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"Vim para o Paços de Ferreira para voltar a ser feliz a jogar futebol"

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Bruno Costa analisa a estreia pelos castores, explica o 'adeus' ao Portimonense a 'abre a porta' a um regresso ao FC Porto.

"Vim para o Paços de Ferreira para voltar a ser feliz a jogar futebol"

Contratado ao Portimonense, a título de empréstimo, Bruno Costa, o novo número 10 do Paços de Ferreira, estreou-se, este fim de semana, sob as ordens de Pepa, e logo contra o Sporting, numa partida da qual os castores acabaram por sair derrotados, por 0-2.

Um resultado que não afeta o médio de 23 anos, que, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, diz não ter dúvidas de que o emblema da Capital do Móvel tem tudo para ver "safo da descida" o mais rapidamente possível.

O jogador formado no FC Porto recorda, ainda, a estreia de dragão ao peito, quando foi aposta de Sérgio Conceição nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, em pleno Anfield, diante do Liverpool. Um clube ao qual, não esconde, gostaria de voltar.

Além disso, o atleta natural de Oliveira de Azeméis explica a forma como viveu o período de confinamento, que coincidiu com o nascimento do filho, com o qual teve a oportunidade de conviver mais graças à compreensão de Paulo Sérgio.

Não estou contente pelo resultado contra o Sporting, mas estou feliz por voltar a jogar

Estreou-se este fim de semana e logo contra o Sporting. Que tal foram as primeiras sensações?

Senti-me bem, porque estive algum tempo sem jogar. Não joguei o primeiro jogo contra o Portimonense, por estar emprestado. Fiz os 90 minutos e senti-me bem fisicamente. Não estou contente pelo resultado, mas estou feliz por voltar a jogar. 

Ficaram com a sensação de que, se não fosse aquele penálti tão cedo, o resultado poderia ter sido outro?

Sim. Entrámos bem no jogo, e, mesmo depois do penálti, conseguimos impor o nosso jogo. Depois do segundo golo, fomo-nos um bocado abaixo. Eles conseguiram gerir melhor o jogo e fomo-nos um pouco abaixo depois desse momento. Mas, até aí, fizemos uma boa partida e tivemos ocasiões para fazer o empate. Tentámos jogar e estou contente, não pelo resultado, mas pelo jogo em si.

Horas antes, ficou a saber-se que o João Amaral e o Diaby testaram positivo à Covid-19. Chegaram a temer que não fosse possível jogar?

Nós já estamos muito alertados acerca dessas situações. Sabíamos que o jogo ia decorrer, ainda que sem o João Amaral e o Diaby. São situações para as quais já estamos alertados. Infelizmente, aconteceu. 

Há o risco de situações destas se tornarem no 'novo normal' no futebol?

Tento não pensar muito nessas coisas… Ainda para mais tenho uma mulher e um filho de seis meses em casa, por isso tento tomar as devidas precauções. Sabemos que estamos um pouco expostos ao jogar futebol com os nossos companheiros de equipa, mas estou confiante porque o Paços está a fazer um bom trabalho. Acredito que estes dois casos vão passar e não vamos voltar a ter mais nenhum. 

O que é que o Paços de Ferreira tem feito para garantir a vossa segurança?

O Paços está a seguir todas as indicações da DGS. Temos dois balneários, cumprimos sempre a distância de segurança, até a tomar banho. Estamos sem pequeno-almoço… Estamos a cumprir as medidas de segurança para que corra tudo bem. Resultado disso é que o Diaby e o João Amaral estiveram infetados, mas mais ninguém esteve.

A camisola 10 que está a usar esta época pesa mais?

Fui eu que escolhi, mas não penso que pese mais. É um número de que gosto, estava disponível e pedi [risos]. Não é o número que pesa, o jogador tem que trabalhar e assumir a responsabilidade que tem.

Já se sente bem integrado nas ideias do Pepa?

Sim, desde o início que o mister me deu muita confiança. Gostei das ideias que tem para a equipa e da estrutura que estava a construir. Estou muito confiante.

O que é que o mister lhe disse para o convencer a ir para o Paços de Ferreira?

Disse que eu ia gostar muito de cá estar, que ia ser feliz, que estava a construir uma equipa muito boa para jogar o futebol que ele queria jogar. Gostei das ideias que apresentou. O que mais me motivou foi a hipótese de voltar a ser feliz a jogar futebol.

Como tem sido a vossa relação?

O mister tem uma relação muito boa com os jogadores. Fora de campo é uma pessoa espetacular. É um mister exigente, como todos, defende as ideias até ao máximo. Estou muito satisfeito.

Notícias ao MinutoBruno Costa estreou a camisola 10 contra o Sporting© Liga Portugal

Não queremos passar pelo que o Paços passou no ano passado 

Quando sai, o Portimonense ainda não sabe se fica ou não na I Liga. Isso pesou na decisão?

Não. Já tinha a minha decisão tomada, já tinha falado com a estrutura do Portimonense para me ceder por empréstimo.

A ideia passa por regressar ao Portimonense? Ou o futuro passa pelo Paços de Ferreira?

Agora estou focado no Paços. Estive quase um ano no Portimonense, durante o qual aprendi muitas coisas. Fui feliz lá. Agora, estou focado em aprender cada vez mais aqui e estou feliz. 

Sente que o lugar no meio-campo já é seu?

Trabalho todos os dias para que isso aconteça, e o mister tem as suas escolhas. O meu objetivo é jogar o máximo de jogos possíveis. 

Durante o jogo com o Sporting já deu para ver que é o homem das bolas paradas. É mais um sinal de confiança?

Posso dizer que sim… Os meus colegas confiam em mim, o mister confia em mim, e as bolas paradas estão a correr bem nos jogos e nos treinos.

Quais foram os objetivos que estabeleceu do ponto de vista individual para esta temporada?

Quero fazer o máximo de minutos possível na I Liga, quero jogar o futebol bom que o mister quer que o Paços jogue e ser feliz. 

E coletivamente?

O Paços quer estar safo da descida o mais cedo possível, é o primeiro grande objetivo. Este ano, não queremos passar pelo que o Paços passou no ano passado. Depois, quando isso acontecer, é tentar subir o máximo possível.

Daquilo que tem visto até agora, acredita que vai ser uma época tranquila?

O grupo estou confiante e eu também. Penso que não vai acontecer o que aconteceu na época passada. Temos uma equipa de grande qualidade e isso vai ver-se rapidamente. 

O Paços apostou em vários jogadores jovens este ano. Isso torna ainda mais importante a presença de jogadores experientes como o Luiz Carlos ou o Marco Baixinho?

Claro que sim. Por isso mesmo é que são dois dos capitães. São jogadores experientes, que conhecem a realidade do Paços.

Como é que foi recebido na equipa?

Já conhecia alguns jogadores, já tinha jogado com eles no FC Porto e na seleção. Foi fácil. O pessoal que não conhecia também me acolheu muito bem.

Notícias ao MinutoO primeiro jogo de Bruno Costa pelo FC Porto, contra o Liverpool© Getty Images

Regressar ao FC Porto? Claro que sim

Sendo um produto da formação do FC Porto, como tem visto esta recente maior aposta nos mais jovens?

O FC Porto está a começar a fazer um trabalho muito bom nesse aspeto. O mister Sérgio também está a reconhecer a qualidade que existe nos jogadores, e estou feliz por eles e pelo clube. 

Há quem se queixe de que o Sérgio Conceição lança os jogadores, mas que depois a aposta não tem continuidade…

Não é por ser jovem que o mister vai montar a equipa. O mister Sérgio não olha a idades. Se tira alguém é porque acha que é o melhor para a equipa naquele momento e não por ser mais novo.

Surpreendeu-o, por exemplo, a saída de Fábio Silva e Vítor Ferreira para o Wolverhampton?

Não me surpreendeu. Não trabalhei muito com o Vítor, mas já o conhecia e sabia da qualidade que tinha. Com o Fábio já trabalhei mais tempo e toda a gente sabe da qualidade que ele tem. Não me surpreendeu nada. E vai correr bem, de certeza. 

Estreou-se na equipa principal do FC Porto pela mão do Sérgio Conceição, e logo contra o Liverpool. Que recordações guarda desse jogo?

Essa é, talvez, a melhor recordação que tenho do futebol. Foi a minha estreia pela equipa principal do FC Porto, e logo fazer 90 minutos na Liga dos Campeões, contra o Liverpool, em Anfield. Foi um jogo muito emocionante, com o qual fiquei muito feliz.

Os dias anteriores foram de muito nervosismo?

Nos dias antes ainda não sabia que ia jogar… Se calhar por isso não havia tanto nervosismo. Mas, quando soube, sim. Nervosismo, ansiedade… É normal. Mas, quando entramos em campo, isso passa.

Ainda guarda a camisola desse jogo?

Claro [risos].

Foi o único jogo que fez pelo FC Porto nessa época. Como é que isso foi acontecer?

O campeonato já estava a acabar e eu não pertencia à equipa principal. O mister chamou-me para esse jogo e, depois, continuei a trabalhar com eles. Mas é normal, o mister já tinha o seu plantel definido. 

Na época seguinte também viveu um caso curioso. Só fez seis jogos, mas defrontou duas vezes o Liverpool e uma vez o Benfica.

É uma questão que o mister deve responder… Se calhar, devido às opções que tinha e ao tipo de jogos que eram, o mister optou por mim. Talvez pela minha qualidade, não sei [risos]. 

Guarda alguma mágoa por não ter feito mais jogos antes de sair?

Não. Claro que gostava de ter jogador mais, é normal, mas não guardo mágoa nenhuma. Gostei de tudo aquilo por que passei no FC Porto, encontrei um grupo fantástico, com o qual ainda me dou muito bem.

Vê-se a regressar um dia?

Claro que sim. Foram 12 anos no FC Porto, em que fui muito feliz. As pessoas de lá sabem disso. Se um dia regressar é porque eles também acreditam em mim e conseguem ver a minha qualidade. 

Em janeiro sai definitivamente para o Portimonense. Foi uma decisão fácil?

Não, claro que não foi fácil. Tive algum tempo para pensar com a minha família e com os diretores do FC Porto. Juntos, conseguimos chegar à conclusão que era um passo importante para mim e para a minha carreira. É isso que vou tentar fazer este ano no Paços, dar um passo em frente na carreira.

Notícias ao MinutoBruno Costa ao serviço do Portimonense© Getty Images

Paulo Sérgio deu-me sempre a oportunidade de ver o meu filho. É uma coisa que respeito muito

Chegou ao Portimonense numa altura complicada, acabou por trabalhar com três treinadores diferentes…

Mal cheguei, fiz meio jogo contra o Paços com o mister Folha. Depois, fiz outro nas Aves e o mister saiu. Chegou o mister Bruno e, passados alguns jogos, veio o mister Paulo. Nunca é fácil para uma equipa, mas penso que o mister Paulo fez um trabalho muito bom. Conseguiu juntar a equipa e lutámos todos pelo mesmo objetivo, que, no fim, felizmente, conseguimos obter. 

Como é que foi trabalhar com o Paulo Sérgio?

É um mister pelo qual tenho muito carinho porque tratou-me muito bem. Foi na época em que o meu filho nasceu e o mister deu-me sempre a oportunidade de ver o meu filho. É uma coisa que respeito muito. Dentro de campo, conseguiu fazer um excelente trabalho, fez muitos pontos. 

Antes da paragem devido à pandemia, vinham numa série de 13 jogos sem vitórias. Depois disso, só perderam três. O que é que se passou durante esse período?

Essa pausa fez bem à equipa. O mister teve mais tempo para explicar as ideias que queria e para conseguir que entrassem na cabeça dos jogadores todos. Foi um tempinho que jogou a nosso favor. Fizemos uma espécie de pré-época depois disso, que também foi muito boa, trabalhámos muito bem. Notava-se que a equipa estava muito mais forte. 

Como é que viveu esse período de paragem?

Foi quando o meu filho nasceu. Não vou mentir, ajudei muito a minha mulher com o meu filho, mas sempre que podia trabalhava. Tínhamos todos os dias um trabalho com o Portimonense, com o responsável pelo trabalho físico. Tentava também dar umas corridas sempre que podia. Mas foi um tempo que ganhei para passar com o meu filho, e estou muito contentes por ter passado. 

Quando voltaram ao trabalho, estiveram quase dois meses ‘fechados’, sempre a ver as mesmas caras. Foi cansativo?

Não, é como se fosse uma nova pré-época. Também tínhamos um grupo bom no Portimonense, que se dava muito bem, por isso não foi complicado.

Depois da paragem houve jogadores que se destacaram mais, como o Bruno Tabata. Surpreendeu-o esta transferência para o Sporting?

Não, não. O pessoal reconhece a qualidade do Tabata, tanto nós como o treinador. Depois da paragem, conseguiu mostrar mais o valor dele. Foi uma transferência muito merecida.

Já se habituou a jogar sem público?

É um bocado estranho para nós. A sensação que tenho é que parece que estamos a jogar aqueles amigáveis de pré-época, mas é como tudo. Estamos a começar a habituar-nos, mas queremos que o público possa voltar o mais rápido possível. Isso é que torna o futebol bonito. 

Este fim de semana, o Santa Clara-Gil Vicente já terá público. Acredita que é possível que isto volte a ser permitido em todos os jogos já esta época?

Acho que sim. Não sei qual a percentagem da lotação é que vão permitir, mas acredito que é possível haver adeptos no estádio.

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