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Dos videojogos para a Formula 3: Igor Fraga é a nova promessa da Red Bull

Brilhou no mundo virtual e tornou-se no primeiro campeão mundial do FIA Gran Turismo, em 2018, o que lhe abriu horizontes para outros voos. Recentemente contratado pela Red Bull, uma das principais equipas de Formula 1, Igor Fraga tem o caminho aberto para a categoria máxima do automobilismo. O futuro? Está agora nas suas mãos.

Notícias ao Minuto

08:36 - 01/04/20 por Ruben Valente 

Desporto Fórmula 3

Igor Fraga tem nacionalidade brasileira mas nasceu em Kanazawa, no Japão, em 1998. E, tal como o seu nome se destacava dos restantes japoneses, o mesmo se pode dizer da sua habilidade atrás do volante. Campeão nacional de karts em sete ocasiões, Fraga venceu também, ainda em tenra idade, o Campeonato Asiático.

Mal começou a andar, começou também a conduzir. Uma paixão pelo automobilismo que foi expandida para os videojogos e que se revelou fundamental na construção de uma ainda curta, mas promissora carreira.

Em criança, Igor Fraga recebeu uma Playstation 2, um volante e o jogo Gran Turismo, e foi desenvolvendo capacidades no mundo virtual. Capacidades essas que lhe aprimoraram a técnica e que lhe permitiram sagrar-se vencedor do primeiro Campeonato do Mundo de Gran Turismo, apoiado pela FIA.

Os eSports abriram portas para novas competições e hoje, depois de muito esforço, está na luta para alcançar o seu sonho: a Formula 1.

Igor Fraga, aos 21 anos, prepara-se para competir na Formula 3, recentemente assinou pela equipa Junior da Red Bull, uma das principais equipas de F1, e provou acima de tudo que as qualidades no mundo virtual, podem dar frutos... naquela que é a vida real.

Primeiro de tudo, como é que se deu este convite para a Red Bull Junior Team?

Terminado o campeonato, estávamos a caminho de Praga, desembarcamos no aeroporto, ainda estávamos à espera do carro de aluguer, e o meu telefone tocou. Quando atendi, era o próprio Dr. Marko. Foi uma grande surpresa e sem entender ao certo o que estava a acontecer respondi que estaríamos à disposição para reunirmos na Áustria e conversarmos. Acabámos a conversa e disse ao meu pai: 'Era o Dr. Marko e ele está à nossa espera na Áustria para conversarmos este fim de semana'.

Neste momento, és piloto nas pistas reais e virtuais. Como é que aconteceu este processo dos videojogos para os circuitos verdadeiros?

Nasci e cresci no Japão. Vivi lá até aos 12 anos de idade e foi lá que comecei nos karts quando tinha apenas três anos. Porém, logo antes de conduzir naquilo que é o 'mundo real', o meu pai comprou-me a Playstation 2, o Gran Turismo 3 e um volante. Claro que na altura a tecnologia não era muito avançada, mas o meu pai queria que eu tivesse uma base dos controlos necessários para pilotar.

Começaste então primeiro nos simuladores...

Como disse, iniciei primeiramente no mundo virtual e depois nos karts. Ambos fizeram parte da minha carreira desde cedo, porém tudo foi mais sério primeiro nos karts.

Notícias ao MinutoIgor Fraga venceu o primeiro Campeonato do Mundo de Gran Turismo© Getty Images

Já disseste que nasceste no Japão, mas como se deu a tua ida para o Brasil? Conta-nos um bocadinho da tua história.

Sim, como já disse nasci no Japão e foi lá que dei os primeiros passos no automobilismo. Fui campeão de karts sete vezes e em 2008 fui também campeão asiático de kart (campeonato realizado em quatro países diferentes da Ásia). Ao mesmo tempo, em casa treinava sempre nos videojogos, também para manter os reflexos em dia. Com a crise financeira de 2008, fui obrigado a fazer uma pausa na minha carreira e foi aí que me mudei com a minha família para o Brasil. Já em 2014, quando regressei ao automobilismo, agora nas categorias de monolugar, tive muitas dificuldades em continuar devido ao alto investimento que este desporto requer. Foi nesse mesmo ano que descobri o projeto GT Academy, que estava a crescer globalmente e no qual tornavam pilotos virtuais em pilotos profissionais.

Consegui classificar-me para a fase presencial, mas não tinha idade mínima para participar no campeonato. Foi nesse momento que percebi que o virtual, realmente, podia ser uma oportunidade para alavancar a minha carreira. Dediquei-me muito a isto e, em 2018, venci o campeonato mundial de Gran Turismo certificado pela FIA. Foi uma vitória que realmente mudou a minha vida. Fiz a minha transição para a Europa e terminei em 3.º lugar na minha estreia, com quatro vitórias. Este ano novamente com o apoio deles, fui campeão da Toyota Racing Series na Nova Zelândia.

Schumacher, Fittipaldi? Apelidos fortes não me colocam pressão

Este sucesso permitiu-te chegar àquele que será o teu primeiro ano na grelha da Formula 3, onde vais correr pela Charouz Racing System. Quais as tuas expectativas?

Aprender o máximo para conseguir superar os meus limites. Claro que, ao mesmo tempo, vou ter procurar ter o melhor entrosamento dentro da equipa, para que tudo funcione da melhor maneira e possa alcançar os melhores resultados possíveis.

Irás ter adversários com um forte nome na modalidade. Enzo Fittipaldi, neto do bicampeão mundial, David Schumacher, filho de Ralf e sobrinho de Michael. Isso de certa maneira assusta-te?

Fiz grande parte da minha carreira com muitas dificuldades financeiras. Ia para cada corrida como se fosse a minha última, porque não sabíamos se realmente conseguiríamos correr a próxima. Os custos dos arranjos do carro após os acidentes eram à parte e nem tínhamos seguro. Tive que lidar com tudo isso e ainda obter bons resultados para poder continuar a seguir em frente. Dito isto, o facto de agora estar a competir ao lado de pilotos com apelido forte não me acrescenta qualquer pressão, mas sim a motivação de continuar a batalhar para alcançar o meu sonho.

Sonho esse que é a Formula 1?

Sim, desde pequeno esse sempre foi o meu sonho. Apesar de todas as dificuldades que enfrentei, esse sonho fez-me nunca desistir e hoje estou onde estou. Se realmente irei lá chegar não sei, mas vou continuar a lutar pelos meus objetivos.

Notícias ao MinutoAinda em bebé, Igor Fraga já andava de kart na companhia do pai, Fabrizio© IG Igor Fraga

Para chegar longe, normalmente um jovem como tu inspira-se nos seus ídolos. Queres partilhar connosco quais são?

Sim, acho fantástico o que o Hamilton tem vindo a fazer e também gosto muito do Daniel Ricciardo. Tento absorver as qualidades dos grandes pilotos e aprender sempre cada vez mais.

E o Ayrton Senna? Ele inspirou milhões de pessoas, brasileiros e não só, e muitos dizem que sonhavam ser como ele. Apesar de não o teres visto ao vivo, ele é uma referência para ti?

Sim, desde pequeno os meus avós me mandavam documentários do Senna. Naquela altura ainda não entendia muito bem a sua personalidade, mas aquele capacete verde e amarelo a andar de uma forma única, agressiva e com muita força de vontade, marcou-me muito.

Acabas por ser um excelente exemplo daquilo que é uma carreira feita com um grande impulso do mundo virtual. Nesse sentido, achas que é possível um jovem iniciar-se no automobilismo através dos videojogos?

Acredito que sim. Claro que ainda é tudo muito novo, mas é um mundo que está a crescer muito e também está a provar que realmente é um caminho eficiente. Na minha opinião, esse novo caminho vai abrir-se cada vez mais nos próximos anos.

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