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Mieloma múltiplo. Cancro do sangue raro, sem cura e que mata em silêncio

Um quarto dos doentes com mieloma múltiplo (MM) morre um ano após o diagnóstico e, em Portugal, a sobrevivência destes pacientes parece estar abaixo da média Europeia, muito provavelmente devido às diferenças de acesso à inovação.

Mieloma múltiplo. Cancro do sangue raro, sem cura e que mata em silêncio

"Além de tratar a doença é preciso controlar a dor, o principal sintoma limitante destes doentes. A verdade é que já há muitos doentes mais novos que mantêm atividade profissional e muitos dos mais idosos desfrutam de vidas globalmente confortáveis. Mas o apoio psicológico, face à incerteza de viver com uma doença incurável é muito grande e essa vertente nunca pode ser descurada", explica o professor Leal da Costa em entrevista ao Lifestyle ao Minuto. 

O mieloma múltiplo é uma doença em que ocorre um aumento de plasmócitos anormais na medula óssea, que é o mais frequente em sítios fora da medula, isto é, extramedulares. As infeções associadas à fragilidade do sistema imune são a principal causa para a morte de doentes com mieloma. Estando a doença a produzir anticorpos, quando adoecem deixam de cumprir as suas funções de defesa do organismo. Daí que a mortalidade seja grande logo no início da doença, antes de ser possível obter a melhoria que os tratamentos pretendem conseguir e há também os doentes, normalmente os mais velhos, a quem o próprio tratamento deste cancro acaba por provocar uma antecipação da morte.

É certo que o mieloma ainda deve ser considerado como uma doença incurável, mas a verdade é que já há doentes com taxas de sobrevivência longas, acima dos 20 anos após o diagnóstico, e há casos de remissões, obtidas após tratamento, com duração idêntica.

O mieloma é uma doença muito incapacitante por estar associada a destruição óssea, com dores e fraturas, muitas vezes da coluna, com as consequentes dificuldades motoras que podem até chegar a paralisias motoras. Por conseguinte, é uma doença com uma grande carga social e um enorme peso económico para os próprios e as suas famílias.

Na entrevista que se segue o professor Leal da Costa explica detalhadamente todas as características desta patologia ainda desconhecida por muitos. 

O que é o mieloma múltiplo?

É uma doença que envolve as células responsáveis pela produção de anticorpos. Todavia, além de limitar a resposta imunológica, tem efeitos nos ossos que ficam frágeis e com lesões destrutivas, provoca anemia e pode atacar os rins.

É um cancro raro?

Em termos do universo de todas as doenças humanas, é raro. Mas corresponde a cerca de 1% de todos os cancros e é o segundo cancro do sangue mais frequente.

Quais são os números relativos a este cancro no mundo e em Portugal?

Estima-se que haja cerca de 230 a 250 mil pessoas com esta doença no mundo. Na verdade, não é muito. Em Portugal devemos ter cerca de 600 novos doentes todos os anos, 400 dos quais a necessitarem de tratamento e provavelmente teremos dois a três mil doentes a serem seguidos. Talvez já mais.

Afeta tanto os homens como as mulheres?

Quase. Apenas há uma ligeira maior proporção de homens afetados.

Quais são as idades mais suscetíveis?

É uma doença que é mais frequente à medida que a idade avança. Cerca de metade dos doentes têm mais de 65 anos.

Quais são os sintomas?

Essencialmente dores ósseas, quase sempre nas costas, o que sendo comuns em mais velhos torna o diagnóstico difícil se não se pensar nele. Outros doentes aparecem com muita falta de forças por causa da anemia ou infecções de repetição.

E relativamente às causas?

Infelizmente, ninguém sabe porque aparece.

Como é feito o diagnóstico deste tumor?

Quase sempre por exames radiológicos que mostram as lesões ósseas e levantam a suspeita ou logo por análises de sangue e urina que mostram proteínas anormais que mais não são do anticorpos inúteis em excesso ou pedaços de anticorpos.

Tem cura? Qual é a taxa de mortalidade do mieloma múltiplo?

Ainda não. Mas estamos mais perto de lá chegar. Já há doentes que vivem muitas décadas. Penso que é preferível falar em taxas de sobrevivência do que em mortalidade. Atualmente, a probabilidade de sobrevivência média está entre os sete anos para os doentes com doença mais avançada na apresentação até sobrevivências quase idênticas às da população geral para os doentes diagnosticados em fases mais precoces.

Quais os tipos de tratamentos que existem para tratar este cancro?

Temos a possibilidade de usar combinações de agentes que são imunomoduladores, mais do que tóxicos celulares, embora a quimioterapia citotóxica e a radioterapia tenham um papel ainda quase sempre insubstituível. Nos doentes mais novos o recurso a quimioterapia de alta-dose é ainda essencial. Mais recentemente apareceram tratamentos imunológicos com recurso a anticorpos 'sintéticos' e aguardamos com interesse e expectativa as evoluções no campo da terapêutica celular, ou seja, com células 'ensinadas' a combater os tumores.

Estão disponíveis em Portugal?

Sim. Nesta fase há já uma ampla disponibilidade de tratamentos. Embora ainda haja atrasos na chegada de novos tratamentos a Portugal. O INFARMED poderia e deveria ser mais rápido na avaliação de novos medicamentos e na contratualização dos preços. Todavia, a grande questão prende-se com a referência rápida dos doentes para centros especializados, onde haja acesso aos tratamentos mais indicados que até podem nem ser os mais recentes.

Há uma grande disparidade entre os cuidados que os doentes portugueses recebem relativamente ao resto da Europa/Mundo?

Digamos que não. Embora, se compararmos o que está disponível na Europa com o que se faz nos EUA, para quem pode pagar há mais disponibilidade de tratamentos nos EUA.

Como é a vida destes doentes oncológicos? E qual é o impacto que a doença tem tanto a nível física como mental?

Além de tratar a doença é preciso controlar a dor, o principal sintoma limitante destes doentes. A verdade é que já há muitos doentes mais novos que mantêm atividade profissional e muitos dos mais idosos desfrutam de vidas globalmente confortáveis. Mas o apoio psicológico, face à incerteza de viver com uma doença incurável é muito grande e essa vertente nunca pode ser descurada.

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