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"O cancro do pulmão diagnosticado em fases precoces pode ser curável"

Quem o defende é Cristina Rodrigues, cirurgiã torácica no Hospital Pulido Valente e coordenadora da cirurgia torácica do Hospital Cruz Vermelha de Lisboa.

"O cancro do pulmão diagnosticado em fases precoces pode ser curável"

Em 2020, foram diagnosticados mais de 5.400 novos casos de cancro do Pulmão em Portugal. Nesse mesmo ano, o número de óbitos situou-se em 4.797. A doença é curável, mas não permite demoras no diagnóstico. O principal inimigo é o tabaco.

"A incidência de cancro do pulmão está intimamente relacionada com o tabagismo, sendo que 89% das mortes por cancro do pulmão nos homens são causadas pelo fumo dos cigarros", afirma Cristina Rodrigues, cirurgiã torácica no Hospital Pulido Valente e coordenadora da cirurgia torácica do Hospital Cruz Vermelha de Lisboa, em declarações ao Lifestyle ao Minuto

A maior parte dos cancros do pulmão são assintomáticos nas suas fases iniciais

Qual a incidência do cancro do pulmão no mundo e em Portugal?

A incidência reportada em 2020 em Portugal foi de 54,2 casos por 100 mil habitantes, superior aos 22,4 por 100 mil habitantes registados a nível global.

A que se devem estes números?

A incidência de cancro do pulmão está intimamente relacionada com o tabagismo, sendo que 89% das mortes por cancro do pulmão nos homens são causadas pelo fumo dos cigarros. O tabagismo em Portugal tem vindo a subir desde os anos 60, inicialmente entre os homens e mais recentemente entre as mulheres, mantendo em 1998 uma taxa de fumadores de 38%.

Em que medida é que o diagnóstico precoce pode alterar esta realidade? 

O cancro do pulmão diagnosticado em fases precoces pode ser curável, ou seja, quando a doença é apenas local, pode ser tratada localmente, sem recurso a fármacos, que apresentam diversos graus de toxicidades, com uma taxa de controlo da patologia muito inferior à conseguida através da ressecção cirúrgica do tumor. Ainda falando sobre a cirurgia: quanto menores forem as dimensões do tumor, maior será a probabilidade de se poderem aplicar as técnicas de cirurgia minimamente invasiva, que estão associadas a uma recuperação mais rápida e menos dores no pós-operatório, quando comparado com a cirurgia convencional (por toracotomia). Outra enorme vantagem do diagnóstico atempado prende-se com a probabilidade da presença de depósitos (metástases) à distância (nos gânglios ou noutros órgãos), que tende a ser mais elevada quanto maior for a dimensão do tumor primitivo.

De uma forma global, a sobrevida aos cinco anos é de cerca de 18%Qual a taxa de sobrevivência?

É variável, dependendo do estádio, da histologia e das terapêuticas aplicáveis. De uma forma global, a sobrevida aos cinco anos é de cerca de 18%, mas num estádio I a sobrevida esperada é de 82%.

Como prevenir?

O cancro do pulmão está relacionado com o tabaco na grande maioria dos casos. Não fumar, evitar ambientes onde se fume e adotar um estilo de vida saudável pode prevenir o cancro do pulmão.

Quais os sintomas a que devemos estar atentos, nomeadamente os mais 'silenciosos'?

Infelizmente, a maior parte dos cancros do pulmão são assintomáticos nas suas fases iniciais, mas o aparecimento de tosse persistente, expectoração com sangue, falta de ar ou dor torácica podem ser sinais de alarme. Sintomas mais graves, como a perda de peso inexplicada e falta de apetite, podem acompanhar o doente em fases mais avançadas.

Quais os tratamentos disponíveis?

O tratamento atual do cancro do pulmão é multidisciplinar e altamente personalizado. Pode envolver técnicas de controlo local da doença, como a cirurgia e a radioterapia, ou terapêuticas sistémicas, como a quimioterapia, a terapêutica alvo direcionada a determinadas alterações genéticas ou a imunoterapia. A determinação da presença de determinadas alterações genética no tumor, permite determinar estratégias terapêuticas.

Embora seja amplamente divulgado que o tabaco está na origem de diversas patologias cardiovasculares, respiratórias e oncológicas e seja um fator de risco comprovado para o cancro do pulmão, são cada vez mais os fumadores. Que medidas deveriam ser tomadas para evitá-lo?

As medidas atualmente em vigor visam restringir a exposição dos mais jovens ao hábito tabágico, focando-se na publicidade dos malefícios do seu uso. Mas podemos ir além da promoção da cessação tabágica. A realização de intervenções educativas nas camadas mais jovens permite que as próprias crianças se tornem agentes de saúde pública junto das suas famílias. Só através de intervenções precoces se conseguem reduzir as taxas de novos fumadores.

Quais os malefícios do tabaco?

Em primeiro lugar, há que salientar toda e qualquer ausência de benefício para o fumador e todos os que o rodeiam. Quanto a malefícios, por onde começar? É um agente cancerígeno comprovado, associado a vários cancros de vários aparelhos e sistemas, desde as fossas nasais ao sistema urinário, com um enfoque particular nos locais com exposição mais direta ao fumo, como as fossas nasais, a cavidade oral, a faringe e os brônquios e pulmões.

Leia Também: Afinal, por que razão há fumadores que não têm cancro do pulmão?

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