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Bomba relógio. As cidades do mundo em risco de gerar novas pandemias

Um novo estudo alerta que mais de 40% das grandes cidades do mundo estão sob risco de se tornarem o epicentro de uma nova doença fatal devido às pressões da atividade e ação humana sobre a natureza e a vida selvagem.

Bomba relógio. As cidades do mundo em risco de gerar novas pandemias

A pesquisa realizada por investigadores da Universidade de Sydney, na Austrália, em parceria com cientistas do Reino Unido, da Índia e da Etiópia, determinou quais são as cidades do planeta com potencial para o aparecimento de futuras pandemias -, sendo que a maioria está situada no sul e sudeste da Ásia e na África Subsaariana, segundo um artigo publicado na revista Galileu. 

O trabalho científico divulgado no One Health, categoriza as cidades em zonas de alerta amarelo, laranja e vermelho, tendo em conta a possibilidade do surgimento de doenças nessas áreas

No estudo os investigadores detetaram que mais de 40% das grandes metrópoles do mundo estão sob risco de se tornarem o epicentro de uma nova doença fatal devido às pressões da atividade e ação humana sobre a natureza e a vida selvagem.

Adicionalmente, entre 14% e 20% desses centros urbanos comporta infraestruturas de saúde precárias, tornando-os incapazes de lidar eficazmente com possíveis patologias virais pandémicas

De modo a identificar as zonas de risco mais elevado, conforme explica a Galileu, os cientistas tiveram em conta vários fatores, nomeadamente espaços onde a convivência do homem com a vida selvagem é mais significativa. Neste caso, estas seriam áreas de alerta "amarelo" e "laranja" de interações bidirecionais entre seres humanos, animais domésticos e vida selvagem.

Seguidamente, identificaram zonas com sistemas de saúde precários e localizaram cidades adjacentes que estão altamente conectadas à zona de risco, podendo assim servir de  canais para potenciais pandemias desconhecidas. 

"Esta é a primeira vez que essa geografia em três estágios foi identificada e mapeada, e queremos que isso seja capaz de informar o desenvolvimento da vigilância em vários níveis de infecções em humanos e animais para ajudar a prevenir a próxima pandemia", pode ler-se no artigo.

Michael Walsh, líder do estudo salienta que, apesar dos países mais pobres terem a maioria das cidades em zonas classificadas de maior risco de propagação, por outro lado os países mais desenvolvidos têm muitas cidades em camadas de risco por conta do impacto que exercem sob vida selvagem, através da poluição que emitem e da industrialização massiva. 

"Com essas novas informações, as pessoas podem desenvolver sistemas que incorporam infraestrutura de saúde humana, criação de animais, conservação de habitat de vida selvagem e movimentação a partir de centros de transporte para prevenir a próxima pandemia", afirma Walsh.

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