos secundários dos vários tratamentos podem perdurar durante meses e algumas capacidades podem não ser recuperadas na totalidade.

Nesses casos, o que há a fazer?

Segundo os resultados das avaliações de qualidade de vida efetuados durante o tratamento e após o tratamento, mesmo nos casos em que não há total recuperação de uma função, vai havendo uma adaptação do doente à sua nova condição, o que lhe permite melhorar a sua qualidade de vida. O mais importante é ser fornecido todo o apoio hospitalar para que essa recuperação e adaptação sejam maximizadas. O apoio de diferentes profissionais, como médicos de várias especialidades e de técnicos, com destaque para os terapeutas da fala, é essencial para a melhor recuperação das funções destes doentes.

De que forma é que a imunoterapia pode ser uma nova esperança? 

O uso de imunoterapia no carcinoma de cabeça e pescoço metastático tem mostrado avanços promissores não só na qualidade de vida, bem como no aumento da sobrevida global destes doentes. A imunoterapia vem sendo utilizada nos carcinomas de cabeça e pescoço previamente tratados desde os resultados dos estudos publicados em 2016. Novos estudos estão em andamento, com o objetivo de implementar esta estratégia no tratamento da doença em fase mais precoce.

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