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Patrícia Mamona já chegou a Portugal: "Muitos não acreditavam em mim"

Atleta portuguesa confessa que a medalha de prata é um "sonho" tornado realidade.

Patrícia Mamona já chegou a Portugal: "Muitos não acreditavam em mim"

Patrícia Mamona aterrou, ao início da tarde desta quarta-feira, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde foi recebida de forma 'apoteótica', após conquistar a medalha de prata na final do triplo salto dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Em declarações prestadas aos jornalistas, a atleta portuguesa não escondeu a felicidade para com a concretização de um "sonho", mas não escondeu que ambiciona melhorar e conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

Ponto alto da carreira: Estou apenas a tentar perceber o que está a acontecer, é tudo muito surreal e esta receção foi espetacular. Estão aí das pessoas mais importantes da minha vida, amigos, o meu clube, fãs... A todos eles, muito obrigado por esta receção, foi espetacular. Um agradecimento muito especial a todos os portugueses. Não tivemos público, mas, de certa forma, senti a energia que os portugueses estavam a transmitir durante a competição. É um orgulho para mim representar esta nação.

Resultado de muitos anos de trabalho: Quem já me conhece, sabe que não me consigo contentar com o recorde pessoal e nacional. Há sempre oportunidade para melhorar. Felizmente, saí daqui com uma marca que, no início, se pensava que era impensável, mas comecei a acreditar à medida que fui melhorando. Estar no patamar dos 15 metros já é histórico é fazer parte do clube das melhores de sempre. É muito bom. Agora, é aproveitar esta maré. Quero estar neste clube várias vezes e acredito que há sempre algo melhor. Tenho três anos para me preparar para os Jogos Olímpicos e outras competições importantes. Quero consolidar estes 15 metros, porque, sinceramente, ainda não me caiu a ficha de que aconteceram.

Como se sentiu em Tóquio: Pela primeira vez, treinei muito a minha parte emocional e mental, porque sabia que ia ser uma competição muito difícil e tinha que estar preparada para responder a qualquer momento. Não estava satisfeita com os 15,01. Senti que podia dar muito mais. Só pensei em dar tudo, e fui feliz, vice-campeã do mundo, no clube dos 15 metros, meti Portugal no pódio... É excecional.

Que Patrícia Mamona nos próximos Jogos Olímpicos: Podem sempre pensar que vou dar todo. Até hoje, talvez muitos não acreditassem em mim. 'Já é velha...'. Mas, sinceramente, acho que ainda tenho muito para dar, tenho muita energia, tive a felicidade de ter uma carreira quase sem lesões graves, o que dá uma perspetiva mais longínqua de carreira. Tenho exemplos, como a Susana Costa, que não conseguiu apurar-se para estes Jogos, mas, aos 34 anos, bateu o recorde pessoal. Temos de começar a desligar daquilo das idades e acreditar que somos capazes de ir atrás dos nossos sonhos. O meu intuito é sempre dar tudo e representar Portugal da melhor forma. Não posso dizer que trabalho para o ouro, porque as outras também trabalham para o ouro, não as quero desvalorizar. De mim, esperem sempre o melhor.

Grande receção no aeroporto: Gosto muito destas receções e é algo que quero repetir muitas mais vezes. Há poucos meses atrás quando fui campeã da Europa, surgiram convites para ir a programas já para falar com esta medalha. Até aquele momento, era um sonho, que agora se tornou realidade. Mas quero acreditar que o mais importante disto tudo é o trabalho ser valorizado. Esta receção é fruto do trabalho.

Medalha de ouro em Paris: É sempre um objetivo, mas não nos podemos esquecer que o primeiro lugar foi para a recordista do mundo e olímpica, que é um fenómeno. Há já mais de 26 anos que o recorde não era batido, vai ser uma competição difícil. Mas é só pensar no que posso fazer, e tudo vai ser consequência disso.

Até quando conseguirá competir: Não penso nisso, tenho que pensar no presente. Qualquer atleta quer dar o seu melhor enquanto estiver bem, e eu não sei quando é que o meu corpo vai começar a dizer que 'não'. Se estiver pronta e ativa e se a mente quiser, o corpo é capaz de fazer tudo. Vou dar sempre o meu melhor, e, quando chegar a altura, chegará.

Melhor momento: Vou olhar para trás, para todo o percurso que fiz até aqui. São os meus terceiros Jogos, e lembro-me que, quando acabei os primeiros, o sonho era ir lá. Quando concretizei esse sonho, fiquei um pouco triste, porque, depois de estares lá, queres sempre mais. Foi nessa altura que fiz contrato com o meu treinador, o José Uva, que é o mestre que está por detrás disto tudo. Nestes quatro anos, íamos fazer algo de especial. Eu queria estar numa final olímpica, queria mostrar o que era capaz. Conseguimos. No Rio, caiu uma lágrima, porque achava que conseguia chegar às medalhas e fiquei a sete centímetros. Finalmente, consegui um dos grandes objetivos. Nos próximos, é pensar sempre em melhorar.

Fernando Pimenta disse que faltavam apoios: Não queria falar das partes negativas. Há portugueses que conseguem fazer grandes coisas, mas, obviamente, os apoios fazem muita diferente, especialmente em disciplinas técnicas. Se queremos ter um grande lote de atletas a competir a grande nível, temos que estar a par com as outras nações. É um momento importante para dizer de onde vim. Vim do desporto escolar, e temos que investir mais no desporto escolar, porque é daí que vêm os talentos.

Expetativas cumpridas: Na qualificação, estava a sentir-me muito bem, estava confiante. Há muito tempo que sou muito melhor do que 14,66, que era a minha marca pessoal à altura. O importante era que saísse na altura certa e no sítio certo. Fui para dar o meu melhor porque sabia que, se desse o meu melhor, se me focasse no que era importante, as marcas iam aparecer. Foi isso que fiz, numa competição de controlo emocional. Sabia que tinha grandes adversárias que podiam responder a qualquer altura, e queria mais e mais e mais. Acabei por fazer uma marca que, em Portugal e na Europa, é histórica. Agora, quero aproveitar esta maré, porque tenho isto tudo nos pés e quero repetir muitas mais vezes.

Ambiente na comitiva portuguesa: A viagem foi cansativa, são muitas horas de voo, mas, como tenho a adrenalina, parece que foi mais rápido do que o costume. Mas o ambiente na Aldeia foi espetacular, com muito carinho e amor. Quando cheguei ao nosso prédio, tive uma receção muito emotiva. Obrigaram-me a fazer um discurso, mas, na altura, não tinha palavras. Dou os parabéns a todos eles, porque muitos não sabem os sacrifícios que fazemos só para estar nos Jogos Olímpicos. Estarmos lá, entre os melhores do mundo, na melhor competição do mundo... Parabéns a todos eles, que deram o seu melhor. Que seja uma inspiração para os próximos Jogos.

Leia Também: Patrícia Mamona conquistou a medalha de prata e até Mourinho aplaudiu

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