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I Liga - Os melhores tentos apontados na última jornada

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"Na Polónia estava quase a entrar em depressão. Agora estou no paraíso"

Marco Paixão faz história ao serviço do Altay, na segunda liga turca, equipa na qual assume o papel de maior goleador. Apesar do sucesso fora de portas, o avançado português não esconde a tristeza por nunca ter tido uma oportunidade em Portugal.

"Na Polónia estava quase a entrar em depressão. Agora estou no paraíso"

Marco Paixão está a fazer história na segunda divisão turca. O avançado português de 34 anos mudou-se no último verão para o Altay e já conquistou o coração dos adeptos turcos. No último fim de semana, Marco Paixão elevou para 25 os golos apontados esta temporada e bateu o recorde de jogador estrangeiro com mais golos marcados. 

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o goleador português revela-se muito feliz em Izmir, mas não esconde alguma desilusão por nunca ter tido uma oportunidade no principal escalão do futebol português. 

Porém, Marco Paixão garante não sentir qualquer tipo de mágoa. O avançado admite ainda ter um sonho por cumprir e aborda também o facto de nunca ter sido chamado para representar a seleção nacional. 

Que balanço faz desta experiência na Turquia?

Este primeiro ano na Turquia está a ser muito bom. A nível pessoal está a ser espetacular. No último fim de semana bati o recorde do jogador estrangeiro com mais golos no campeonato e isso é bastante bom. Estou muito contente e felizmente agora veio para cá o Hélder [Tavares]. É mais um para ajudar a nossa equipa. A cidade é magnífica, a comida é boa e há sol quase todos os dias. É quase o paraíso.

Como foi o processo de adaptação? 

Ao início foi um bocado complicado. Aqui eles correm muito. Não digo que seja mais físico. A diferença é que correm muito, às vezes até sem sentido. O maior desafio foi conseguir adaptar-me a este futebol para começar a marcar golos. 

Poderia ter chegado a um clube grande, mas não guardo mágoa de nada e de ninguém

Que realidade cultural encontrou? 

Aqui em Izmir é o paraíso. É muito bom. É uma cidade europeia. É como Lisboa. Existem muitos jovens e estudantes. Foi fácil adaptar-me. Se tivesse ido para uma cidade do norte teria sido mais complicado, mas as coisas aqui são fáceis. É muito parecido a Portugal. É uma cidade à beira da praia e muito boa comida. Estou perfeitamente adaptado. 

Os adeptos turcos são conhecidos por serem muito fervorosos. Que feedback tem recebido deles? 

Eu vi uma entrevista do Quaresma em que ele diz que gostava que os adeptos em Portugal fossem como os adeptos na Turquia. Tenho de lhe dar razão. É uma autêntica loucura. O futebol aqui é uma religião. É uma coisa como nunca tinha visto na minha vida. É incrível! A nível pessoal as coisas estão a correr bem e os adeptos amam-te e adoram-te. Se vais na rua ou se estás num restaurante eles chamam por ti. No estádio eles entoam cânticos para ti e pedem-te que vás lá cumprimentá-los antes dos jogos. É uma loucura, uma maravilha. O Quaresma tinha mesmo razão. É realmente espetacular.

Notícias ao MinutoMarco Paixão tornou-se um ídolo por entre os adeptos turcos. Os 25 golos apontados esta temporada não deixaram ninguém indiferente. © D.R.

Já passou por vários clubes. É no Altay que se sente mais acarinhado?

Sem dúvida. Nunca senti tanto carinho por parte dos adeptos como aqui. Têm um coração enorme. Quando gostam de um jogador transmitem muito carinho. No futebol e no dia-a-dia. Sinto que estou aqui a jogar há cinco ou seis anos. O carinho que eles me dão é honesto e sincero.

Pensa em ficar no Altay na próxima temporada? 

Tenho mais um ano de contrato. Amo esta cidade e adoro o clube. Foi o melhor ano da minha vida naquilo que é o espírito de equipa. Os meus companheiros têm muito caráter e estou no melhor balneário por onde passei. Estou a fazer uma grande temporada, mas a minha intenção é ficar aqui. Minha e da minha mulher, que também gosta de estar aqui comigo.

O Altay está em décimo lugar, mas o Marco tem 25 golos e é o melhor marcador do campeonato. À partida seria uma missão impossível. Como é que isto se explica?

Normalmente tenho uma mentalidade positiva e ganhadora. Tento sempre incluir isso no meu jogo. Nunca coloco barreiras e não olho para os problemas dos outros. Tento sempre centrar-me no que é o futebol e fazer o meu trabalho. Para um avançado, ou marcas golos ou não vales para o lugar. Eu tento fazer o maior número de golos. Sei perfeitamente qual é o meu objetivo. Queria subir com esta equipa, mas neste momento já não é possível porque estamos fora dos playoffs. Tenho sempre a cabeça no sítio e sou sempre positivo. Eu não penso naquilo que está ao redor da equipa ou se x jogador está lesionado. Chega à altura do jogo e estou sempre focado.

Passou por vários países como Escócia, Polónia, Espanha… Estas experiências internacionais tornaram-no melhor jogador?

Sim, obviamente. Quando estamos fora do nosso país e longe da nossa família ganhamos mais 'estaleca'. Enquanto jogador, mas também como pessoa. Ficamos mais fortes e conseguimos ultrapassar situações que de outra forma não conseguíramos. O facto de andar aí por vários países permitiu que eu aprendesse muita coisa. Tive de ser forte em vários momentos difíceis e enfrentar problemas graves. Isso influencia o meu futebol. Já tive tantas experiências e por isso sei exatamente aquilo que quero. Não interessa o que os outros dizem ou pensam.

 Fiz o meu próprio percurso sem a ajuda de ninguém

Não sente saudades de Portugal?

Claro que sinto. Sentimos sempre falta de Portugal. Sinto falta de Sesimbra e daquele bom peixe. Mas aqui estou mais tranquilo. Na Polónia estava quase a entrar em depressão. As pessoas eram muito tristes. Era um povo afetado pelo clima. Não são pessoas tão sociais. Por exemplo, lá raramente ia jantar fora. Aqui faz sol todos os dias. Agora já não é tão difícil estar longe de Portugal, mas obviamente tenho saudades dos meus amigos, do meu pai e da minha família.

Acha que lhe faltou oportunidades em Portugal?

(risos) Claro que sempre quis jogar em Portugal, mas tudo o que ganhei fora a nível financeiro seria muito complicado ganhá-lo em Portugal. Gostava de ter jogado lá, mas infelizmente nunca aconteceu. Cheguei a receber uma chamada de um clube português há um ano, mas como tinha contrato foi impossível. Mas foi a única chamada que eu recebi de um clube português… É um sonho que eu sempre tive. Estaria perto da minha família e poderiam ir ver os meus jogos. Poderia ter chegado a um clube grande, mas não guardo mágoa de nada nem de ninguém. Fiz o meu percurso sem a ajuda de ninguém e isso tem muito mérito. Agora será muito difícil. Diria quase impossível.

Apesar de ser um jogador com muitos golos nunca foi chamado à seleção nacional... 

No primeiro ano que estive na Polónia fiz 28 golos e falou-se na minha possível chamada à seleção na imprensa. Essa possibilidade foi falada e eu pensava que iria ter essa oportunidade. Foram 28 golos num ano… Joguei na Liga Europa, fiz um golo em Sevilha… Houve jogos em que poderia lá estar, mas, pronto, não foi possível. Infelizmente. É uma espinha encravada. Qualquer jogador sonha representar a seleção e aquela era a melhor época da minha vida. Era um sonho, mas agora com 34 anos acho difícil. Mas o dia de amanhã nunca se sabe! Como se costuma dizer, a esperança é a última a morrer (risos).

Tem 34 anos. O que gostava de fazer até final de carreira?

O meu grande sonho sempre foi jogar na Liga espanhola. Há dois anos isso esteve muito perto de acontecer, mas acabou por não ser possível. Neste momento era isso que gostava de conseguir. É a melhor liga do mundo e onde estão os melhores jogadores do mundo. 

Notícias ao MinutoMarco Paixão em plena celebração de mais um golo ao serviço do Altay, uma imagem muita vezes repetida em 2018/19. © D.R.

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