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O médico explica: Tudo o que tem de saber sobre a Doença de Parkinson

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Socorro Piñero, médica neurologista na Clínica de Santo António, em Lisboa, fala detalhadamente sobre a Doença de Parkinson: a condição neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, a alienação da mente e alterações no comportamento e na personalidade da pessoa.

O médico explica: Tudo o que tem de saber sobre a Doença de Parkinson
Notícias ao Minuto

08:40 - 12/03/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Doenças da mente

"Com a lenta progressão da doença ao longo dos anos, o quadro torna-se bilateral, isto é, afeta os dois lados do corpo. As pessoas apresentam então afetação das atividades da vida diária, como vestir, o uso de talheres, levantar de uma cadeira, sair do carro, ou mudar de posição na cama", explica Socorro Piñero.

A especialista acrescenta que "a fala torna-se monótona, arrastada e pouco percetível. Afeta também a marcha, e os doentes apresentam um tronco flexionado, dão passos curtos e têm dificuldades e, mudar de direção, o que por sua vez causa quedas frequentes. Em fases mais avançadas o paciente começa a apresentar dificuldades em engolir, tossir e inclusivamente pode ficar acamado". 

A Doença de Parkinson é uma perturbação cerebral assim chamada em memória do médico inglês que a descreveu no séc. XIX.

É uma doença bastante frequente e progressiva para a qual têm surgido novos tratamentos bastante promissores.Os elementos-chave que definem a Doença de Parkinson são a presença de tremores, rigidez do tronco e dos membros e lentidão dos movimentos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram da doença de Parkinson. Os hospitais centrais registam por ano mais de 1.800 novos casos e prevê-se que, com o aumento da longevidade da população, esta doença aumente nos próximos 20 anos, afetando cerca de 30 mil portugueses.

À escala mundial, estima-se que existam entre sete a 10 milhões de pessoas que vivem com esta doença.

O futuro e evolução da Doença de Parkinson permanece atualmente incerto, ainda que experiências e estudos constantes estejam em curso, como explica a médica: "Inúmeros cientistas e investigadores a nível mundial estão a realizar pesquisas de modo a melhor compreenderem a doença e encontrar novas terapêuticas. Existem igualmente estudos em curso com células madre pluripotenciais, terapias genéticas, tratamentos neuroprotetores, entre outros, dos quais aguardamos os resultados ansiosamente". 

A doença resulta da redução dos níveis de uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos. Essa substância é a dopamina. Os níveis de dopamina reduzem-se como consequência da morte das células cerebrais que a produzem. Para que os sintomas de Parkinson se manifestem, é necessária a morte de 70 a 80% dessas células.

Contudo, não se sabe por que razão essas células morrem e por que razão umas pessoas desenvolvem esta doença e outras não.

Descubra pelas palavras da médica neurologista Socorro Piñero tudo o que deve saber sobre a Doença de Parkinson: 

O que é a doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é o 'parkinsonismo' mais frequente (80 % dos casos) e é de origem degenerativa. Um 'parkinsonismo' é uma síndrome caraterizada pelo aparecimento dos seguintes sintomas: rigidez, bradicinesia, tremor de repouso e perda dos reflexos posturais.

No caso da Doença de Parkinson, dá-se uma perda de neurónios dopaminérgicos numa região cerebral denominada de substancia negra. Estes neurónios produzem dopamina, que é o neurotransmissor cerebral entre as áreas do cérebro que se encarregam de controlar o movimento corporal. Ao diminuir as concentrações de dopamina, os movimentos da pessoa são afetados.

Trata-se de um tipo de demência semelhante ao Alzheimer?

É muito frequente existir alguma confusão entre a Doença de Alzheimer e a Doença de Parkinson.

A Doença de Parkinson não se enquadra no grupo das demências. Trata-se de um parkinsonismo, de etiologia degenerativa. Isto significa que clinicamente se manifesta como uma doença que afeta o sistema motor, apresentando assim tipicamente nas fases iniciais lentidão nos movimentos, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural.

Caracteristicamente é uma doença lentamente progressiva, na qual pode existir uma demência associada, mas habitualmente em estádios avançados e com carateristicas clinicas diferentes da Doença de Alzheimer.

Qual é a prevalência da doença de Parkinson?

É a causa mais frequente de parkinsonismo degenerativo, correspondendo ao 80 % dos casos.

Tem uma prevalência de 360 por 100 mil habitantes e uma incidência de 18 por 100 mil por ano.

Ocorre mais frequentemente nos homens ou nas mulheres?

É ligeiramente mais frequente no sexo masculino (1.9:1).

A partir de que idade esses sintomas se começam a manifestar?

Geralmente os sintomas começam a manifestar-se na quinta ou sexta década da vida, com um aumento gradual da prevalência a partir dos 60 anos. Existem casos muito pouco frequentes da doença de início precoce e estima-se que ronda 5% dos doentes.

Quais são os sintomas?

A Doença de Parkinson é tipicamente assimétrica, isto quer dizer, que os sintomas inicialmente afetam só um lado do corpo. Podendo apresentar:

  • Tremor de repouso: afeta inicialmente um lado do corpo, desaparece quando se faz algum movimento e aumenta com o nervosismo e ansiedade;
  • Bradicinésia: provoca diminuição da destreza e lentificação dos movimentos, dificultando a escrita, ou atos simples como abotoar uma camisa, escrever ou fazer a barba ... Na face ocasiona uma diminuição das expressões e hipersialorreia;
  • Rigidez: os músculos ficam mais tensos e pode provocar dor;
  • Instabilidade postural: de aparição mais tardia e provoca quedas;
  • Sintomas não motores: entre os quais se destacam, sintomatologia depressiva, dor, perturbações do sono, disautonomia (obstipação, hipotensão ortostática), entre outros.

Como se dá a progressão da doença?

Com a lenta progressão da doença ao longo dos anos, o quadro torna-se bilateral, isto é, afeta os dois lados do corpo. As pessoas apresentam então afetação das atividades da vida diária, como vestir, o uso de talheres, levantar de uma cadeira, sair do carro, ou mudar de posição na cama.

A fala torna-se monótona, arrastada e pouco percetível. Afeta também a marcha, e os doentes apresentam um tronco flexionado, dão passos curtos e têm dificuldades e, mudar de direção, o que por sua vez causa quedas frequentes. 

Em fases mais avançadas o paciente começa a apresentar dificuldades em engolir, tossir e inclusivamente pode ficar acamado. 

Que cuidados podemos ter de modo a prevenir o aparecimento desta doença?

Desconhecemos a causa da doença, pelo que não existe uma prevenção possível nem cura definitiva.

Recomenda-se um estilo de vida saudável, com a prática regular de exercício físico regular e a adoção de uma alimentação rica em peixe, carnes brancas e verduras.

Quais são os principais tratamentos e mais eficazes? Tem cura?

Existem vários tipos de tratamentos:

- Médico: trata-se de repor por meio de medicamentos a levodopa que está em falta. Existem diversas classes de fármacos, que são utilizados segundo o critério do neurologista e o estágio da doença. Destacam-se o levodopa, agonistas dopaminergicos, inibidores da MAO-B e da COMT, amantadina e anticolinérgicos.

Podem ser precisos outros medicamentos, como antidepressivos, laxantes, antidemenciais, entre outros, segundo os sintomas que surgirem ao longo da evolução da doença

- Cirúrgico: pode ser necessário em fases moderadas a graves, apesar do tratamento médico optimizado. Consiste na implantação de um eletrodo cerebral ou na lesão de determinadas estruturas para controlo dos sintomas da doença (tipicamente o tremor e a rigidez)

- Fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional: fundamentais e complementares ao tratamento médico.

Como é a vida de um doente com Parkinson?

O primeiro desafio que apresenta a pessoa diagnosticada com Doença De Parkinson é o tabu que ainda existe a nível pessoal e nacional sobre a doença. Frequentemente as doenças neurológicas são confundidas entre elas (como falamos anteriormente) e levam a sentimentos erróneos sobre as mesmas.

Após o choque inicial a pessoa deve procurar informação sobre a doença junto a um neurologista, para a desmitificar, tentar compreender a sua evolução e sentir-se capaz de modificar o seu percurso. Os doentes não se podem fechar perante o diagnostico e que este condicione o seu dia a dia.

Quais são as principais dificuldades que enfrenta?

Trata-se de uma doença lentamente progressiva, limitada a estádios iniciais e com boa resposta ao tratamento durante aproximadamente dez anos. Com o passar do tempo o paciente deve adequar o seu estilo de vida à doença, vestir roupas mais simples, preferir cadeiras a bancos, evitar tapetes no domicílio, usar boa iluminação para evitar quedas … O exercício físico juntamente com uma atitude positiva perante a doença limitam o impacto da patologia na qualidade de vida.

Em estádios muito mais avançados a pessoa apresenta extrema dificuldade na marcha e em manter o equilíbrio, tornando-se mais dependente do cuidador.

Os hospitais e a comunidade médica estão preparados para lidar bem com esta doença?

A comunidade médica está cada vez mais consciente da existência da doença e sabe tratar mais adequadamente estes doentes. Além disso, existem no nosso país aproximadamente 20 serviços com Consulta de Doenças do Movimento, nos quais os doentes são avaliados por neurologistas especialistas em Doença de Parkinson.

Como prevê o futuro desta doença?

Trata-se de uma doença cuja incidência aumenta com o avançar da idade. Tal deve-se sobretudo ao aumento da esperança média de vida, como tal é expectável que o número de casos diagnosticado ainda venha a crescer nos próximos anos. 

Por este motivo existem inúmeros cientistas e investigadores a nível mundial a realizar pesquisas de modo a melhor compreenderem a doença e encontrar novas terapêuticas. Existem igualmente estudos em curso com células madre pluripotenciais, terapias genéticas, tratamentos neuroprotetores, entre outros, dos quais aguardamos os resultados ansiosamente.

Recentemente existem no mercado português novos fármacos (safinamida, opicapona) que melhoram os sintomas e a qualidade de vida deste grupo de pessoas.

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