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'Grandes' gastaram mais de 80 milhões em 'fantasmas' na última década

Comprar barato para vender caro. Um lema que tantas vezes é utilizado para descrever as contas do futebol português. No entanto, nem sempre é assim. Entre 2006 e 2010, cerca de um em cada três jogadores contratados por Benfica, FC Porto e Sporting não chegaram, sequer, a completar 500 minutos de jogo. Para trás, deixam um défice superior a 20 milhões de euros.

'Grandes' gastaram mais de 80 milhões em 'fantasmas' na última década
Notícias ao Minuto

08:00 - 07/09/17 por Carlos Pereira Fernandes

Desporto Mercado

Comprar, rodar e vender. Um fenómeno cada vez mais corriqueiro no futebol internacional e os principais clubes portugueses não são exceção.

As contas feitas pelo Desporto ao Minuto concluem que, nas dez temporadas compreendidas entre 2006/07 e 2015/16 – a temporada 2016/17 foi excluída, de forma a dar a ‘folga’ de uma época para adaptação – Benfica, FC Porto e Sporting gastaram (pelo menos) 84,7 milhões de euros em ‘reforços-fantasma’.

Por ‘reforços-fantasma’, entenda-se aqueles jogadores que foram contratados durante este tempo mas que não realizaram, sequer, 500 minutos com a camisola do respetivo clube. 

Ninguém gastou tanto como o Benfica

Entre 2006 e 2016, os três ‘grandes’ do futebol português contrataram um total de 364 jogadores. Destes, 73 não ultrapassaram a marca dos 500 minutos e 64 entraram e saíram do respetivo clube sem realizar qualquer minuto em jogos oficiais. Ou seja, 37,6% encaixam na categoria de ‘reforço-fantasma’.

Nenhum outro clube português contratou tanto quanto o Benfica neste período, e também nenhum outro viu tanto tiro falhado: das 137 contratações realizadas, 68 não tiveram qualquer impacto desportivo. Ou seja, 49,6%. Quase metade.

O de Luis Fariña é o mais recente – e um dos mais gritantes – exemplo. Contratado ao Racing Club de Avellaneda em 2013, e cotado como uma das grandes promessas do futebol argentino, o médio custou, ao clube da Luz, 3,2 milhões de euros.

Foi imediatamente cedido ao Baniyas, dos Emirados Árabes Unidos. Seguiram-se quatro outro empréstimos, a Deportivo da Corunha, Rayo Vallecano, Universidad de Chile e Asteras Tripolis. Este verão, rescindiu contrato e rumou, a título definitivo, para o Desportivo das Aves.

Em situação semelhante estiveram 67 outros jogadores, como Lionel Carole, Djaniny ou Rogelio Funes Mori, que, ao todo, custaram 41,85 milhões de euros.

Um dragão de chama mais certeira

O FC Porto foi, dos três ‘grandes’, aquele que mais acabou por acertar quando recorreu ao mercado de transferências. Dos 120 reforços contratados, 34 foram ‘fantasmas’ – 23 realizaram menos de 500 minutos, ao passo que 11 não realizaram qualquer minuto oficial – o que se traduz numa margem de desacerto de 28,3%.

Os dragões investiram um total de 31,28 milhões de euros em reforços falhados. Desses, seis milhões de euros foram canalizados para a contratação de Vitor Hugo Gomes Passos – Pelé, para o mundo do futebol – em 2008, ao Inter de Milão, numa operação adjacente à de Ricardo Quaresma, que seguiu o caminho inverso.

Após sete jogos com a camisola azul e branca, que totalizaram 323 minutos, o médio passou por dois empréstimos, a Portsmouth e Valladolid. Em 2010, foi transferido para o Eskisehirspor por menos de um milhão de euros.

Leão conservador… mas com Sinama-Pongolle

O Sporting contratou menos do que o FC Porto, mas nem por isso acertou mais. Dos 107 jogadores adquiridos neste período, 11,44 milhões de euros foram gastos em atletas – 35, no total – com rendimento desportivo quase nulo, resultando numa margem de desacerto de 32,7%.

Grande fatia desse valor foi gasta em Florent Sinama-Pongolle. Em 2010, o clube de Alvalade fez do internacional francês a mais cara contratação da sua história, com um investimento de 6,5 milhões de euros. Resultado: oito jogos, um golo… e um auto-golo.

No ano seguinte foi cedido ao Saragoça e, no outro, ao Saint-Étienne. Em 2012, desvinculou-se do Sporting e assinou pelo Rostov.

No final, fazem-se as contas

‘Mas o investimento, ainda que falhado a nível desportivo, não pode trazer frutos financeiros?’, pergunta. Sim, pode. O exemplo de Daniel Wass, que, em 2011, assinou pelo Benfica a ‘custo zero’, para no ano seguinte rumar ao Évian por 1,2 milhões de euros, sem registar qualquer minuto, é disso significativo. Mas está longe de ser a regra.

O FC Porto que o diga. Dos 31,28 milhões de euros gastos em ‘reforços-fantasma’, apenas conseguiu recuperar 20,63 milhões, o que se traduz num défice de 10,65 milhões de euros, o maior dos três ‘grandes’.

O Sporting, com um défice de 10,44 milhões de euros, surge logo a seguir. Isto em termos totais, já que, fazendo o balanço entre o dinheiro gasto e o dinheiro recuperado, foi aquele que menos recuperou: apenas um milhão de euros.

Quanto ao Benfica, o mais gastador dos três, foi também aquele que mais conseguiu recuperar, ao ponto de quase atingir o ‘break-even’. Gastou 41,85 milhões de euros, recuperou 36,45 milhões e termina com um prejuízo de 5,4 milhões de euros.

Juntando os três ‘grandes’o défice é, ainda assim, claro: 26,49 milhões de euros no espaço de dez anos.

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