Museu de Arte Antiga quer comprar retrato de Frei Fonseca Évora

Um pequeno retrato oitocentista de Frei Fonseca Évora, pintado sobre marfim, é a obra que o Museu de Arte Antiga, em Lisboa, pretende adquirir, por 10 mil euros, através de uma nova campanha pública de donativos.

© Wikimedia Commons
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A miniatura foi hoje apresentada pelo diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, que destacou "a qualidade da obra, e a relevância da figura retratada", na história da diplomacia e da cultura portuguesas.

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O retratado, Frei José Maria da Fonseca Évora (1690-1752), nascido no Porto, foi um destacado franciscano do seu tempo, embaixador de Portugal no Vaticano, agente artístico, colecionador, mecenas e bispo da cidade natal.

A obra surgiu à venda no mercado internacional e foi adquirida por um particular que propôs, por seu turno, vendê-la ao MNAA.

De acordo com o museu, a campanha pública de angariação para a compra do quadro começa hoje e prolonga-se até 30 de maio de 2017, podendo os contributos serem feitos em dinheiro, no museu, ou por transferência bancária.

Trata-se da segunda campanha pública de angariação de fundos realizada pelo MNAA para a aquisição de uma obra de arte, após a lançada em outubro do ano passado - intitulada "Vamos pôr o Sequeira no Lugar Certo" - para adquirir a obra de Domingos Sequeira "A Adoração dos Magos", por 600 mil euros.

Hoje, o diretor do museu apontou que a nova campanha "é de uma escala muito menor, pelo seu valor monetário, mas a peça é extremamente importante para o património artístico português e para o próprio museu, que tem uma coleção de miniaturas no género".

Sobre a nova campanha pública de mecenato, António Filipe Pimentel sublinhou que "o aspeto central é a pedagogia em relação ao património artístico, que é de todos os portugueses, e todos podem contribuir".

Frei Fonseca Évora foi uma das mais prestigiadas figuras da cultura portuguesa no reinado de D. João V, salientou Teresa Leonor Vale, conservadora do museu, recordando que foi para Roma em 1712, ano em que acompanhou o marquês de Fontes na embaixada do Rei de Portugal ao papa Clemente XI.

Acabou por tornar-se um interlocutor privilegiado no processo de aquisição de obras de arte para a corte portuguesa, nomeadamente na encomenda do conjunto escultórico destinado à Real Basílica de Mafra.

Em Roma, no convento de Santa Maria de Aracoreli, mandou construir a chamada Biblioteca Eborense, onde surge retratado nesta pintura em marfim, vestindo o hábito franciscano.

A campanha para a compra do quadro de Domingos Sequeira, com a contribuição do público, deu ainda a possibilidade de usar 100 mil euros remanescentes para comprar um retrato oitocentista do rei português D. João V com a Batalha de Matapão em fundo.

Esse outro quadro, pintado em 1717 por Giorgio Domenico Duprà (1689-1770), foi adquirido no Brasil pelo MNAA, depois de uma investigação sobre a sua localização.

Esta campanha de angariação de fundos para a aquisição de uma obra de arte para um museu público contou com a contribuição de milhares de cidadãos a título individual, instituições, empresas, fundações, escolas, juntas de freguesia e câmaras municipais.

 

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