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DPOC permanece "muito subdiagnosticada" em Portugal, alerta pneumologista

A doença afeta cerca de um em cada sete portugueses, mas continua a ser desconhecida pela maioria da população. O pneumologista Vítor Fonseca alerta para a importância de não desvalorizar sintomas, como a tosse ou expetoração.

DPOC permanece "muito subdiagnosticada" em Portugal, alerta pneumologista

A Doença Pulmunar Obstrutiva Crónica (DPOC) pode ser prevenida e tratada. Contudo, a maior parte dos casos são diagnosticados após os 40 anos e, apesar de o fumo do tabaco continuar a ser o principal fator de risco, a poluição atmosférica faz soar os alarmes entre os especialistas.

Embora Portugal esteja entre os 10 países que apresentam melhor qualidade do ar, são registadas, todos os anos, mais de seis mil mortes prematuras resultantes da poluição atmosférica, associada a doenças respiratórias, segundo conclusões apresentadas na conferência internacional 'O pulmão e o ambiente',  uma iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, o pneumologista Vítor Fonseca alerta para a importância de não desvalorizar sintomas, como tosse ou expetoração, e defende uma "maior aposta na divulgação dos sinais e sintomas da doença", uma vez que esta se caracteriza por um elevado impacto na qualidade de vida dos doentes.

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Cerca de sete em cada 10 doentes (73%) sentem dificuldade em respirar, no mínimo, duas vezes por semana. A DPOC chega também a limitar a capacidade de uma pessoa subir escadas ou tomar duche, e 40% dos doentes são forçados a reformar-se antecipadamente. 

Quais as causas da DPOC?
 
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma doença comum, prevenível e tratável, que consiste na obstrução das vias aéreas, resultando em sintomas respiratórios persistentes, causada por exposição acentuada a gases e partículas nocivas, nomeadamente o fumo do tabaco.

Notícias ao Minuto Vítor Fonseca© DR 
 E quais os sintomas e sinais de alerta a que devemos estar atentos?
 
Os principais são a tosse e expetoração crónicas, a falta de ar persistente e o cansaço, que condiciona um agravamento progressivo da qualidade de vida dos doentes, sobretudo naqueles com idade superior a 40 anos, com uma história prévia de exposição ao fumo do tabaco ou associado a uma ocupação profissional com exposição elevada a gases ou partículas tóxicas.

Os doentes com esta patologia têm um risco acrescido de doença oncológicaQuais são os impactos e riscos associados à doença?
 
A falta de ar e o cansaço progressivo e incapacitante conduzem a uma espiral de declínio na qualidade de vida do doente. Os doentes com falta de ar crónica tendem a reduzir inconscientemente as suas atividades diárias, para diminuir a intensidade da falta de ar, tornando-se mais sedentárias com agravamentos de outras doenças comumente associadas, como problemas cardíacos, cerebrovasculares, diabetes e obesidade. Além disso, os doentes com esta patologia têm um risco acrescido de doença oncológica face à restante população.

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É possível prevenir a DPOC? De que forma?
 
Sim, sobretudo evitando ou cessando os hábitos tabágicos e a exposição a gases e partículas agressivas e altamente tóxicas.

A doença tem uma prevalência mais elevada no sexo masculino, mas apresenta um rápido crescimento no sexo femininoQue hábitos podem ser adotados para melhorar a qualidade de vida do doente?
 
Passam por uma evicção completa ao fumo do tabaco e ambientes poluídos, bem como um estilo de vida saudável. Nomeadamente a prática regular de exercício físico adaptado à idade do doente, programas de reabilitação respiratória, uma dieta equilibrada e diversificada e a vacinação, de acordo com as normais nacionais que incluam a vacina da gripe, a vacina da pneumonia e a vacina para a Covid-19.
 
A doença afeta quantos portugueses? 
 
De acordo com os últimos dados existentes em Portugal, calcula-se que a DPOC atinja mais de 800 mil portugueses, com uma prevalência estimada de 14%. Ou seja, a doença afeta cerca de um em cada sete portugueses.

A pandemia pode ser grave para a maioria das doenças pulmonares, nomeadamente na DPOC

Atinge homens e mulheres de igual forma?

A doença tem uma prevalência mais elevada no sexo masculino, mas apresenta um rápido crescimento no sexo feminino, sobretudo à custa do aumento dos hábitos tabágicos entre as mulheres.
 
Em Portugal, que trabalho há a fazer para aumentar e melhorar o conhecimento sobre a DPOC?
 
A doença pulmonar obstrutiva crónica está muito subdiagnosticada no país, pelo que deverá haver uma maior aposta na divulgação dos sinais e sintomas da doença, aumentando a informação e literacia disponível para o cidadão comum, mas sobretudo ações de rastreio em áreas de maior densidade populacional e de exposição ambiental, com a realização de questionários simples e espirometrias de rastreio, atualmente suspensas no contexto pandémico. Deverá ainda ser aumentada a publicidade relativa aos aspetos nocivos da exposição ao fumo do tabaco. 

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A Covid-19 acarreta riscos acrescidos para estes doentes?
 
A pandemia pode ser grave para a maioria das doenças pulmonares, nomeadamente na DPOC. As alterações estruturais das vias aéreas na DPOC acarretam uma perda das defesas imunitárias e permitem uma progressão mais rápida da doença com risco de maior gravidade e maior mortalidade relacionado com a Covid-19, comparativamente a doentes sem DPOC. Isto foi, aliás, um dos motivos que levou à inclusão dos doentes com DPOC na lista prioritária de vacinação para a Covid-19 no início da campanha de vacinação.

Leia Também: Médicos alertam para sinais de alarme da DPOC e pedem reforço da vacina

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