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Portugal leva novas marcas à maior feira de calçado mundial

A "coragem" e "resistência" das 33 empresas portuguesas de calçado que participam na maior feira do setor, em Milão, Itália, contrastava hoje com a reduzida afluência de visitantes ao certame, cujo primeiro dia foi uma sombra de edições anteriores.

Portugal leva novas marcas à maior feira de calçado mundial
Notícias ao Minuto

17:08 - 20/09/20 por Lusa

Economia Calçado

"É uma pena", deixou escapar Pedro Ramos, 'brand manager' (gestor de marca) da Tentoes, a propósito daquele que acabou por ser um infeliz 'timing' de lançamento desta nova marca do grupo Carité, apostada na sustentabilidade ambiental e no recurso a materiais totalmente naturais como a borracha, o linho e o algodão orgânico.

Em declarações aos jornalistas no primeiro dia da MICAM, que decorre até quarta-feira, Pedro Ramos admitiu que a decisão de participação foi tomada com "baixas expectativas", num contexto de pandemia que cortou para metade a comitiva portuguesa e reduziu dos habituais 1.600 para apenas 500 o número total de expositores naquela que, ainda assim, continua a ser a maior feira de calçado do mundo.

De acordo com o responsável comercial, "sendo uma marca nova, [a Tentoes] tem de começar por algum lado", pelo que a opção foi de participar, mesmo que numa edição mais depauperada do evento.

A mesma opção fez a recém-criada marca de calçado YFF ('Young Fashion Footwear'), da empresa de São João da Madeira DShoes, que com 25 anos de existência se aventurou em maio no lançamento da sua primeira própria e não quis deixar de a vir apresentar em Milão.

"Estamos em contraciclo, mas com toda a força. Há muito tempo que tínhamos a ideia de criar uma marca que nos permitisse chegar diretamente a novos públicos e, com a crise, algumas prioridades redefiniram-se e esta ideia ganhou mais força", explicou à Lusa o diretor comercial da YFF, António Valente.

Motivado a "ajudar a DShoes a não sentir tanto o impacto da crise", o responsável da YFF considera que contribuir para "equilibrar as contas" da casa-mãe "já será uma vitória" este ano e aponta como objetivo a cinco anos vendas na ordem dos 2,5 milhões de euros.

"De braços cruzados era garantido que íamos faturar menos. Vindo aqui, ainda há a possibilidade de equilibrar um pouco mais as contas", afirmou.

Opção diferente fizeram vários outros grandes produtores portugueses de calçado, participantes regulares nas duas edições anuais da MICAM, mas que desta vez não marcaram presença, num misto de receio de contágio com a covid-19 e de desinteresse devido aos muito menores dimensão e impacto do certame.

Durante uma visita à comitiva portuguesa, o secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, reconheceu que esta edição da feira é "diferente de todas", mas sublinhou "a importância da presença de um número muito expressivo de empresas portuguesas [33], em circunstâncias muito difíceis".

Desvalorizando a perda de peso da comitiva nacional no contexto global de "expressiva diminuição" do total de expositores e de visitantes esperados, João Neves preferiu destacar a "capacidade de resistência" dos participantes e o facto de que "quem vem a uma feira como esta vem para fazer negócio e não para ver as tendências do mercado, como noutras edições porventura aconteceu".

"Portanto estamos esperançados que, do ponto de vista do negócio possa ser uma feira positiva", sustentou.

Uma opinião partilhada pelo 'brand manager' da Ambitious, a marca própria da empresa de Guimarães Celita, para quem a presença nesta edição da MICAM "é um sinal de coragem e de proximidade que é preciso dar aos retalhistas".

"Esta estação foi difícil de planear, mas assim que foi possível recomeçámos as nossas viagens e estou há já duas semanas na estrada. Os nossos clientes não vão poder viajar tanto, por isso temos de estar mais próximos deles", disse à agência Lusa Pedro Lopes.

Com exportações para 47 mercados, muitos dos quais extracomunitários, a empresa considera que a ausência de compradores de fora da Europa, dadas as restrições impostas pela pandemia, "é a maior quebra" nesta edição do evento.

"Mas não é por isso que a feira deixa de fazer sentido, até porque a Itália é o nosso principal mercado", acrescenta.

Após ter faturado 20 milhões de euros em 2019, a Celita prevê terminar este ano com uma quebra de "15 a 20%" nas vendas, com o "melhor início de ano de sempre" que estava a registar até à explosão da pandemia a permitir compensar, em parte, o mês de paragem total em abril e a quebra de atividade dos restantes meses.

Face ao apelo de alguns dos industriais portugueses para que o Governo não afrouxe os apoios às empresas, o secretário de Estado Adjunto e da Economia assumiu a "responsabilidade" do executivo de "ter uma palavra forte de suporte às atividades económicas".

"Continuaremos a apoiar os empresários e os trabalhadores para manter as empresas e os empregos", garantiu João Neves, atribuindo a menor adesão das empresas às medidas sucedâneas do regime transitório de 'lay-off' simplificado ao retomar progressivo da atividade.

Embora admitindo uma adaptação das medidas de apoio em caso de deterioração das conjuntura, até porque "o clima é de enorme incerteza", o governante quase excluiu um regresso por muitos defendido do 'lay-off' simplificado no Orçamento do Estado para 2021: "Penso que não estamos nessa fase", disse.

Já o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que acompanhou João Neves na visita à comitiva portuguesa na MICAM, destacou que, "apesar de todas as restrições, o setor de bens teve em julho um decréscimo de apenas 7% face ao mês homólogo de 2019" e tem vindo "progressivamente a diminuir o 'gap'" relativamente ao ano anterior.

"Os exportadores portugueses foram cruciais para que Portugal saísse da última crise. Foram, em grande medida, uns heróis e desta vez não vai ser diferente, serão os exportadores e estas empresas que vão fazer com que Portugal ultrapasse este momento particularmente difícil em todo o mundo", considerou.

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